quinta-feira, 30 de maio de 2013

“Não tenho medo de levar não” - Blogueira de Moda

A blogueira Camila Coutinho no SPFW ©Felipe Abe
Se você estava em outro planeta quando houve a explosão de blogueiras no Brasil, talvez ainda não tenha ouvido falar de Camila Coutinho ou de seu blog Garotas Estúpidas. Mas é bom guardar esse nome. Aos 25 anos, essa recifense, filha de uma arquiteta e um restauranteur, não brinca em serviço.
O GE foi criado em 2006 para ser um espaço em que Camila poderia conversar com suas amigas sobre moda, beleza e celebridades. Hoje, ele contabiliza cerca de oito milhões de pageviews/mês e virou uma máquina de fazer dinheiro, com mais de 30 anunciantes rotativos mensais. Segundo a blogueira, seu blog é o primeiro desse segmento no país.
Recentemente, o Garotas Estúpidas foi eleito o 4º mais influente do mundo, em uma lista de 99, segundo o ranking Signature 9, que faz sua análise através de dados de popularidade, compartilhamentos em redes sociais, número de pageviews, estilo pessoal dos blogueiros, engajamento e qualidade do conteúdo.
Como comparação, veja em que lugar estão outros blogs famosos:
#84 Hanneli #49 Fashionismo (Brasil) #48 Anna Dello Russo #40 Julia Petit (Brasil) #20 Man Repeller #14 Garance Doré #4 Garotas Estúpidas (Brasil) #2 Advanced Style #1 Sartorialist
Desde que ficou conhecida, já fechou licenciamento de produtos para a Corello (a coleção Corello by Camila Coutinho, vendida nas lojas da marca e no e-commerce) e Pat Bo (segunda linha da estilista Patricia Bonaldi), e recentemente contratou uma assessoria de imprensa para divulgar o seu trabalho. “A Camila tem uma linguagem que envolve informação de moda, pontos de vista e opiniões cheias de personalidade, comportamento. Sempre com senso de humor, é uma garota otimista, de bem com a vida. Ela comunica sinergicamente com o nosso público”, diz ao FFW Carla Silvarolli, diretora artística da Corello.
O próximo passo é contratar uma pessoa com expertise em desenvolver personalidades. “As pessoas já me contratam para ir aos eventos e assinar produtos. Quero fazer com que minha imagem gere dividendos”, conta Camila, em uma conversa durante o SPFW. Nos poucos passos que deu da entrada do restaurante até a mesa onde conversamos, foi parada quatro vezes para tirar fotos. “Sempre fui uma representante na blogosfera, mas de dois anos para cá as pessoas tem me tratado como alguém mais famoso”.
Os números que a acompanham são superlativos: oito milhões de pageviews no blog por mês; mais de 300 mil fãs no Facebook e 240 mil no Instagram. O que faz centenas de milhares de pessoas seguirem e participarem ativamente da vida de uma jovem fã de cultura trash e celebridades, de estilo hi-low, como ela mesmo define? O que Camila tem que faz com que tantas outras meninas se identifiquem com ela? Entre as respostas está o fato de que Camila inclui seus seguidores em seu ambiente, ela parece acessível (e é) e sua forma de se vestir, que mistura peças caras e baratas, marcas exclusivas e de rua, não é inatingível. É uma garota que alcançou o sucesso, mas que poderia ser da sua turma. Com vocês, Camila Coutinho:
Como você começou?
Fiz faculdade de design de moda e tinha tempo livre porque minhas aulas eram à noite. Resolvi criar um espaço na internet para postar e conversar com as amigas e comecei a falar de moda e beleza. Fui o primeiro blog desse segmento.
De onde vem o nome do blog?
O nome vem da música “Stupid Girls”, da Pink, que é uma crítica às celebridades tontas que ficavam sem calcinha. Peguei esse nome para ser um espaço só para garotas onde falamos de assuntos femininos que normalmente os meninos não gostam.
Como são os números do seu blog e das redes sociais?
Atualmente, o blog conta com uma média de 70 mil visitantes únicos por dia. Temos mais de oito milhões de pageviews por mês, mais de 300 mil fãs no Facebook e mais de 200 mil no Instagram.
E os comentários? Você lê todos?
Antes do Instagram tinha de 200 a 500 por post, hoje é uma média de 100, 150. Os acessos hoje são muito mobile. Mas eu aprovo um por um. Antes era uma área aberta, mas rolava muito barraco.
Quando ocorreu o primeiro boom?
Foi muito devagar. Sempre fazia credenciamento do SPFW e nunca era aceita. Cobria pela revista “RG” através de contatos de amigas blogueiras. Fui estudar em Nova York e saí no ranking da “Vogue” francesa dos 45 blogs que mereciam ser visitados. Então pensei: “Pô, se eu não for credenciada agora, aí eu desisto”. (risos). Isso ocorreu há quatro anos. Antes era clandestina, agora sou oficial.
Quanto custa um anúncio no seu blog?
Temos anunciantes fixos com pacotes semestral e anual. Por mês temos cerca de 30 a 40 anúncios. O anunciante quer conteúdo e temos muita demanda. Os nossos publiposts são sinalizados e sempre busco parceiros de muito tempo, como Corello, PatBo, O Que Vestir… Bolo ações especiais para as marcas, dou ideias, faço mailings. (Camila não quis revelar os valores de suas ações, pois cada uma é pensada de um jeito e tem um valor, mas segundo fontes ouvidas, um publipost pode sair em torno de R$ 10 mil)
Você é paga para usar roupas?
Sim, temos essa opção no Mídia Kit. Mas todas as marcas que solicitam isso passam antes pelo meu crivo pessoal.
Caixas e caixas: alguns dos presentes recebidos por Camila ©Reprodução Facebook Garotas Estúpidas
Como funciona a questão de licenciamentos?
Eu assinei uma linha para a Corello de nove ítens quando abriu a primeira loja da marca no Nordeste. Para a Corello fiz duas campanhas, em 2010 e 2011. Além disso, teve a linha assinada no final de 2012; eles fizeram produção extra para prolongar a venda online, pois nas lojas as peças se esgotaram. Para a Pat Bo, fiz a primeira campanha da marca, em 2012. Agora tenho em vista um licenciamento de maquiagem e quero fazer algo com uma loja mais pop.
Como você fez para entender o processo comercial quando o blog estourou?
Meu pai me orienta muito. Com dois anos de blog eu já tinha dois mil acessos por dia. Ele me alertou na parte do registro do nome, na abertura de uma empresa. Passei anos fazendo tudo sozinha, cobrando, emitindo nota fiscal…
Eu não tinha parâmetro e inventava valores no início. Quando os pedidos de anúncios tornaram-se frequentes, fui à agência de um amigo ter uma aula e montei minha própria tabela. Hoje outras blogueiras me consultam sobre isso.
Quem são seus concorrentes?
Qualquer blog com boa audiência acaba sendo concorrente, mas não vejo ninguém fazendo nada na mesma abordagem que eu. Trabalho com marcas grandes, como Nextel, até marcas mais populares, como Marisa.  Eu sou o que vivo. Hoje, por exemplo, estou de Colcci e Gucci e meu short é de uma marca desconhecida do Sul.
Por que todas as blogueiras vão ao salão do Proença?
Ele é muito bom e faz marketing pessoal. Ele promove as meninas, além de ser o melhor baby liss da cidade. Imbatível.
O que você acha da polêmica iniciada por Suzy Menkes, que diz que a moda virou um circo?
Não tem nada a ver. Fui para a porta da Chanel e perguntei pro Sartorialist qual a importância do street style na moda. Scott disse que ele só complementa e quanto mais gente interessado em moda tiver, melhor. Se a pessoa não está a fim de ver aquilo, passa direto e entra na sala. Esse é o momento atual. É um interesse que acendeu e vai ficar sim.
Mas não há muita futilidade nesse meio?
Se a menina tem audiência, ela criou uma personagem interessante. Ela tem esse mérito. O que a Kim Kardashian tem? Ela não sabe cantar, não sabe desfilar, mas tem algo interessante, assim como a Paris Hilton. Elas criaram um produto que são elas. “Big Brother” é um momento de relax. Você se distrai de alguma maneira. Não precisa ter tanto conteúdo pra se distrair.
O que acha de blogueiras como a Shame, que também é popular na internet, mas de uma maneira mais crítica?
Eu acho que ser crítica, principalmente com bom humor, exige uma dose de bom senso elevada, porque até pra fazer uma boa sátira é preciso ter limites! Adooooro essa coisa da ironia e não me levo tão a sério (tanto que criei uma sátira de mim mesma com os vídeos da Tarsila Marinho, mas a crueldade gratuita anônima é uma das coisas chatas da internet! + Leia aqui nossa entrevista com a blogueira Shame
Qual a sua opinião sobre as confusões éticas geradas por publiposts sem sinalização?
Acho que é um mercado que cresceu muito solto e que começou a se “organizar” há um ano, mais ou menos. Como um veículo “novo”, nessa fase mais profissional, está criando seu manual de conduta de maneira bacana, sinalizando o conteúdo publicitário do seu jeito. Assim como fazem as revistas, o rádio, os programas de TV e as novelas, cada um a sua maneira. Acho natural que, em um mercado enoooorme em que se começa amador, em alguma parte do caminho, haja alguns tropeços. Mas nada que não se possa entender e organizar, como já está acontecendo há um tempo.
Onde quer chegar?
Nessa temporada, acho que meu blog ganhou muito respeito. As portas estão abertas. Quero me fortalecer como Camila e com a marca GE.
Qual a sua estrutura hoje?
Trabalho em home office, tenho uma colunista de beleza, duas pessoas no comercial, uma no financeiro, uma assessoria de imprensa e também contrato frilas. Cada um trabalha na sua casa.
Quais blogs você lê?
Papel Pop, de celebridades.
Qual a coisa mais chata que alguém já falou de você?
Que meu joelho era de porco.
Já está rica?
Estou muito bem para 25 anos. Comprei meu carro com meu dinheiro e viajo muito com o blog. Eu era uma menina que vivia de mesada. Hoje ganho meu dinheiro e compro na Gucci ou na Renner e isso faz com que eu me comunique com mais gente. E no site dou os exemplos de como colocar isso em prática.
Como você se vê?
Sou uma personalidade. Falo em primeira pessoa todos os dias, sou um veículo e uma personalidade. E não tenho medo de levar não.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Afinal, quem é o culpado dos problemas na empresa?



Negócios foram feitos para ser rentáveis, mas por que alguns não são tão rentáveis? Muitas vezes porque o empreendedor, ao se deparar com problemas do dia a dia, tem uma tentação em investigar o culpado e não a sua causa.
Concordo que o culpado deva até ser punido, ou melhor, orientado, para o problema não voltar a ocorrer, mas será que o culpado é mesmo quem se apurou? Ou seria a desorganização da empresa?
Vejamos algumas vivências para reflexões:
          - o pedido de venda foi cancelado devido ao atraso na entrega, então a produção é punida. Será que a causa é a produção? Poderia ser devido à falta de conhecimento de quanto tempo se leva para produzir ou executar o serviço? Poderia ser devido à falta de conhecimento do acumulo de trabalho? Poderia ser devido à uma negociação mal feita? Poderia ser por falta de recursos materiais ou humanos? Poderia ser a falta de comunicação interna entre os departamentos da empresa? Poderia ser por falta de expertise? Qual seria a verdadeira causa?
          - Quebrou-se um equipamento de trabalho, então o funcionário que quebrou é punido. Seria a causa da quebra a pressão psicológica para cumprimento do prazo? Seria devido à ameaça para se ter qualidade no produto ou serviço? Seria por falta de um plano de manutenção preventiva do equipamento quebrado? Seria pela falta de controle de todos os usuários do equipamento que culminou na quebra com o último usuário? Seria a qualidade do equipamento na busca de preço de compra mais baixo? Seria a falta de treinamento do usuário para a utilização do equipamento? Qual seria a verdadeira causa?
          - O departamento comercial não consegue desenvolver novos clientes ou aumentar as vendas, então a equipe de vendas é punida. Seria a causa a falta de condições de trabalho da equipe de vendas? Seria a causa o alto preço de venda devido à desorganização da empresa que gera um elevado custo para a produção do bem ou serviço? Seria a falta de divulgação da marca, produto ou serviço para o público alvo? Seria a falta de treinamento da equipe de vendas para ter melhor conhecimento do produto ou serviço? Seria a falta de treinamento da equipe para fechar negócios? Seria a história negativa que a empresa construiu ao longo do tempo e não tem feito nada para reverter? Qual seria a verdadeira causa?
Caro empreendedor, vejo com muita frequência os meus clientes querendo resolver seus problemas administrativos num passe de mágica, como se a causa fosse um funcionário específico, percebo que ao trocar um determinado funcionário o problema persiste, qual seria a verdadeira causa? Será que não está na hora de se fazer um reflexão no atual modelo de trabalho? Afinal, negócios foram feitos para ser rentáveis.

NEGÓCIOS FORAM FEITOS PARA SER RENTÁVEIS, CONSULTE UM ESPECIALISTA EM CUSTOS
Edson Carlos de Oliveira
Consultor de Custos e Estratégias
www.consultoriaplanecon.com.br
edson.oliveira@consultoriaplanecon.com.br

sábado, 4 de maio de 2013

Cabine 'escaneadora' e cabideiro robô: novas tecnologias ajudam a comprar roupas

As luzes fluorescentes estão piscando, o espelho está claramente torto, e você está pingando de suor.

Loja Hointer (Divulgação)
Hointer optou por uma loja com mostradores menores e muita tecnologia para provar
De pé, dentro de provador, vestindo um jeans que não cabe, você se conforma com o fato de parecer fora de forma - em vez de exuberante - nas calças que cobiçava.
Parabéns. Você está fazendo compras nas lojas do século 21. É uma experiência que a maioria de nós ama ou odeia.
E esse medo dos provadores está levando muitos consumidores a comprar online, criando enormes desafios para as lojas físicas.

Consumidor com controle remoto

Nadia Shouraboura ama roupas. Mas ela não gosta do teste de resistência que costuma ser a busca por um par de jeans que lhe caia bem.
"Quando vou a uma loja tradicional, sempre fico decepcionada com a experiência, de tirar a roupa no provador e gritar através da porta para pedir algo à vendedora", diz. "E odeio desmontar pilhas de roupas. Fico incomodada, porque sei que alguém vai ter que vir arrumar. Pensei que poderíamos melhorar drasticamente todas essas coisas com a tecnologia."
Com tablet ou celular, cliente seleciona as peças que quer provar
Como ex-chefe de suprimentos e tecnologias para a gigante online Amazon, Shouraboura tinha muitas ideias. O resultado disso é a Hoiter, uma loja-conceito estabelecida em Seattle (EUA) e inicialmente focada no público masculino.
As roupas são exibidas em cabideiros minimalistas, facilitando sua observação pelo cliente. Se este quiser provar uma roupa, basta encostar nela com seu smartphone, se ele tiver NFC (a tecnologia "near field communication"), ou escaneá-lo com o código QR. Daí você é automaticamente alocado para um provador e pode continuar comprando.
Escolhidas as roupas, o cliente vai ao provador determinado, onde elas estarão esperando por ele (foram transportadas por coletores robóticos).
Precisa de um tamanho diferente? Pode usar seu smartphone e o item vai aparecer na sua frente em 30 segundos, diz Shouraboura.
Para efetuar a comprar da roupa escolhida, o cliente passa o cartão de crédito num terminal automático.

Preços

Os preços são dinâmicos: variam ao longo do dia para se manterem competitivos em relação aos preços das lojas online e para evitar que os consumidores apenas olhem os produtos na loja e depois os comprem na internet.
Isso só é possível porque os custos são mantidos baixos, diz Shouraboura. Menos espaço ocupado significa um aluguel menor; automação significa menos trabalhadores.
Nadia (centro) e seus colegas da Hointer
Nadia (centro) desenvolveu uma loja com provador automatizado
A tecnologia por trás disso envolve um piso para exibir as mercadorias e um estoque robotizado, controlado por um sistema central que se comunica com aplicativos de celular e tablet.
"É muito rápido e compacto, como uma lata de sardinha que pode rapidamente mover itens selecionados pelo consumidor."
Shouraboura acredita que esse tipo de inovação pode ajudar as redes varejistas a sobreviver à brutal concorrência online.
"Acho que a experiência (de comprar) online é ótima, mas a de loja pode ser ainda melhor porque você pode provar, tocar e sentir os produtos", diz ela. "E pode ser uma experiência mais barata, porque não há custos de frete."

Dos pés à cabeça

Agora, a questão do tamanho: um P em uma loja pode ser um M em outra.
Fits.me
O Fits.me oferece um serviço virtual de prova de roupas
Para lidar com isso, foi criada a Me-ality, uma cabine presente em mais de 20 shopping centers americanos que escaneia o cliente dos pés à cabeça e cria um perfil de seu corpo, que fica arquivado em uma conta pessoal online. O perfil, então, recomenda peças de roupa que melhor cabem no cliente.
A cabine usa um sistema de ondas milimétricas. Cada rotação da cabine leva cerca de 10 segundos, em que ondas liberadas rebatem na pele do consumidor.
"Isso nos dá 200 mil pontos de referência de seu corpo", diz Kathleen Funke, que trabalha no Me-ality. "Nosso software cruza essa informação com medidas de roupa e produz um relatório."
O sistema funciona com quase 200 marcas de roupa, e varejistas americanas começam a usá-lo para ajudar os clientes a identificar aquele par de jeans perfeito difícil de encontrar.
"O sucesso do varejo depende de ele se adaptar e integrar novas tecnologias, sob o risco de se marginalizar por conta das lojas online", diz Funke.

Provadores virtuais

Me-ality
O Me-ality é uma cabine que escaneia o usuário e cria um perfil do seu corpo
E para quem se incomoda em até mesmo entrar em um provador de roupas, o sistema Fits.me oferece um serviço virtual de prova, que permite que os clientes vejam como fica uma roupa em seu tipo de corpo sem ter que vesti-la.
Destinado principalmente para varejistas online, o serviço também está disponível via tablet em algumas lojas. A empresa também firmou contrato com um canal de compras na TV.
O sistema usa manequins robóticos conectados a um laptop e uma câmera e vestidos com os principais itens de cada varejista. Um banco de dados é formado com o máximo de informações possíveis sobre tamanhos e dimensões das roupas.
O usuário que procura, por exemplo, por uma camisa, pode colocar suas medidas no site ou aplicativo, e é apresentado com um avatar humano com um tipo físico semelhante. Daí ele "experimenta" diferentes tamanhos de roupa para ver o que fica melhor.
Fiona Graham

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Qual é o corpo brasileiro? A padronização das tabelas de medidas

Já é problema antigo do setor da confecção nacional - criar um padrão de tabela de medidas que deva ser seguido por todas as empresas de moda do país, afim de facilitar para o consumidor encontrar a peça do seu tamanho. Dada a diversidade do corpo do brasileiro, muitos desafios ainda estão por vir nessa padronização.

O Senai Cetiqt está realizando um estudo antropométrico da população brasileira, que deve ser concluído até meados de 2014. A ABNT já havia criado uma tabela para o público infantil e masculino, mas que não era majoritariamente seguida pelas empresas e, até o final deste ano, pretende terminar sua tabela padronizada para o feminino. Mas por enquanto nada foi definido, o que leva cada empresa a usar as tabelas que preferir, muitas vezes baseadas em medidas internacionais, que não servem para a nossa população.

A discussão foi também tema de documentário, Fora de Figurino - As medidas do jeitinho brasileiro, de Paulo Pélico.
Conversamos com Sheila Gies, que é MSc em Desenvolvimento de Produto de Vestuário e Ph.D. em Design de Moda e Cultura Material, ambos pela Manchester Metropolitan University,  Reino Unido, e professora associada à WelfenAkademie Braunschweig, Alemanha, sobre os desafios para se definir essa tabela.


Blog Tendere: Por que é tão difícil definir um padrão de medidas nacional?


Sheila Gies: Para se ter um padrão confiável de medidas nacional é necessário que se empreenda um processo meticuloso de medição, registro e análise de dimensões específicas do corpo de um número representativo de brasileiros, ou seja, o número de pessoas a serem medidas no processo deve ser considerado estatisticamente em proporção à nossa população total, que está em torno de 200 milhões, e as variáveis de sua concentração em áreas do nosso país, que possui dimensões continentais.

Para se ter uma ideia, no Reino Unido, o pioneiro a empreender esse tipo de pesquisa com escaneamento em grande escala, em 2001, teve uma amostragem de 11 mil voluntários  (da qual fiz parte), para uma população de aproximadamente 58 milhões  Se considerarmos para o Brasil os mesmos critérios usados no Reino Unido, podemos esperar uma amostragem de pelo menos 38 mil voluntários. Esse número, muito alto, pode ser comprometido por recursos operacionais financeiros ou mesmo técnico-científicos, já que as distâncias entre os locais onde a pesquisa é feita é ainda maior no Brasil.
Supondo que a amostragem seja representativa, definir um padrão implica em estabelecer uma uniformidade de acordo com critérios pré-estabelecidos. Estabelecer tais critérios é uma das facetas mais importantes, pois a variação física nacional é extensa, a distribuição das dimensões do corpo é bem particular. Temos estereótipos  mas não um padrão físico real reconhecidamente nacional. Além disso, padrões não são definitivos, podem mudar com o passar do tempo, de acordo com a nutrição ou estilo de vida, entre outros, e necessitam de atualização.
A distribuição geográfica da população no Brasil também pode dificultar, por ser complexa e não é estática. Além de aspectos diferenciais entre regiões que colaboram para as dimensões do corpo como clima, composição étnica predominante na miscigenação  estilo de vida, alimentação ou renda per capta, não se pode esquecer o fluxo migratório entre as regiões  Embora o processo seja complexo, tais dificuldades não devem impedir que o empreendimento seja feito, porque são estas também as principais características que demandam o levantamento antropométrico.
BT: Quais os principais fatores na hora de se pensar um padrão de medidas para o brasileiro?

SG: O escaneamento é feito em duas instâncias: de pé e sentado. Quando pensamos em escaneamento, pensamos em números que as medidas digitalizadas irão revelar. Medidas manuais também são tomadas, para incluir medidas não abrangidas pelo processo de digitalização  No caso do Reino Unido foram 130 medidas digitalizadas e 8-10 manuais (por ex. altura e peso, circunferência na cintura, quadril e tórax).

Além destes dados devem-se incluir informações qualitativas fundamentais e pertinentes a todo processo de levantamento antropométrico, como idade, gênero, região ou cidade onde a medição foi feita, tamanho percebido, dados pessoais, questões de vestuário, hábitos de compra e preferências, estilo de vida, incluindo saúde e prática de esportes, ocupação e emprego, grupo sócio-econômico. No Reino Unido incluiu-se o item “etnia”, que não considero pertinente no nosso caso porque a miscigenação é uma das nossas principais características.

Tendo a parte do processo de medição e registro das informações completos, vem a fase da análise de tais informações  Essa sim é fundamental porque, baseada nos dados, estabelecerá quais os dados que apresentam similaridade suficiente para serem definidos como grupo. É provável que os dados revelem dimensões bem particulares, porque nossa miscigenação é única. Pode ser que tenhamos de definir tamanhos pequeno/curto, pequeno/médio e pequeno/longo, o mesmo acontecendo com o tamanho médio e grande, o que já existe em outros países, mas é bem provável que com dimensões diferentes do que teremos em nosso país.
É uma pesquisa muito interessante e importante em vários aspectos. Conhecendo melhor nossos biotipos, no plural, certamente tornará o processo produtivo mais econômico e sustentável, com menos sobras para liquidação  além de melhorar a qualidade do caimento, conforto, aparência e facilitar a identificação do tamanho na hora da compra, fundamental em tempos de comércio virtual.

Vivian Berto
veja o post no blog.
Tendere - Pesquisa de Tendências e Consultoria em Moda, Beleza e Design

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Confecção em Nova Friburgo, RJ, Utiliza Lixo Têxtil para Reflorestamento

O objetivo do projeto é estimular a conscientização ambiental nas escolas.
Neste sábado (27) mais uma instituição de ensino adere ao cultivo de árvores

Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, é capital da moda íntima e cada vez mais, se torna local de confecções com boas ideias. A quantidade de lixo têxtil gerado por várias empresas friburguenses é constante e há quem saiba reutilizar esse material em ações voltadas para o meio ambiente. É o caso da confecção “Elas”, que ao invés de jogar no lixo os cones de linha e os restos de tecido de algodão, os reutiliza para cultivar mudas de árvores nativas da mata atlântica. O projeto chamado “Elas Preservando” já foi implantado em três escolas da cidade, onde as crianças aprendem a cuidar e a plantar as mudas de plantas.
Os alunos desta escola acompanham de perto o crescimento das mudas (Foto: Divulgação)Os alunos desta escola acompanham de perto o crescimento das mudas (Foto: Divulgação)
A microempresa surgiu em março de 2010, mas desde 2009 os proprietários Alex Sandro Santos e Adriana Maria dos Santos pensaram em dar utilidade para o que antes, era jogado fora. “Naquela época (2009) fazíamos facção de sutiã, ou seja, prestávamos o nosso serviço para uma confecção de grande porte da cidade. Cada par de bojo (material de espuma usado no sutiã para dar sustentação aos seios) vai dentro de uma sacola plástica onde consta o nome do fabricante e o tamanho do bojo”, contou Alex, que começou reaproveitando essas sacolinhas.
Em 2011, Alex e Adriana passaram a fabricar roupas de bebê e por não ter mais as sacolinhas do bojo, começaram a reaproveitar os cones de linha de costura industrial de sua própria fábrica e também de outras empresas. “Esse material é muito semelhante ao tubete de plantas e por ser feito de PVC, pode ser reaproveitado várias vezes, já que a muda é retirada deste plástico para ser introduzida no solo”, explicou Alex. Ele lembrou que o objetivo do projeto é expandir a área verde em Nova Friburgo, despertar o interesse do empresariado local no desenvolvimento de ações voltadas para a preservação ambiental e estimular os estudantes para um contato direto com o meio ambiente.
As mudas de plantas nativas da Mata Atlântica são cultivadas dentro dos cones de linha. (Foto: Divulgação)
As mudas de plantas nativas da Mata Atlântica são
cultivadas dentro dos cones de linha.
(Foto: Divulgação)
A ideia tem dado tão certo que a Escola Municipal Patrícia Jonas S'antanna, Centro Educacional Souza Poletti e Colégio Estadual José Martins da Costa já aderiram ao projeto e neste sábado (27), a Escola Parque Folly também vai ganhar mudas de plantas. Segundo Alex, o projeto vai auxiliar os professores na educação ambiental dos alunos, entre 6 e 14 anos, de forma simples e prática, onde os próprios alunos ficarão encarregados de cuidar das mudas até as mesmas atingirem a fase ideal para serem plantadas definitivamente.
Segundo Flávia Souza, diretora do Centro Educacional Souza Poletti, o projeto foi implantado na escola no ano passado e neste ano, vai receber novas mudas de plantas nativas na Mata Atlântica. “Nós achamos esse projeto muito interessante, pois nós já trabalhávamos com educação ambiental”, contou Flávia, que implantou em sua escola o projeto “Minha escola é verde”. As crianças que participam do projeto tem entre 1 e 10 anos e cultivam aproximadamente 70 mudas de pinheiro de araucária e palmito juçara.
“Está sendo muito bom pra gente. Antes nós tínhamos apenas a teoria e agora os alunos aprendem na prática, cuidando de uma muda de árvore. Eles cuidam com muito amor e carinho e já imaginam a árvore plantada num parque. A nossa disciplina de educação ambiental teve uma aceitação muito grande dos alunos, justamente por conta do projeto "Elas Preservando”, frisou Flávia que adotou, inclusive, uniformes ecológicos (50% pet e 50% algodão) para os professores e pretende expandir para os alunos.
Depois de cultivadas pelos alunos, as mudas se transformam em árvores para plantio definitivo (Foto: Divulgação)Depois de cultivadas pelos alunos, as mudas se transformam em árvores para plantio definitivo (Foto: Divulgação)
A confecção possui atualmente cinco mil cones de linhas vazios que estão disponíveis, além de retalhos de tecido de algodão que são utilizados para para tapar o orifício interno do cone de linha, para evitar que a terra caia. A ideia da empresa é expandir o projeto para outras escolas da cidade.
A confecção “Elas” foi a primeira empresa do ramo a receber um selo verde da ONG Ecolmeia, que mostra que a empresa é amiga da natureza, atraindo o cliente mais consciente. No que diz respeito à formação do aluno que participa do projeto, Alex acredita que o principal benefício é a conscientização ambiental, já que as crianças estão em contato direto com a natureza, compreendendo, desde cedo, que com atitudes simples e práticas podem contribuir para a preservação do meio ambiente.
“Poderíamos simplesmente comprar mudas de árvores de algum horto e plantá-las. Aí diríamos que já estamos fazendo a nossa parte. Certamente isso daria muito menos trabalho, mas não teríamos um projeto que tem como missão educar e fazer com que a nova geração cresça com a responsabilidade de cuidar da fauna e da flora”, frisou Alex, lembrando que não adianta plantar árvores hoje, se futuramente elas forem cortadas pro falta de conscientização.
As crianças cultivam as mudas até chegarem no tamanho de plantio definitivo (Foto: Divulgação) 
As crianças cultivam as mudas até chegarem no tamanho de plantio definitivo (Foto: Divulgação)
Segundo Alex, o próximo passo da empresa é levar (em parceria com a secretaria de educação de Nova Friburgo) o projeto para várias escolas municipais. “Também estamos buscando junto com a Prefeitura um local onde possamos montar um viveiro de mudas em maior proporção para que este espaço possa servir como base e receber as mudas cultivadas pelas escolas até serem plantadas em local definitivo. Imaginamos que o local ideal para isto seria o horto municipal onde já existem pessoas capacitadas para auxiliar nos cuidados das mudas. Pretendemos nos encontrar com o secretário de meio ambiente nos próximos dias para apresentar o projeto, criando uma área de conservação ambiental e gerando uma maior arrecadação de ICMS-Verde” frisou Alex.
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domingo, 21 de abril de 2013

Empresa vaca leiteira

Nos dias atuais tenho encontrado muitas empresas em que seus colaboradores querem fazer de suas corporações verdadeiras empresas vacas leiteiras.Afirmo isso porque não há gestões corporativas por parte de seus empreendedores.Por serem qualificados para cobrarem seus colaboradores a altura do que realmente eles precisam ser cobrados.Por isso estes funcionários vão literalmente "empurrando com a barriga" as suas pseudos tarefas  vão deixando muito a desejar no desempenho daquilo que foi remunerado para desempenhar.O mais chato de tudo isso,é que não querem mais ficaram nas empresas e sabem que algumas destas corporações não querem ter o custo da demissão e fazem de tudo para que estes colaboradores peçam demissões.Como não acontece por parte da empresa o desligamento destes funcionários.Vão como disse anteriormente, com outras palavras, "empurrando com a barriga"fazendo desta empresa uma verdadeira vaca leiteira".Aonde todos querem mamar na teta da vaca.E com isso geram um desgaste tremendo para quem está de frente da gestão.Normalmente gestores qualificados vindo do mercado.Erros consideráveis por parte destes colaboradores, ô não comprometimento para com a empresa e ausências consideráveis.Um profissional satisfeito faz com que aumente a rentabilidade de forma positiva para as corporações.Visto que o maior ativo em uma empresa são seus funcionários.Então é hora de despertarmos para uma nova visão de gestão,aquela que é holística e precisa ser revista urgentemente.Outro dia um amigo do segmento disse-me que se não fizeram o exercício do dia a dia ficaram reprovados.E olha que as doses são homeopáticas.Imagina se formos aplicar  a liderança chicote,não deu produção,não cumpriu suas tarefas de forma assertiva é advertência e depois suspensão.Mas já foi tempo deste tipo de liderança.Hoje em dia este forma já não mais cabe espaço,porque gera um stresse e um desgaste sub humano.

-Técnico especializado em Confecção de Roupas em processos industriais pelo SENAI/Cetiqt.
-Bacharel em Administração de Empresas com foco em produção e negócios de Moda pelo SENAI/Cetiqt, sendo considerado o melhor aluno.
-Pós graduando em Logística Empresarial pelo Funcefet.
-Correio eletrônico: luizrsaraiva@gmail.com/luizrobertoxhonestidade@yahoo.com.br
Tel.(s): (0xx5521)9161-1169/8509-4175


terça-feira, 9 de abril de 2013

Como Blogueiras Fazem da Moda um Negócio Lucrativo

Elas faturam até 100.000 reais divulgando modelitos, comentando produtos de beleza e comparecendo a eventos — sempre em combinação com as marcas

Thássia Naves recebe mais de 100.000 visitas diariamente em seu blog. No Instagram, ela possui quase 500.000 seguidores
Thássia Naves recebe mais de 100.000 visitas diariamente em seu blog. No Instagram, ela possui quase 500.000 seguidores (Reprodução/Instagram)
Elas estão na faixa dos vinte e poucos anos, adoram comprar roupas e itens de beleza e também palpitar em seus blogs sobre as combinações mais adequadas para cada ocasião. Além disso, descobriram como a publicidade pode virar um negócio rentável se aliada ao conteúdo de seus sites. Promovendo marcas, experimentando modelitos, comparecendo a eventos e testando produtos de beleza, essas garotas faturam até 100.000 reais por mês. Elas não são jornalistas ou críticas de moda, que se dedicam à análise do assunto como um fenômeno cultural. São, na verdade, consumidoras influentes, que levam as novidades do mercado a uma audiência cativa de meninas da mesma idade, igualmente apaixonadas pelo assunto. "Queridas: esta bolsa é um luxoooooo!", eis uma publicação verossímil das jovens blogueiras.
O modelo de negócio dos blogs é baseado na venda de espaço publicitário: o texto, foto ou vídeo publicado dá destaque ao produto de uma marca, que remunera a autora. Esse, contudo, nem sempre é um casamento perfeito. No ano passado, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) advertiu um grupo de blogueiras que não deixava claro que suas postagens tinham esse caráter. Era gato por lebre.
Para evitar o problema, as blogueiras agora explicitam quais postagens rendem dinheiro. Assim, são comuns publicações acompanhadas pelas palavras "publipost" (ou seja, post publicitário) e até "jabá" (redução da palavra "jabaculê", que tanto pode signficar dinheiro para aliciar alguém quanto gorjeta). Em tese, cada uma das garotas promove marcas com as quais se identifica. "Como nesse tipo de trabalho cria-se um envolvimento entre a marca e a blogueira, cada parceria é analisada previamente pela autora do blog", diz Carol Quinteiro, sócia da F*Hits, rede do segmento de moda que reúne 24 blogueiras. "É importante que haja alguma identidade entre a marca e o caráter do blog." 
Arte/VEJA
A maioria dos blogs considerados "top" pelos anunciantes — aqueles que reúnem boa audiência e relevância — tem ao menos três anos de vida e não nasceu com proposta comercial. O sucesso desses endereços logo atraiu as empresas. As garotas, que começaram sozinhas, passaram a contar com a ajuda de consultorias, que fazem quase de tudo: ajudam a incrementar os blogs, revisam textos e editam fotos, além de mediar a relação entre blogueiras e anunciantes. Os acordos variam de 10% (caso da gCampaner, consultoria fundada por Gabriel Campaner, ex-Daslu) a 50% (caso da F*Hits).
A atenção despertada pelos blogs se apoia em números nacionais. O mercado brasileiro de moda movimentou mais de 100 bilhões de reais em 2012, segundo relatório do Ibope. Na internet, beleza e moda já figuram em segundo e terceiro lugar, respectivamente, como os segmentos que mais faturam, de acordo com o relatório WebShoppers, da e-bit, consultoria especializada em e-commerce. Consequentemente, a marcação #lookdodia, hashtag utilizada no Instagram para identificar as sugestões das blogueiras, ganha relevância — e valor publicitário. Entre a exposição de uma peça e a sua venda o caminho virtual é curto. E a influência das blogueiras é crucial nessa conversão.
Augusto Mariotti, diretor de conteúdo da Luminosidade, responsável pelos sites da São Paulo Fashion Week, Fashion Rio e Rio Summer, lembra que o desempenho dos blogs (assim como dos demais sites) é facilmente mensurável, o que permite às grifes acompanhar em tempo real a resposta a uma campanha. "Essas blogueiras têm muitas seguidoras e acabaram se tornando porta-vozes dessas mulheres. As marcas simplesmente perceberam que as roupas exibidas por elas vendem mais", diz o empresário.
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Quem olha de fora pode pensar que a vida das blogueiras é repleta de diversão e glamour. Isso é verdade apenas em parte. Elas recebem muitos produtos de beleza, roupas exclusivas e jantares em restaurantes caros, além de acompanharem de perto (às vezes) as semanas de moda em locais como Nova York, Londres, Milão e Paris. A entrada nos desfiles mais concorridos, contudo, não é garantida. "As blogueiras trabalham muito. Elas dormem poucas horas por noite, acordam cedo, fotografam e precisam produzir conteúdo periodicamente", diz Carol Quinteiro, da F*Hits. "Essas meninas não são jornalistas e nem têm pretensão de ser. Mas seus blogs passaram a fazer sentido na vida de milhares de pessoas."
Entre os anunciantes mais empolgados com a onda dos blogs de moda estão lojas virtuais, produtos de beleza, sapatos, joalherias, marcas de roupas e até companhias aéreas. As grifes mais badaladas, no entanto, ainda olham a web com ceticismo. "As marcas de luxo não são entusiastas do e-commerce, já que querem oferecer aos clientes uma experiência única em suas lojas a partir do contato direto com o produto", diz Mariotti. A maré, contudo, pode mudar. "A fim de atingir um público mais jovens, grifes como a britânica Burberry já começaram a olhar a internet e as redes sociais com mais atenção."
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domingo, 7 de abril de 2013

A jogada mais ousada de Ronaldo, o dono da bola no país

Como o ex-craque se tornou a figura mais influente do futebol brasileiro - e como ele encara o risco de arranhar sua imagem na Copa do Mundo de 2014.

Ronaldo no anúncio das sedes da Copa das Confederações de 2012, no Museu do Futebol, em São Paulo
Ronaldo no anúncio das sedes da Copa das Confederações de 2012, no Museu do Futebol, em São Paulo - Paulo Whitaker/Reuters
O apelido que acompanhou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo em sua trajetória como jogador é perfeito para descrever Ronaldo Luís Nazário de Lima, de 36 anos, em sua nova carreira. Afinal, o que o ex-craque conseguiu realizar em apenas dois anos, desde que pendurou as chuteiras, é simplesmente fenomenal. São poucos os ex-atletas de primeiro escalão que conseguem repetir em sua nova profissão o sucesso conquistado nos campos, pistas ou quadras. Mais raros ainda são os que superam rapidamente o trauma da aposentadoria precoce e encontram um novo rumo sem muita hesitação.
Ronaldo foi além: hoje, é a figura mais influente do futebol brasileiro, o homem-forte do Mundial de 2014 e um provável candidato à presidência da CBF ou do Comitê Organizador Local (COL) da Copa. Graças ao seu carisma, popularidade e uma surpreendente habilidade para farejar bons negócios, Ronaldo arrebanhou clientes de peso, ampliou sua rede de contatos e acumulou poder. É sócio de uma das principais agências de marketing esportivo do país, a 9ine. Com bom trânsito entre políticos das mais variadas vertentes, é um dos garotos-propaganda das ações do governo federal para o Mundial. No comitê da Copa, é o rosto mais conhecido e o interlocutor preferido de Joseph Blatter e Jérôme Valcke.
Por fim, desde a semana passada, encabeça o time de comentaristas da TV Globo, parceira da Fifa na promoção do evento - foi escalado para estrelar as transmissões da Copa das Confederações deste ano e, claro, do Mundial do ano que vem. Desde que acertou seu contrato com a emissora, Ronaldo vem sendo criticado por outros comentaristas - agora seus colegas de profissão - em função da tentativa de conciliar atividades aparentemente conflitantes (e da resistência em abrir mão de qualquer uma delas). Ele usará o microfone mais poderoso do país para criticar seus próprios parceiros comerciais, como Neymar? Caso o Mundial seja um fiasco, ele será capaz de afirmar, ao vivo na tela da Globo, que o comitê organizador que ele próprio integra fracassou?
Como se todos esses compromissos profissionais não fossem o bastante para preencher sua agenda, Ronaldo dará início a mais um projeto pessoal na terça-feira, quando embarca para uma temporada em Londres. Na capital britânica, será, acredite, estagiário. Vai afiar seu inglês (que hoje afirma ser "medíocre") e ganhar experiência numa das mais prestigiosas agências de publicidade do mundo, a WPP, cria de Martin Sorell, sócio minoritário da 9ine e CEO de um grupo cujo faturamento anual chega a 140 bilhões de reais. Ronaldo promete passar pelo menos uma semana por mês no Brasil. Sua ponte aérea até 2014 será entre Londres e o Rio de Janeiro, com eventuais passagens por São Paulo, onde fica a sede da 9ine. A experiência londrina pode ser encurtada se a imagem de José Maria Marin, o enrolado presidente da CBF e do COL, continuar se desgastando
Acredita-se que Ronaldo seria o nome preferido do governo e da Fifa para assumir a presidência do comitê organizador na esteira de uma eventual queda de Marin. É como se, caso ainda fosse atleta, o Fenômeno pudesse jogar como atacante, acumular o cargo de técnico, treinar para ser goleiro e ainda dirigir o ônibus da equipe. Esse acúmulo de cargos e funções fora dos gramados, com amplo terreno para prováveis choques de interesses e campo fértil para insinuações e suspeitas, é o grande desafio do ex-craque - e certamente a jogada mais ousada e arriscada de sua vida. Ao assumir o papel de "dono da Copa" na reta final dos preparativos para a competição - um evento que, como se sabe, está longe de ser um modelo de organização até agora -, o artilheiro coloca em risco uma reputação construída ao longo de duas décadas de muito suor e superação dentro de campo. Admirado por brasileiros de todas as faixas etárias e classes sociais, Ronaldo já passou relativamente incólume por muitos constrangimentos e trapalhadas. O país parece ter uma generosa dose de tolerância com um ídolo que viu crescer, brilhar e se reerguer depois de incontáveis tombos. Para o torcedor, Ronaldo é um bom sujeito, mas que comete suas burradas, como qualquer um. Desta vez, no entanto, as consequências de suas ações não serão refletidas apenas nele próprio, mas também no país. Ele é rosto do Mundial no Brasil e no exterior. Agora, um erro de avaliação ou desvio de conduta pode deixar cicatrizes muito mais profundas em sua imagem.
Um dos últimos superastros do esporte no Brasil, Ronaldo tem pouquíssimo a ganhar e muito a perder com seu envolvimento com a Copa do Mundo de 2014. O dinheiro, por exemplo, há muito deixou de ser uma prioridade. O patrimônio acumulado durante a carreira de jogador, estimado em um bilhão de reais, é a garantia de uma vida de conforto e luxo aos seus quatro filhos (Ronald, Maria Sofia, Maria Alice e Alex) e gerações de futuros descendentes. Conservador em seus investimentos - nesta semana, revelou que poupa 80% de tudo o que ganhou e investe apenas 20% na 9ine e em outros negócios -, Ronaldo lembra que está "com a vida ganha" e que, portanto, não precisa usar sua influência em benefício financeiro próprio. De fato, é difícil imaginar que o ex-craque recorreria a expedientes nebulosos para conseguir um novo cliente ou fechar um novo contrato - simplesmente porque ele não precisa de dinheiro e nunca foi um sujeito ganancioso. Como qualquer superatleta, porém, Ronaldo tem um temperamento muito competitivo e sente prazer em vencer desafios. É justamente assim que ele encara a condução dos negócios da 9ine.
O trabalho na agência foi tão satisfatório para Ronaldo que a traumática aposentadoria como jogador, anunciada em 2011, foi superada num prazo relativamente curto. A empresa, portanto, precisa seguir crescendo para manter o principal sócio sorrindo. E as oportunidades de negócio apresentadas pela Copa são intermináveis e tentadoras. Uma das primeiras suspeitas em torno da atuação de Ronaldo nos bastidores da organização do evento foi a vitória da Marfinite na disputa para fornecer as cadeiras da Arena Fonte Nova, estádio erguido com dinheiro público, em Salvador. A empresa foi escolhida mesmo não tendo a certificação obrigatória do Inmetro, responsável pelas normas técnicas que devem ser seguidas no país. Meses antes, a empresa havia fechado um contrato com a 9ine - com participação direta do ex-craque nas negociações. Ronaldo negou ter influenciado na escolha da Marfinite pelos baianos. Os clientes de Ronaldo deverão fabricar os assentos de mais um estádio do Mundial: o Itaquerão, futura casa do Corinthians, último clube da carreira do jogador. Andrés Sanchez, ex-presidente corintiano que virou amigo e grande aliado do ex-craque, é o principal responsável pela condução da obra.