quinta-feira, 2 de agosto de 2012

PUPI – PEQUENAS UNIDADES DE PRODUÇÃO INTELIGENTE Uma ferramenta metodológica de gestão para o sucesso das indústrias de confecção brasileira


Estamos num momento de importante transição do ambiente econômico global, em que a proatividade de uma organização adquire papel central para sua competitividade. Por isso, é importante construir um ambiente organizacional ágil, com atores que tenham conhecimento, habilidades e, acima de tudo, atitude motivacional para gerenciar pessoas e processos, no enfrentamento de situações de toda espécie.
São inúmeros os fatores que interferem na dinâmica do processo produtivo, nos quais, nem sempre, os resultados são os desejados (e esperados), tanto por empresários quanto por seus colaboradores, o que, na maioria das vezes, gera desmotivação e baixa produtividade.
Quando analisamos essas variáveis, deparamos com uma questão até então deixada em segundo plano na maioria das confecções brasileiras, que é a valoração e o investimento no maior ativo da empresa: seu capital humano. Todos nós somos capazes de enfrentar novos desafios, desde que devidamente preparados.
Pequenas Unidades de Produção Inteligente,ou Pupi, é uma metodologia especialmente desenvolvida para a confecção industrial, embasada em ensaios e experiências nos quais o desenvolvimento do capital humano aliado à técnica e à devida atenção dos agentes motivacionais permite gerar um ambiente que amplia a saúde da empresa por meio do conhecimento gerado, da melhoria da produtividade e da qualidade, dentro de modernos conceitos de gestão, com baixo investimento e ótimos resultados.
Sabe-se que na cultura capitalista a remuneração é a forma adotada para quantificar o trabalho; é a troca previamente acordada, pela qual o esforço (inclusive físico) para produzir bens e serviços é recompensado por cotas em moeda, normalmente determinadas pela análise relativa do tempo, da complexidade e da excelência das tarefas executadas. Hoje, com os rápidos avanços tecnológicos chegando às confecções industriais do mundo, a realização do trabalho depende não somente da habilidade dos operadores, mas, também, da constante atualização técnica, além de políticas motivacionais e de valoração profissional.
Ao implantar-se esta ferramenta sinérgica na indústria de confecção, o objetivo é fortalecer as relações entre empresas e colaboradores para superar a barreira da baixa produtividade, aumentar os índices de competitividade das empresas e potencializar o nível da qualidade dos produtos nacionais, e com isso fortalecer a indústria nacional face à penetração de produtos importados de baixa qualidade no mercado brasileiro.

Fatos
Constata-se que, no Brasil, encontram-se muito mais confecções carentes em todos os aspectos, que estas não estão extraindo o verdadeiro potencial que possuem, porque não tratam seus negócios como um verdadeiro negócio, presumindo sempre que confecção é apenas juntar máquinas e contratar pessoas, muitas vezes desqualificadas.
Enquanto as confecções subestimarem o verdadeiro valor e potencial das pessoas que trabalham no chão de fábrica, estarão desperdiçando sempre o maior poder para a geração de resultados positivos na empresa.
Os colaboradores são especialistas no processo (desde que devidamente orientados) em que atuam, mas existe uma cultura de pouca valorização da inteligência dos trabalhadores e/ou de falta de uma política para motivar o interesse. Normalmente acaba-se separando o fazer operacional da melhoria do processo, entregando essas responsabilidades para outras pessoas que muitas vezes não conhecem os detalhes da prática e podem não ter a devida humildade de perguntar aos que realmente fazem o trabalho do dia a dia. Os dados são muito importantes para um processo de gestão, porém não podem ser analisados isoladamente; é preciso acompanhar e verificar na prática, perguntando aos colaboradores os porquês dos problemas.
Esse é um desperdício da inteligência dos trabalhadores e um erro que os japoneses não cometeram – e não cometem – que permite sinalizar o quanto se pode obter de ganhos com o aproveitamento do potencial motivacional das pessoas nas empresas.
Dessa forma, a metodologia Pupi tem como foco central captar e incentivar a mudança das crenças e dos comportamentos dos colaboradores de uma empresa, o que permite dizer que a mudançadeverá ser desenvolvida por todos, e que isso acarretará a mudança das crenças e comportamentos da própria empresa.
Durante a implantação da metodologia, muitos colaboradores poderão ficar impacientes, pois o foco é trabalhar o lado sentimental e emocional dos indivíduos, para o qual normalmente as pessoas não se sentem muito à vontade ou simplesmente não estão preparadas.
A ideia é permitir que a mudança das crenças e dos comportamentos dos colaboradores,desde a forma como se enxergam dentro de um processo industrial até quanto seus desempenhos, individualizados e em conjunto, são afetados por estes é o que torna a metodologia um grande sucesso. Pelo menos é isso que temos como resposta das empresas em que a metodologia foi aplicada. Assim, entende-se que a metodologia Pupi ataca diretamente, e de forma bastante simples, o ponto crítico de todo processo de confecção industrial, que é a relação do processo produtivo com o desenvolvimento do capital humano.

Filosofia de trabalho
Sabendo que a Pupi é a necessidade de ter uma filosofia de trabalho voltada especificamente para as indústrias de confecção e fazer com que o sistema industrial funcione eficiente e eficazmente, é preciso que as pessoas revejam seus conceitos, atitudes e comportamentos para começar a pensar dentro dessa filosofia que visa trazer benefícios para o bem-estar da empresa.O mais importante é quetodos devem estar orientados para essa forma de trabalho, em que o processo de confecção passará a ser o do conhecimento, por meio do desenvolvimento do capital humano.
Nessa metodologiade trabalho, o principal objetivo é lidar com as pessoas de níveis hierárquicos mais baixos, onde, embora os processos estejam mais complexos, não importando o porte da empresa, são as pessoas que movem a engrenagem.
Evidentemente algumas confecções estão em outra esfera, principalmente aquelas que ouvem e preparam seus colaboradores, mas a dura realidade é que muitas necessitam de ajuda e cabe ao Senai/Cetiqt, por intermédio de seus técnicos com habilidades e competências desenvolvidas ao longo de uma larga experiência, disponibilizar essa metodologia para nortear e fortalecer a competitividade das empresas de confecção em todo o país. Como em uma sala de aula, não se deve priorizar somente os excelentes alunos, mas deve-se principalmente trazer aqueles que mais necessitam de apoio para perto daqueles que se destacam. Além disso, é necessário mapear as causas do distanciamento entre os mais hábeis e os menos hábeis, entre os mais motivados e os menos motivados.
Com base em uma implantação metodológica, existe todo um conjunto de fases a serem obedecidas para que os conceitos e as dinâmicas sejam implantados e internalizados pelas equipes de trabalho.

Ambiente do trabalho
As atividades humanas e principalmente o trabalho sofrem a influência de três aspectos: físico, cognitivo e psíquico. A conjugação adequada desses fatores, a análise de um domínio levando em consideração o outro permite projetar ambientes seguros, confortáveis e eficientes.
Embora o estudo das cores seja visto por grande parte dos engenheiros e arquitetos como um fator ambiental secundário na concepção dos espaços de trabalho, torna-se de fundamental importância para os ergonomistas, com um cunho voltado para uma ergonomia da percepção, à medida que contribui com a adequação do seu uso, não só para segurança, ordenação e auxílio de orientação organizacional, mas também para a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, devido à sua influência psicológica. O uso da cor é um dos recursos mais econômicos para promover mudanças em um ambiente.
A maioria das confecções no Brasil tem toda a área produtiva pintada de branco, o que leva a crer na importância dessa cor para esse segmento industrial, porém não deveria ser assim.Há pouco tempo, os hospitais tinham o mesmo princípio e hoje usam diversas cores, em tons pastel. Uma sala de aula deverá ter sempre duas cores, para que haja um bom aprendizado e não gere a monotonia de um ambiente pintado com uma única cor.
A confecção deverá seguir a mesma fórmula, ou seja, ter meia parede pintada em tom pastel ede branco em cima e no teto, por causa da reflexão da luz. O piso deve possuir uma tonalidade acinzentada, que favorece os procedimentos de limpeza, não gera monotonia na execução do trabalho e fornece melhores condições psicológicas em um ambiente onde vão permanecer 8horas por dia.

Alimentação e remanejamento
Essa simples ação requer muito cuidado, porque se encontra aqui o tenebroso fantasma do desperdício. Ele não é percebido pelas empresas que não se prendem aos sinais que são dados nem aos detalhes, mas a todo instante esse fantasma está tentando mostrar que a força destrutiva dele é muito grande e que se aproveita bem da situação, enquanto todos estão preocupados com os dados da produção do dia anterior, por exemplo.
Há empresas que oferecem café da manhã, e elas devem atentar para como é organizado esse reforço matinal. Contudo, a maioria não oferece, o que é um grande erro e que deve ser corrigido imediatamente, levando em consideração que muitos dos colaboradores têm duas opções: ingerir seu café matinal em casa ou, para não perder tempo, abster-se dessa refeição, até porque, se tomarem o café matinal, os filhos poderão ficar sem ter algo para comer, fato que infelizmente ainda ocorre em nosso país.
Ao chegar à empresa sem estar alimentado, é como se fosse um atleta que entra em campo sem se aquecer. É importante que, além de ser oferecido pela empresa, ele ocorra antes do início do trabalho. A pessoa tem que entrar no setor de produção alimentada. No local destinado ao café, as pessoas estarão conversando, ou seja, se aquecendo, se preparando para mais uma jornada de trabalho.
A empresa onde a jornada se inicia às 7h e o café matinal é servido a partir das 9h comete um erro gravíssimo, pois, se a pessoa não se alimentou, terá perda de concentração para realizar o serviço e estará deixando de alcançar os índices de produção e produtividade favoráveis para o horário da manhã, comprometendo a qualidade dos produtos confeccionados.
É uma equipe de trabalho, 120 minutos por pessoa não alimentada (das 7h às 9h), que não estará rendendo no serviço e, ao longo de um ano, haverá uma perda irreparável. Vale ressaltar que o grande ganho de uma produção concentra-se no bom desempenho realizado no horário da manhã e por isso devemos estar atentos a esse pequeno grande detalhe, porque haverá perdas pelo fato de a pessoa estar com fome.

Descrição: http://www.costuraperfeita.com.br/upload/materia/885.jpg
O único objetivo é eliminar a parada das 9h e remanejar para antes da entrada dos colaboradores.
Mas será que, além desses ajustes, se pode ainda obter ganhos por meio de um café da manhã? A resposta é sim. E aqui o conhecimento nos mostrará outros benefícios de forma simples, contribuindo e muito para ampliarmos a saúde da empresa, porque uma confecção é sempre galgada em pessoas e, se as pessoas estão bem, consequentemente a empresa terá tudo para se desenvolver bem.
Como a maioria dos trabalhadores na confecção é composta de mulheres, deve-se ficar atento à perda do mineral ferro (Fe) que ocorre no organismo delas. O ferro ingerido através de verduras de folhas escuras ajudará na oxigenação dos tecidos, proporcionando disposição. Ele não é absorvido em sua totalidade,no entanto, quando estiver na presença de um ácido, no caso a vitamina C, a absorção será muito maior.
Com essa combinação, servindo suco de couve triturada com laranja ou maracujá, por exemplo, e complementando com a ingestão de duas bananas no café matinal, se fornecerá energia para 90 (noventa) minutos de trabalho pesado e commais concentração naquilo que se está realizando, além de ser uma aliada para a inteligência e a obtenção de resultados favoráveis para a jornada matinal.
A banana, que é extremamente consumida por atletas por causa do potássio, deverá ser utilizada aqui por causa do folato, para maior concentração do indivíduo na realização do trabalho. A alimentação saudável, com baixo custo, fornecerá mais disposição para a realização do trabalho, combatendo a anemia e gerando mais saúde para a empresa. Esse é só um exemplo; outras combinações poderão ser preparadas visando à obtenção dos ganhos e com baixo custo.

Desenvolvimento do capital humano
Muito se fala mas realmente muito pouco se faz para aplicar, na prática, o desenvolvimento do capital humano, que é a força ativa do conhecimento e da inovação. E aqui está o maior de todos os segredos que será o grande diferencial entre as confecções que vão despontar cada vez mais em relação àquelas que continuarão na mesmice.É um dos principais ativos geradores de riqueza nas empresas. O valor de cada indivíduo contribui para o crescimento da empresa e pode ser aumentado ou depreciado de acordo com as políticas e práticas de gestão aplicadas.
Embora possam visualizar as pessoas como recursos, isto é, como portadoras de habilidades, capacidades, conhecimentos, competências, motivação de trabalho e outros, as empresas não deverão esquecer que pessoas são pessoas, isto é, portadoras de características de personalidade, expectativas, objetivos pessoais, histórias particulares, e isso melhora a compreensão do comportamento humano nas empresas.As costureiras estão cada vez menos interessadas em sua profissão porque não há um plano para crescimento. Não se pode olhar para os lados na produção. Tudo caminha para a involução.
As pessoas deixaram de ser fornecedoras de mão de obra para serem alçadas à categoria de fornecedoras de conhecimento e de competências, como parceiros e não como empregados submetidos a um contrato formal de trabalho. Cada pessoa é uma inteligência a serviço da confecção e não um simples conjunto de músculos e habilidades físicas.
No momento em que se enxergar a confecção como uma verdadeira escola, aonde os alunos, no caso as costureiras,vão para aprender a cada dia uma ação planejada e que colabore para transformá-las em profissionais com visão macro, que ajam como um time de excelência, onde impere o espírito de equipe, isso vai não só revolucionar como dar outro significado para o crescimento das confecções brasileiras.
Ao construir a cultura de exploração do indivíduo como instrumento de trabalho, a confecção tem no medo imposto aos colaboradores, na pressão e na competição desenfreada as bases de sua própria destruição. O processo dessa destruição psicossomática vem lentamente, adoecendo o ser humano em coletividade, o que infelizmente ocorre na maioria das empresas.
Essa é a dura realidade e a mudança ocorrerá a partir do momento em que a ação for feita de forma diferente, pensando no resultado.Em primeiro lugar, é preciso ter a filosofia do trabalho e, para tal, deve-se retirar as costureiras da produção e levá-las para uma sala de aula ou algum outro lugar disponível na empresa ou fora dela, onde possam ser preparadas para o conhecimento, para lidar com as pessoas, para mostrar o quanto são importantes. A partir do momento em que se acredita nelas, passa-se a investir no ‘cérebro’ da produção. É uma mudança de comportamento, é pensar diferente, é ter visão de futuro. Isso porque haverá pessoas que vão dizer que um investimento (para alguns gastos) em pessoas que a qualquer momento poderão sair da empresa não compensa. Em vez de perguntarem “o que acontece se eu treiná-los e eles forem embora?”, deve-se perguntar “e se eu não treiná-los e eles resolverem ficar?”. Diante desse impasse, pode-se afirmar que, se o colaborador não for treinado, conscientizado, incentivado e preparado para enfrentar cada vez mais este mundo globalizado, a empresa tenderá a morrer. É um número expressivo de trabalhadores que estão juntos 528 minutos por dia, portanto é necessário atuar nesse ambiente, sendo esse um trabalho ímpar e com resultados acima dos atuais alcançados pelas confecções do Brasil, já que essa é apenas a ponta do iceberg que está sendo apresentada.
Parte-se do princípio de que a prática para costurar todos têm, mas é preciso aplicar outros conhecimentos para potencializar essa prática, como: ritmo, técnicas de costura para evitar retrabalho, custo operacional baixo, menos esforço físico (ergonomia) e métodos inteligentes de costura. Existem muitos paradigmas a ser quebrados e muitos problemas a ser enfrentados. Evidentemente que há necessidade de oferecer conhecimento por meio de orientações práticas, mas estamos propondo as duas coisas, ou seja, sala de aula e prática. Há necessidade de um planejamento estratégico para a produção, visando a um plantio para o futuro, mas o que há em princípio é uma rotina de trabalho.O gráfico ilustra uma curva hipotética de progressão para o colaborador que está aprendendo no posto de trabalho e para aquele que está sendo preparado antes de ir para seu posto de trabalho.
Métodos inteligentes de trabalho
A grande revolução silenciosa. Nem mesmo o melhor método consegue sucesso se a liderança da organização não faz acontecer. É preciso compromisso, porque os líderes têm que motivar as equipes e enfrentar as resistências. Exatos 90% ou mais do que se acredita ser talento do colaborador de uma confecção são na verdade aprendidos por meio deesforço, repetição e prática.
No entanto, pesquisas têm mostrado que são raras as indústrias de confecção que enxergam o quanto podem crescer, com custo baixo, dentro dos métodos de trabalho correto, tornando-se mais competitivas e gerando menos desperdício. Vale uma ressalva:se não se aproveitar o potencial humano e dar atenção a esses pequenos detalhes – que na verdade são grandes –, haverá um expressivo desperdício que passa despercebido. Assim, haverá uma verdadeira batalha contra o fantasma do desperdício nos métodos e nos postos de trabalho que muitas vezes não são estudados nem dimensionados na empresa de forma adequada.
Para a confecção industrial, métodos inteligentes de costura e o estudo dos postos de trabalho têm que ter maior relevância, pois os ganhos são consideráveis em benefício de todos. Apenas 20% de uma costura é tempo de máquina e exatos 80% são destinados aos movimentos que são empregados pelas costureiras, onde existe um potencial enorme a ser explorado.
A confecção tem que ser uma empresa que aprendalearningorganization, porque ficará como nas corridas domingueiras de Fórmula 1: é uma festa quebrar recordes e atingir patamares nunca antes alcançados. Pergunte aos alpinistas!
Indicadores de desempenho
Os indicadores de desempenho de produtividade, qualidade, tecnologia, recursos humanos e financeiros são fundamentais para o sucesso da implantação da Pupi nas empresas de confecção. Contudo,para que um gestor possa adotar qualquer uma dessas medidas, é importante que tenha informações relevantes e fidedignas. Essas informações precisam ser apresentadas ao gestor no momento certo e ser de extrema qualidade e confiabilidade para não gerar dúvidas na tomada de decisão. Torna-se necessário que os dados estejam convertidos em informações e que estas, além de estarem interligadas, sejam direcionadas para o estabelecimento e o cumprimento dos objetivos e das metas da empresa. Observa-se que a falta de um sistema de informação ou seu uso inadequado pode representar um significativo problema para as empresas, inclusive influenciar na permanência ou não delas no mercado global.Como exemplo, alguns dos indicadores trabalhados na Pupique facilitam o desenvolvimento do trabalho nas confecções são:controle da produção para medir a eficiência dos setores produtivos, do desperdício do setor de corte e de insumos no processo;custo por minuto do processo produtivo, do tempo padrão de cada modelo e do processo, do custo operacional de cada modelo, do ponto de equilíbrio do faturamento pela produção, e o indicador de liquidez, receita e despesa.

Grupos de trabalho
As mudanças na confecção ocorrem em um ritmo cada vez mais acelerado, ditando novos critérios de competitividade. Nesse cenário, as empresas que saem na frente são aquelas que preveem as mudanças e se antecipam, introduzindo novas estratégias, entre elas a flexibilidade e a inovação.
O descontentamento entre os colaboradores de uma produção industrial se dá por caírem na rotina do trabalho e também porque seus líderes, na maioria das vezes, adotam técnicas da teoria clássica e se esquecem de ousar e potencializar o capital humano no chão de fábrica, deixando de criar um ambiente mais favorável à evolução profissional e de ter consequentemente da organização uma velocidade de resposta às variações de mercado.
Um grupo de trabalho potencializado é responsável por todas as atividades ligada ao seu segmento, administra seus recursos, dá ideias, preocupa-se com o desenvolvimento dos métodos de trabalho e visa ao crescimento do grupo como um todo, além de ser avaliado por meio dos indicadores de desempenho da Pupi, conhecidos por todos do grupo.O grupo tem deveres e responsabilidades que vão além do costurar do dia a dia. Isso gera uma empresa viva, com projetos de melhorias que se realizam, o que desperta o interesse e agrega novos conhecimentos.
De forma geral, após uma intervenção desse tipo, observa-se o resultado em dois âmbitos:
Cultural/gerencial: melhoria no clima geral da confecção;maior agilidade e rapidez nas respostas e nas tomadas de decisão;relações de trabalho mais orientadas para parcerias;costureira e demais colaboradores capacitadospessoal e profissionalmente;crescimento por meio da aprendizagem.
Técnico:melhoria nos indicadores Pupi;aparecimento espontâneo de sugestõesde melhoria dos processos;flexibilidade da operação por meio da polivalência;redução do lead time;redução drástica do retrabalho e dos demais desperdícios;redução do custo-minuto da empresa.
A situação mais delicada é a dos antigos supervisores e encarregados que passam a não interferir como antes nas tomadas de decisão do grupo, pois tal atitude provocaria uma quebra na autonomia do grupo.
A Pupiestá estruturada para as indústrias de confecção de todos os portes e pode atender perfeitamente qualquer segmento de costura, desde que a confecção, por meio de sua alta direção, tenha sensibilidade para as mudanças percebidas por este mundo, que urge por atitudes e posturas diferentes das conhecidas até então. Baseia-se em preparar os empresários, os colaboradores da produção, a gerência e a supervisão com a visão necessária para as áreas de gerência, custo, métodos inteligentes de produção e liderança, por meio do desenvolvimento do capital humano.
Luiz Cláudio de Almeida Leão é consultor industrial do Senai/Cetiqt desde 1988 até a presente data, em consultoria nacional e internacional, na área de treinamento industrial e projetos para produção; gerente industrial na Confecção Faenzaem 1987-1988; técnico de produção na Confecção Cukierem 1984-1987. Experiência no exterior: países da América do Sul, América Central, Caribe e Europa. Mestrado em psicologia do trabalho (não concluído), pós-graduação lato sensu em educação no ensino superior e técnico, noCefet, 2002; bacharel em administração de empresas pelaUniverCidade,1996; malharia e confecção noSenai/Cetiqt,1984; habilitação básica em construção civil na Gomes Freire de Andrade,1982.

 Por Luiz Cláudio de Almeida Leão


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