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sábado, 12 de novembro de 2011

Osklen Negocia para Ganhar Escala Global



Anna Carolina Negri/ Valor/Anna Carolina Negri/ Valor
"Estou negociando com o grupo PPR, a Louis Vuitton, a Marvin Traub e a Alpargatas ", diz Oskar Metsavath, da Osklen

Enquanto aumenta o número de grifes estrangeiras de luxo abrindo lojas no Brasil, o empresário e designer Oskar Metsavath, dono da Osklen, já tem traçada a sua estratégia: "Eu quero ganhar escala. Estou negociando com o grupo PPR, a Louis Vuitton, a Marvin Traub e a Alpargatas ".
O grupo francês Pinault-Printemps-Redoute (PPR), dono de marcas de luxo como Gucci e Yves Saint Laurent, comprou nesta semana a fabricante italiana de moda masculina Brioni, seguindo o plano de focar em marcas de luxo e afastar-se das operações de varejo. A Louis Vuitton faz parte do conglomerado LVMH e já anunciou que vai acelerar sua expansão no Brasil. A consultoria americana Marvin Traub trabalha com grifes de alto padrão e varejistas. E a Alpargatas conseguiu ter sua sandália de borracha Havaianas reconhecida no exterior e no Brasil.
Metsavah disse, ontem ao Valor, que seu plano é negociar uma fatia majoritária da Osklen. Ele continuaria na empresa, cuidando do design, do estilo da marca. "Eles querem isso", disse. A grife de moda tem 63 lojas no Brasil e 10 no exterior - a 11ª será aberta em cerca de 20 dias em Buenos Aires, Argentina, onde a economia deve crescer 7% neste ano.
O empresário observa que o ambiente econômico nos mercados mais maduros como Europa e Estados Unidos não é dos melhores. Mas "para criar demanda pelo seu produto, você precisa ter o seu estilo reconhecido. É isso o que estou fazendo com as lojas", diz Metsavah, que ontem participou de um seminário sobre o mercado de luxo em São Paulo, organizado pelo jornal inglês "International Herald Tribune" e comandado pela sua editora de moda Suzy Menkes.
Metsavah gostou quando ouviu o publicitário Nizan Guanaes, do grupo ABC, dizer, em sua palestra, que o Brasil não quer ser percebido como um mercado emergente, mas como um estilo emergente.
É justamente com uma moda de estilo próprio, e não cópias do que se vê nas passarelas de Nova York ou Paris, que Metsavah pretende chamar a atenção do consumidor interessado em produtos de luxo. Competir com grifes estrangeiras em solo brasileiro vai ficar cada vez mais difícil. "Num primeiro momento, as grifes nacionais vão sofrer. Quem copia a moda lá de fora, vai perder [clientes]. Num segundo momento, quem tiver um estilo genuíno vai ser beneficiado", diz o dono da Osklen. "O brasileiro gosta de comprar no exterior e vai começar a perceber que pode comprar aqui também."
Kenneth Wyse, presidente da Phillips-Van Heusen, a empresa por trás das marcas Calvin KLein e Tommy Hilfiger, mostrava-se animado ontem com o potencial do mercado brasileiro: "Fazer negócios aqui é complexo, mas fascinante". Fazia 25 anos que Wyse não pisava no Brasil, agora virá com mais frequência.
"Estamos comprando nossas licenças de volta no Brasil. Vamos operar diretamente", disse o executivo ao Valor. "Nosso plano é expandir no Brasil, abrir lojas, e vamos fazer isso em breve", afirmou Wyse, que comanda uma empresa de faturamento anual de US$ 5,5 bilhões e lucro operacional de US$ 740 milhões. Em sua palestra, Wyse deu um conselho a designers brasileiros que querem crescer globalmente: "Procurem um parceiro, licenciem a distribuição."
A estilista Carolina Herrera, cuja marca lidera a lista das fragrâncias mais vendidas na América Latina - com exceção do México, onde perde para a grife Chanel- teceu ontem elogios rasgados à espanhola Puig, que desenvolve e produz seus perfumes. "Há 25 anos fui a Barcelona, na Puig, para selecionar fragrâncias. Senti tantos aromas que, no fim do dia, desmaiei", disse Carolina, fazendo a plateia cair na risada.
Marc Puig, CEO da Puig, fundada por seu avô António em 1914, contou que a sociedade fechada com Carolina Herrera desde 1995 permitiu desenvolver a rede de lojas da estilista - são 70, sendo 20 na América Latina e uma em São Paulo. "Trabalhando moda e perfumaria juntos, as vendas cresceram", disse Puig, que fatura € 1,2 bilhão por ano. Ele também está animado com o Brasil. Em sua opinião, "políticas ortodoxas usadas por Lula e seu antecessor ajudaram a criar uma classe média forte." O mesmo, observou, está sendo feito no Peru.


terça-feira, 27 de abril de 2010

Bastidores de uma fábrica de moda


Traduzir o impacto e a renovação que surgiram com o incêndio que quase destruiu todo o centro nervoso da Osklen em fevereiro é desafio da equipe de criação da grife para a próxima estação. "Vamos fazer outro estúdio ainda melhor. Estou até feliz. Sabe a coragem que a gente não tem às vezes de jogar tudo fora e dar uma virada? Foi isso que aconteceu", refletia Oskar enquanto mostrava ao Estado o que restou do segundo andar de sua fábrica em São Cristóvão.


Para esta nova fase, além de reconstruir a estrutura anterior, o diretor de criação pretende erguer um novo estúdio de fotografia no local. "Crio sempre o conceito das campanhas e depois discuto com os fotógrafos que clicam os looks. Sou muito imagético e, em geral, penso uma imagem antes de criar a coleção." Para o inverno 2011, fotos tiradas da destruição causada pelas chamas serão a principal referência. "Já posso ver os ilhoses derretidos, as cores se misturando com o fogo... Tudo traduzido para as peças novas."

O método de criação do estilista é instintivo e por vezes complexo. Do nome à grande gama de áreas de atuação, nada segue uma linha linear em seu pensamento. Mistura do nome de Oskar com o de seu irmão Leonardo, a Osklen é, sem trocadilhos, um rótulo difícil de ser definido. Marca carioca? Moda surf, praia, esporte chique? "Penso a Osklen também como engajamento com o desenvolvimento sustentável, design, com a brasilidade sofisticada, com o que chamo de novo luxo. Não é fácil entender nosso trabalho de início. Ainda mais porque mudamos sempre", comenta.

Para entender essa "filosofia", é preciso compreender que a grife tem como seu diretor de criação e estilo um médico especializado em fisiologia do esporte, que também dirige vídeos e documentários. Não por acaso, o ateliê abriga de pranchas de surf a uma mesa de edição de imagens de última geração e ainda possui um estúdio de pintura (de Ana Amélia Metsavaht, irmã de Oskar e criadora das estampas da marca). "É esse o espírito. Está tudo ligado e sobreposto. Aqui criamos desde o conceito da coleção até as fotos da campanha, passando pela costura e edição dos vídeos", explica ele, enquanto supervisiona um cardigã masculino de tricô resinado com ares de motociclista romântico.

A peça faz parte do outono/inverno 2010 e está pronta para chegar à loja. Inspirada no Trópico de Capricórnio, a coleção traz a urbanidade de São Paulo, por onde passa a linha imaginária, em conceitos de volume, ângulos retos e estruturas rígidas, porém confortáveis. Tricô revisado, é a hora dos casaco de feltro, a peça-síntese desta coleção. "Pensei no feltro ao lembrar da estrutura dos casacos dos soldados alemães que guardavam o Muro de Berlim. E em vez da lã, o tecido surgiu naturalmente. Como o material é rígido, foi só me cobrir com um pedaço dele para ver os ângulos que imaginei ganharem forma."

Tricôs e feltro já estão nas lojas. E este é o momento de definir as peças da coleção primavera/verão 2011 que será apresentada em junho na São Paulo Fashion Week. O tema é o fundo do mar e pode-se adiantar que muito azul e verde vêm por aí. Durante o percurso pelo ateliê, a assistente do estilista pede ajuda. Não sabe onde aplicar um barroco peixe "meio carpa marinha" em uma camisa branca de algodão. "Aplique no alto das costas. Acho que fica mais estiloso se for bordado e bem coloridão, não?"

De São Paulo para o fundo do mar, passando pelos paetês do carnaval, pelo samba e pelos "guardiães da amazônia", os temas que inspiram diretor de criação e equipe são múltiplos como a marca. Oskar, por exemplo, que exerceu a profissão de médico, é videomaker, surfista, ativista social e ecológico e acumula até o título de cônsul. Na entrada do "complexo" em São Cristóvão, está lá a placa: Consulado da Estônia no Brasil. "Foi por acaso. Minha família é de origem estoniana e pesquisei sobre a cultura e o meu sobrenome - que quer dizer "guardião da floresta". Acabei cônsul honorário no Brasil."

Foi também por acaso que ele criou a grife. Em 1986, não encontrou no Brasil um casaco de frio adequado para a expedição que faria ao monte Aconcágua, nos Andes, e acabou desenvolvendo seu próprio uniforme. "Como era alpinista e especialista em ergonomia, juntei as duas paixões e passei a desenvolver e vender minhas peças em Búzios. Nunca pensei que fosse resultar em dezenas de lojas, nem que um dia alguém classificaria esse trabalho de arte."

Arte da moda. Para Oskar, arte e moda caminham juntas. "Ambas são formas de expressão, mas o meio é diferente. Posso buscar inspiração na arte para fazer minha moda e, assim, despertar o interesse no público."

Prova de que ele acredita no que diz é a apresentação que fará quinta-feira na Casa França Brasil. "Mostraremos a coleção Trópico de Capricórnio e discutiremos como ela se relaciona com a arquitetura e a arte de São Paulo. Vamos exibir vídeos do desfile, fotos da campanha, mostrar a trilha sonora e debater como todos esses elementos chegam às lojas agora na forma de produto final. Por meio dessa exposição, queremos comunicar e traduzir nosso trabalho de uma maneira não convencional e mais aprofundada do que é possível em 15 minutos de desfile na Fashion Week."

Mais arte por vir? "Adorei a ideia de expor uma coleção e quero fazer outras. Também estou preparando um livro de fotografias, o Ipanema, que deve ser publicado no fim do ano."



QUEM É

OSKAR METSAVAHT
MÉDICO E ESTILISTA

CV: Nascido em 1961 em Caxias do Sul (RS), estudou medicina no Rio de Janeiro. Transitando entre áreas como moda, audiovisual, design mobiliário, é diretor de criação da própria marca, Osklen. Costuma pesquisar novos materiais na Amazônia e surfar em Ipanema, no Rio.

Fonte:estadao.com.br/estadaodehoje