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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Desempregado", José Alencar quer procurar emprego ao receber alta

Em entrevista exclusiva para o Abril.com, ex-vice-presidente fala sobre os planos profissionais para 2011 e da paixão pela política

Hospitalizado desde o dia 22 de dezembro para o tratamento de um câncer na região abdominal, o ex-vice-presidente José Alencar já tem planos para quando deixar as instalações do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Com o quadro clínico estável, o político parece se manter otimista com a perspectiva de receber alta, ainda que não haja previsão para a chegada deste dia.

Em entrevista exclusiva para o Abril.com, o político afirmou que após o aval médico irá procurar emprego. “Só posso dizer que vou trabalhar. Agora tenho que ver qual ocupação vou encontrar”. Desempregado, como ele mesmo se classifica, Alencar não pretende passar muito tempo longe da vida pública. “Penso em me candidatar nas próximas eleições, quando estarei com 83 anos”.

O político não revela o cargo de seu interesse. Mas nas “três ou quatro eleições” que ainda deseja disputar as possibilidades a se cogitar são muitas, incluindo como ministro, atuação que já consta em seu currículo. “Em 2004 o ex-presidente Lula me convidou para assumir o Ministério da Defesa por alguns dias e acabei ficando dois anos".

Devoção pelo trabalho

O fôlego para trabalhar começou cedo. Aos sete anos José Alencar já trabalhava – ou atrapalhava –, como gosta de dizer, na loja da família. Mas, a paixão do jovem, que se emancipou aos 18 anos e deu início a um império têxtil a partir de 15 mil cruzeiros emprestados pelo irmão, é mesmo a política.

“Como político eu me realizo de muitas maneiras”, conta. “Não ingressei na política para me servir dela. Tenho retorno, mas não material”. A retribuição, segundo ele, vem das formas mais sutis, como os pedidos de entrevista que lhe lisonjeiam e as centenas de correspondências que recebe e tenta ler uma a uma. “O apreço que as pessoas têm por mim traz compensação e não tem preço”.

Votos para 2011

Apesar de constar em sua lista de desejos para 2011, por recomendação médica o ex-vice-presidente não esteve presente na posse da presidente Dilma Roussef. “Nunca estive em uma comemoração de posse, por coincidência estava sempre internado ou no centro cirúrgico. A comemoração ficava sempre para depois”, diz.

E, segundo Alencar, o resultado das eleições de 2010, é merecedor de comemoração. “Sei que ela (Dilma) fará um grande governo. Aposto nisso porque a conheço e sei que ela tem compromisso com o Brasil”. A fé é tamanha na nova chefe de Estado brasileira que o presidente de honra do Partido Republicano Brasileiro confessa ter incluído os votos de sucesso da presidente à frente do maior país da America Latina em sua lista de desejos para 2011.

Mas, já avisa que não vai ficar apenas olhando. “Quero trabalhar para ajudá-la a fazer nossa economia crescer, independentemente da função que eu venha a ocupar”. Ao ser perguntado para onde irá encaminhar seu currículo Alencar não se faz de rogado “acho que meu currículo já é bem conhecido por aí”.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

José Alencar - O braço-direito

Avalista de Lula quando ele ainda tinha a desconfiança do setor produtivo, o vice José Alencar foi o elo com o setor privado e a verdadeira "consciência" do governo.

José Alencar Gomes da Silva entrou para a história política do Brasil como aquele que deveria calar, mas preferiu falar, e, na maioria das vezes, para apontar os erros do Palácio do Planalto.

Crítico número 1 da política de juros altos do governo, o vice-presidente foi o fator de equilíbrio de uma gestão que conseguiu agradar tanto ao setor financeiro quanto às camadas mais pobres.

 
"Se eu tivesse conhecido o Zé Alencar antes, não teria perdido tantas eleições"

Lula, sobre a importância de seu vice

Alencar assumiu a Presidência durante 477 dias, o bastante para se tornar o vice que mais governou o País – durante um sexto do mandato de Lula –, mas as maiores contribuições do empresário ao governo passaram longe da assinatura de decretos durante viagens presidenciais.

Fundador em 1967 da Coteminas, hoje uma das maiores empresas do setor têxtil do País, com unidades no Brasil e no Exterior, Alencar também havia sido presidente da Federação de Indústrias de Minas Gerais e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria.

Foi essa conexão com o setor produtivo que ele levou para perto de Lula. “Não conseguíamos enxergar que o Lula seria capaz de fazer um governo como esse que ele fez. Foi o Alencar que nos fez ver isso”, lembra Fuad Mattar, presidente da Paramount Têxteis.

O presidente assina embaixo. “Se eu tivesse conhecido o Zé Alencar antes, quem sabe não teria perdido tantas eleições”, disse Lula durante discurso de homenagem a Alencar, no fim de 2009.

O papel de avalista de Lula no setor produtivo – e de representante do setor no governo – ganhava força cada vez que o vice-presidente criticava a política econômica. Era uma espécie de “consciência” do presidente.

No fim de 2005, disse que o discurso de crescimento e desenvolvimento que ajudara a vencer a eleição em 2002 não fora posto em prática e criticou a política de austeridade realizada pelo então ministro da Fazenda António Palocci.

O vice ecoava a insatisfação dos empresários e cobrava crescimento para a economia. Em março de 2009, voltou a atacar: “A situação relativamente boa da economia brasileira é apesar da política econômica praticada, não é por causa dela.”

Também criticou a autonomia do Banco Central, qualificada por ele como “balela”, mas sempre manteve uma convivência amigável com o presidente do BC, Henrique Meirelles. O olhar crítico não perdeu a força nem durante o segundo mandato, quando o vice lutou contra um câncer no abdômen que lhe valeu internações e várias cirurgias.

No primeiro mandato, passou 15 meses à frente do Ministério da Defesa e pediu para sair quando a relação com o presidente ficou tensa. Não foi a primeira opção de Lula para vice na reeleição, e cogitou sair ele próprio candidato à Pre-sidência.

Mas a dupla foi reeditada e, de tão bem-sucedida, a relação se transformou em amizade. “Duvido que no mundo alguém tenha encontrado um vice-presidente da magnitude do companheiro José Alencar. Para mim é mais que um irmão, é um companheiro em quem eu tive a mais absoluta confiança”, disse.

FONTE: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/45357_O+BRACODIREITO