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domingo, 29 de maio de 2011

Adidas otimista com os resultados trimestrais apresentados em todo o mundo

Com um crescimento das vendas e lucros trimestrais em todas as regiões, graças à boa aceitação de novos produtos e campanhas das marcas Adidas, Reebok e TaylorMade, o grupo Adidas mostra-se satisfeito com este início de ano e mesmo com a pressão sobre as margens continua a antecipar bons resultados para 2011.
 
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Adidas optimista
A empresa alemã de produção de sportswear e equipamento de desporto Adidas AG aumentou a sua previsão anual de vendas após um aumento de dois dígitos no volume de negócios do primeiro trimestre ter ajudado a compensar os custos mais elevados com matérias-primas.
O segundo maior produtor mundial de artigos de desporto indicou que o lucro aumentou 25%, para 209 milhões de euros, no primeiro trimestre, em comparação com os 168 milhões de euros do ano anterior.
Entretanto, o volume de negócios nos primeiros três meses do ano aumentou 18%, para 3,27 mil milhões de euros, em comparação com os 2,67 mil milhões de euros do ano anterior. As vendas das marcas Adidas e Reebok aumentaram igualmente 18% e 24%, respectivamente, enquanto as vendas comparáveis a retalho subiram 17%.
«Estamos com um forte início em 2011, com resultados recordes no primeiro trimestre», comentou Herbert Hainer, CEO do Adidas Group.
«Um forte crescimento de dois dígitos em mercados como a América do Norte, Grande China e Rússia e a introdução bem sucedida de novos produtos e campanhas da Adidas, Reebok e TaylorMade sublinham a força e a desejabilidade das marcas do nosso grupo em todo o mundo», acrescentou.
O volume de negócios grossista aumentou 18% e as vendas a retalho aumentaram 22% em comparação com o ano anterior. O volume de negócios de outras áreas aumentou 14%, impulsionado pelo crescimento de dois dígitos das vendas na TaylorMade-Adidas Golf.
Por região, as vendas na Europa Ocidental – o maior mercado da empresa – aumentaram 14%, para 1,09 mil milhões de euros, graças a um crescimento na Alemanha, França e Itália. E nos Mercados Emergentes da Europa, o volume de negócios foi 26% superior, para 370 milhões de euros, com a Rússia a destacar-se.
Na América do Norte, as vendas cresceram 26%, para 751 milhões de euros, impulsionadas por um aumento de 30% na Adidas e 22% na Reebok. O volume de negócios na Grande China aumentou 36%, para 284 milhões de euros. Outros mercados asiáticos aumentaram 7%, para 446 milhões de euros, e na América Latina as vendas cresceram 15%, para 328 milhões de euros.
Apesar do aumento dos custos de produção, a margem bruta permaneceu quase inalterada nos 48,5%, o que a empresa atribui a menos vendas de liquidação e mais vendas a retalho com margens maiores. E os inventários do grupo cresceram 21%, para 2,033 mil milhões de euros, no final de Março, em antecipação à continuação do crescimento nos próximos trimestres.
Olhando para o futuro, Hainer afirmou que a Adidas espera atingir os seus objectivos para 2011 tendo em conta o forte início de ano.
As vendas do grupo deverão agora aumentar por um dígito alto mas as margens brutas deverão ser negativamente afectadas por custos de sourcing mais elevados, resultantes do aumento dos custos das matérias-primas e de restrições de capacidade. A Adidas também antecipa que os recentes eventos no Japão levem a vendas mais baixas nesse país durante o ano.


FONTE: Portugal Têxtil

domingo, 22 de maio de 2011

Ser malvado é um bom negócio para a Adidas

Na maior campanha de marketing de sua história, a Adidas abandona a postura de boazinha e parte para o ataque. Assim quer superar a Nike até 2015

O jogador argentino Lionel Messi
O jogador argentino Lionel Messi: uma das estrelas da campanha da Adidas, o craque tem baixíssima rejeição entre os consumidores brasileiros


O mundo dos fabricantes de artigos esportivos é basicamente dividido em dois hemisférios. Em um deles está a americana Nike, líder mundial, com 19 bilhões de dólares em vendas. Suas campanhas, normalmente embaladas por músicas que remetem a energia, mostram todas as nuances do dia a dia do esporte — não apenas vitórias edificantes mas também atletas que se machucam ou explodem de raiva diante do fracasso.
Do outro lado fica a alemã Adidas, segunda maior do setor, com faturamento de 16 bilhões de dólares. Ao contrário da Nike, os alemães optaram por tratar o esporte em suas campanhas de marketing de forma mais, digamos, civilizada — o tom sempre foi o da “superação”. Pois quem assistiu à estreia do último filme da Adidas, lançado simultaneamente em 120 países no dia 16 de março, notou que essa oposição de estilos, até então muito clara, ficou um bocado turva.
O comercial de 2 minutos traz uma série de cenas frenéticas com mascotes de times de futebol se agredindo, lutadores de boxe sangrando e atletas soltando gritos de guerra ancestrais. Tudo isso misturado a cenas de ensaios da cantora Katy Perry e shows do rapper BoB em inferninhos (ambos são patrocinados pela Adidas).
Pela primeira vez em 64 anos de história, as três linhas de negócios da companhia — originals, performance e style — juntaram-se numa mesma campanha, batizada All in (ou “Todos nessa”, numa tradução livre).
A agressividade nas telas foi vista como um sinal daquilo que a Adidas transformou em seu maior objetivo de negócio: tornar-se a maior empresa de material esportivo do mundo até 2015. (A meta, aliás, foi escrita em letras garrafais nas paredes dos escritórios de todas as subsidiárias da companhia.)
“Nunca tivemos uma estratégia mundial dedicada a um único objetivo”, diz Rodrigo Messias, diretor de marketing da Adidas no Brasil. “Agora temos. E, para atingi-lo, teremos de crescer cerca de 40%.”

 
O consumidor é quem manda
A ideia de unir os diferentes segmentos de negócios numa única campanha não partiu dos executivos da Adidas — mas de seus consumidores. Uma pesquisa mundial realizada ao longo de 2009 com mais de 1 000 pessoas mostrou que, para o cliente final, não fazia a menor diferença se determinado produto pertencia a uma ou outra linha.
Para ele, bastava saber que se tratava da Adidas. “Percebemos que os consumidores se moviam naturalmente entre um segmento e outro. Era comum que um jovem usasse produtos da Adidas para praticar esportes e sair à noite”, diz Lu­kas Derksen, vice-presidente e sócio da agência canadense Sid Lee, responsável pela campanha.
Em outras palavras, a tal “departamentalização” só fazia sentido dentro da cabeça dos executivos da empresa. Com base nos depoimentos, a equipe da agência percorreu 12 cidades ao redor do mundo para captar imagens de jovens praticantes de esporte que pudessem exibir a marca em todas as suas dimensões — as cenas despojadas de garotos se divertindo com skates, por exemplo, foram gravadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O passo seguinte foi testar a aceitação de astros patrocinados pela marca em todos os principais mercados. No Brasil, a preocupação recaiu sobre o craque argentino de futebol Lionel Messi. “Surpreendentemente, os brasileiros são simpáticos ao jogador”, diz Márcio Oliveira, vice-presidente de atendimento e operações da Lew’Lara/TBWA, agência de publicidade da Adidas no Brasil.
Apesar de se tratar de uma campanha mundial, não há dúvidas de que a maior intenção da Adidas é atingir o público americano — o rapper BoB e a cantora Katy Perry fazem muito mais sucesso nos Estados Unidos do que fora dele, por exemplo. Maior mercado esportivo do mundo, movimentando 33 bilhões de dólares por ano, o país é um reduto natural da Nike, que conta com 36% de participação de mercado (a fatia da Adidas, segunda colocada, é de 21%).
Em 2006, numa tentativa de conquistar o público americano, a Adidas substituiu os tênis dos jogadores de basquete da NBA com a marca Reebok, adquirida no ano anterior, por calçados de sua marca. Os resultados foram pífios.
“Em qualquer pesquisa de marca, a Nike sempre aparece como a mais lembrada”, diz Amir Somoggi, diretor da área de esportes da consultoria BDO. A recente mudança de postura da Adidas já conseguiu, pelo menos, uma coisa: gerou um tremendo “buzz”.
Estima-se que, entre mídia tradicional e internet, mais de 100 milhões de pessoas tenham tido acesso à campanha. Mas nem todo mundo gostou. Tão logo o novo comercial foi ao ar, uma série de comentários negativos começou a pipocar nas redes sociais.
Muitos consideraram o filme violento demais para o público juvenil — a cena com os lutadores de boxe sangrando foi uma das mais criticadas. “Mesmo na matriz houve quem fosse contra a campanha justamente por temer possíveis opiniões desfavoráveis, mas era um risco que precisávamos correr”, diz um executivo da empresa no Brasil que pediu para não ter seu nome revelado.
A campanha na TV é o carro-chefe no esforço de marketing da Adidas, mas não o único. A empresa vem trabalhando para atingir um público mais jovem, na faixa dos 14 aos 18 anos de idade. (Tradicionalmente, seu cliente mais fiel está na faixa dos 30 anos.)
Para isso, remodelou sua linha de produtos, introduzindo cores mais berrantes em roupas e tênis, e elevou a produção nacional de alguns itens, de modo a deixá-los mais baratos. Além disso, inaugurou sua primeira loja exclusiva para mulheres em fevereiro, em Seul, na Coreia do Sul. Afinal, para vencer a Nike também é preciso não perder a ternura jamais.

FONTE: EXAME