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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O homem sob a luz e sombras do empreendedorismo


O atendimento às suas próprias necessidades fez com que o homem desenvolvesse meios de troca.

Ao observar vantagens no escambo, do que lhe excedia por aquilo que precisava, empenhou-se na produção de uma quantidade maior ainda, aumentado sua capacidade de troca.

Entendendo que era possível expandir os negócios empreendeu viagens.

Essa é a lógica que o mantém ativo.

A complexidade do controle das operações fez com que desenvolvesse métodos de avaliação, as quais utiliza e descarta com enorme frequência.

Nenhum gestor ou estudioso da área de administração seria capaz de inventariar a variedade de métodos que foram criados sem dificuldades.

Pouco provável que um empreendedor possa dizer quais foram implantados em sua empresa e rapidamente esquecidos.

As organizações, de modo geral, demonstram enorme fragilidade no quesito controle.

Nós, brasileiros, que vivemos nefastos períodos inflacionários, sonhávamos com a queda significativa da inflação para que nossos controles de custos pudessem ser aprimorados. O fato é que hoje vivemos com índices substancialmente menores e os debates sobre os métodos, sistemas e controles dos custos evaporaram.

O comprometimento com o uso e melhoria desse item nos sistemas de gestão integrados, ERP (Enterprise Resource Planning), caiu de modo geral, e o uso de planilhas eletrônicas têm sido a tônica.

É interessante que o anúncio de oportunidades de contratação não solicita candidatos com “profundos conhecimentos de gestão e domínio de planilhas eletrônicas”, mas pessoas com conhecimentos na área e profundos conhecimentos das planilhas.

Estamos substituindo o planejamento pelo planilhamento.

A análise tem sido negligenciada por conta da complexidade no desenvolvimento da tarefa.

A beleza do processo, para quem está envolvido, não é atender as necessidades com valores numéricos significativos, mas agilizar a obtenção de dados.

Onde está o lado empreendedor nesse caso?

No desenvolvimento de soluções complexas, exercitando a inteligência, superando as dificuldades de processamento.

Onde está a fragilidade?

O gestor que recebe os relatórios quando questiona discrepâncias tem como resposta que esses são os resultados das fórmulas, como se estas fossem a panacéia.

A brutal dificuldade para se obter relatórios no passado  foi substituída pela facilidade de geração de dados instantâneos.

Isso pos fim ao conceito e função do analista.

Hoje podemos ser operadores, analistas e decisores.

O que observo é que operamos apressadamente, pouco analisamos e decidimos com grande fragilidade.

Dados não são informações.

Em gestão, a luz do empreendedorismo muitas vezes se encontra apagada.

A secretária que controla o caixa, sem conhecimento de operações bancárias, toma onerosas decisões de empréstimos.

O iniciante que tem sob seus ombros a responsabilidade do PCP deixa máquinas paradas porque não tem conhecimento da complexidade das operações e poder de decisão para comprar uma simples peça que custa alguns poucos reais.

Analisando a cobertura de mercado nos deparamos com a seguinte situação:

Maria, responsável pelo acompanhamento da carteira de clientes, informou ao seu gerente que o cliente  João, naquele mês, também não faria reposição.

O gerente, chateado, apenas murmurou: - De novo!

Pedimos o telefone para fazer contato com João. Nossas chances de obter algo novo eram maiores do que se alguém da empresa fizesse o contato.

Não havia mistério a ser descoberto. João estava aborrecido com o baixo giro dos produtos que havia comprado e ainda estava com algumas peças com defeito, cuja troca prometida não ocorrera.

Depois de algumas ligações do gerente para sua equipe de administração de vendas e para o representante comercial, chegamos à conclusão que todos sabiam do problema. A informalidade prevalecera e o fato não fora registrado.

A informação se foi e com ela o cliente.

A luz do empreendedorismo o conquistara, sua sombra o perdera.


Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
Fones (11) 4526 1197 / (11) 9645 4652
Twitter: @ivanpostigo

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Fibras naturais são apelo na criação das melhores lingeries


A Fruto do Pano já está colocando 17 mil peças da coleção 2011 nas estantes das lojas. São quase 3 mil a mais que o volume da coleção de inverno. Para a confecção, que nasceu dos sonhos de Beatriz Campos, então uma jovem estudante de moda, esse é um marco importante, uma vez que as vendas são concentradas em lojas especializadas, fora das grandes redes e grandes magazines.

A história dessa pequena confecção, hoje conhecida em vários Estados como sinônimo de lingerie bem modelada em tecidos planos (algodão, principalmente), começou ainda no curso de moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Florianópolis. Beatriz tinha ideias e queria levar suas criações ao mercado.

Logo após ter-se formado, fez um curso de lingerie, no Senac de SP, que apenas consolidou a ideia e definiu o segmento onde pretendia atuar.

A mãe da Beatriz, Cláudia Borges, tinha uma loja e experiência em comércio. E uniu-se à filha para colocar em prática o sonho de montar a empresa. Em 2004, criaram a Fruto do Pano. No começo, levaram os desenhos para serem executados por outras confecções. E acabaram desistindo ao constatar que, além de produzir a quantidade solicitada, a confecção "aproveitava" o desenho e fazia, por conta própria, mais umas tantas peças.

A cópia, ainda que trouxesse prejuízo, era um bom indício: sinal que o produto podia fazer sucesso. Mas, para ter maior controle, acabaram comprando as máquinas para produzir as peças acabadas. Para isso fizeram um financiamento no Banco do Brasil.

Há um ano e meio deram mais um passo arriscado: transformaram as empregadas em parceiras. Cederam as máquinas e cada uma delas se instalou em casa, prestando serviços. Ganham por produção. Parece ter sido um bom negócio: a empresa tem um custo menor, mas as faccionistas recebem mais do que antes. E mesmo sem exigência de exclusividade, têm mantido a fidelidade.

O fato de Florianópolis não ser um polo de confecção cria dificuldades adicionais para a contratação e manutenção de mão de obra especializada, que o arranjo parece ter resolvido.

Ao mesmo tempo em que as questões operacionais da empresa eram resolvidas, Beatriz especializou-se em peças que não usam elastano ou poliamida, mas apenas tecidos naturais como algodão, malha de algodão e renda de algodão. Ela buscava uma modelagem moderna e bonita, para fugir da imagem conservadora da lingerie de algodão. Hoje produzem pijamas, lingerie e camisolas tendo como foco o conforto das fibras naturais e a beleza.

Michela Braga, dona das lojas Flores de Algodão no Shopping Iguatemi e em Jurerê Internacional, ambas em Florianópolis , considera os produtos da Fruto do Pano como uma espécie de "carro chefe" das suas vendas. "Eles têm uma clientela que não é muito grande, mas é muito fiel, um público seleto que sabe valorizar qualidade, durabilidade e beleza", afirma Michela. A vitrine da loja do Iguatemi mostra, desde 20 de agosto, a nova coleção de verão.

Animada, Michela diz que "uma das vantagens dos tecidos planos sobre o poliéster é a variedade de cores e padronagens".

O problema da cópia, que tinha sido uma preocupação nos primeiros tempos, agora retorna, de uma forma um pouco diferente: algumas peças das últimas coleções foram copiadas por grandes confecções. Ainda que seja, sem dúvida, uma demonstração do sucesso do desenho, acaba sendo frustrante ver a apropriação da ideia sem qualquer remuneração por isso, dizem as empreendedoras.

Ainda que Cláudia, a mãe, tivesse experiência em comércio e Beatriz, a filha, fosse a responsável pela criação, os papéis nem sempre foram muito definidos, na atuação da dupla. Uma dá palpites no que a outra faz, trocando ideias e experiências. No final, acabam trabalhando como líderes de uma equipe que, desde 2004, tem feito a empresa ganhar mercado e crescer.


Fonte:valoronline