quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Inspire-se no Jeans


O jeans, lá no século XIX, era usado para cobrir as carroças dos mineradores que trabalhavam na corrida pelo ouro, nos Estados Unidos. Mas este mercado já estava saturado, e foi então, que Levi Stratus, em 1853 percebeu que os mineradores necessitavam de uma roupa que fosse resistente o suficiente para o trabalho pesado e adaptou aquele tecido que, antes cobria carroça, em uniforme e, logo, lucro. Com o tempo, essa peça (a calça jeans) foi se adaptando às necessidades dos trabalhadores com bolsos, aviamentos mais resistentes, modelagens e lavagens mais confortáveis. Surgiram os botões de metal, a etiqueta de couro, os bolsos traseiros, e a cor tão famosa, índigo, que é uma marca do jeans (antes ele era marrom). O primeiro lote das calças jeans que conhecemos hoje tinha como o código o número 501, o que não por acaso tornou-se o modelo mais famoso e tradicional da Levi’s.
Desde então, sua atemporalidade e multifuncionalidade foi só se consolidando. Na década de 30 foi usado pelos cowboys norte-americanos, usado na segunda-guerra mundial nos uniformes dos soldados e logo depois, se espalhou pela Europa. Na década de 50 usado pelos jovens que o transformou em símbolo de rebeldia, na década de 70 pelos hippies e pela primeira vez subiu em uma passarela durante o desfile da Calvin Klein, bastante criticado na época. E assim se consolidou como a peça mais democrática  e popular do mundo. É notável, portanto, que desde seu surgimento, o jeans sofreu incessantes transformações, e que hoje a peça chega ao seu ponto máximo em modelagens, beneficiamentos, lavagens e que isso possibilita uma grande variedades de usar em todos os estilos. É essa a ideia quando vemos os seguintes editorais de moda masculina que possui o jeans como ponto de partida.
Estes editoriais são todos deste ano e desmistifica o papo de que o jeans é algo básico e que não possibilita inovar!

Carbon Copy e Spray Magazine

As fotos de Nicolas Valois, para a nona edição da Carbon Copy, têm inspiração nos uniformes dos agricultores dos Estados Unidos, ou “The Farmers”, como foi intitulado o material. A Spray de setembro, também bebe da mesma fonte de inspiração e o resultado são peças outonais com aspecto sujo até blusões soltos e algumas peças drapeadas.

Indie

Para a revista austríaca Indie, a busca por influências do universo “mochileiro” ou viajante. Mescla com peças rebeldes como xadrezes e aplicações e cintos que dão os toques finais a este conceito sólido fotografado por Niclas Heikkinen.
Em contrapartida, em Agosto, o nacionalismo falou mais alto para esta sessão de fotos. Tema muito em alta novamente, sob o título de “Bad Lands”, trás peças clássicas da Levi’s, D&G e Diesel.

The Fashionisto & Flamboyant

Em agosto, o editorial do The Fashionisto, intitulado “Ghetto Ger-Up Block Blaser” trás uma pegada completamente urbana e jovem que, no jeans, se traduz em cores divertidas e estampas com bastante personalidade.
A mesma pegada aconteceu em Junho pelo fotógrafo Lorenzo Marcucci com este espetáculo da Prada em nome de Flamboyant. Aqui, se mistura excêntricos desenhos nas paredes com interferência bastante criativa.

GQ

Aqui, Aline e jacqueline Tappia exploram o jeans como para a GQ Itália: “Só Denim”. Não por acaso, é ele quem rouba a cena presente 100% em todas as fotos da produção. O desafio é um look totalmente escuro, lavados e apagados. As peças são de Ralph Lauren Black Label Denim, Levi’s e Boss Orange. O toque especial fica por conta das camisas enrugadas e a clássica jaqueta jeans.

Grit Magazine

Os anos 50 serve de inspiração para as fotos de Niclas Heikkinen que mantém o estilo bem aceito e já conhecido. As jaquetas de caminhoneiro e camisas sem abotoar da Levi’s, Diesel e Timberland ajudam a ambientalizar uma oficina.

10 Men Magazine

A aposta para esta edição é uma paleta de cores tipicamente outonais, pastéis frias. As peças jeans vêm com rasgos e lembram a modelagem dos anos 90. A aposta é de Dolce e Gabbana, Burberry Prorsum e Prada.

Interview

Este editorial revive a época Mod (movimento juvenil modernista da década de 1960 em Londres) com pegadas rocker. As últimas campanhas da Lanvin do Outono /Inverno 2011 já trouxe essa essência “revival 60′s”.  Aqui, é combinada com a tendência de conjuntos total branco, estampas de camuflagem e metálicos espaciais e vanguardistas (também dos anos 1960).

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Via Ápia: A Visconde de Pirajá da Rocinha é Palco de Ensaio de Moda


ditorial é feito na rua que não podia ser fotografada antes da pacificação
Modelo usa vestido Byron R$ 79,99 O Globo / Alexandre Sant'Anna. Tratamento: André Mello
RIO - A Rocinha, assim como a Roma Antiga, também tem uma Via Ápia. Centro comercial da favela, ela reúne multimarcas com roupas que copiam grifes famosas, vitrines que exibem o visual periguete da personagem de Carolina Dieckmann, restaurantes, farmácias, bancos e, até duas semanas atrás, uma das principais bocas de fumo da região. Proibida pelo tráfico de ser fotografada, a rua vira cenário para nosso ensaio de moda depois da pacificação, comandada pelo secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.

— A Via Ápia era onde se vendia a droga. Não era permitido fotografá-la — diz o historiador Milton Teixeira.
— Eu não podia, de jeito nenhum, andar com uma câmera aqui, como faço agora. Havia restrições impostas pelo tráfico — conta o fotógrafo Leandro Lima, do site FaveladaRocinha.com.
Há três meses, O GLOBO tentou fotografar este ensaio na Via Ápia, sem sucesso. Com a implantação da UPP, a equipe reuniu profissionais da comunidade (modelo, maquiadora e assistente de fotografia) na segunda-feira, para, enfim, fazer da rua o cenário. As roupas foram garimpadas pela produtora Zizi Ribeiro na Via Ápia, a Visconde de Pirajá da Rocinha, e arredores.
O nome Via Ápia foi dado à rua comercial da Rocinha nos anos 60 pelo italiano Pompeu Feltrin, que foi morador da Travessa Palmas, na comunidade. Foi uma homenagem à Via Ápia de Roma, uma das principais estradas do Império Romano batizada em memória do político e escritor Appius Claudius Caecus.
Construída em 312 a.C, o caminho se estendia de Roma a Brindisi, numa distância de trezentos quilômetros, e era conhecida como regina viarum (rainha das estradas). A rua da Rocinha, uma ladeira visível da Lagoa-Barra, é bem menor. Tem cerca de 500 metros. Segundo José Martins, fundador da associação de moradores do Barcelos, bairro localizado na parte mais baixa da favela, Pompeu teria dado este nome após o loteamento da área pela Cia. Cristo Redentor, a partir de 1960.
A Via Ápia reúne da sex shop Sedução à Cinderela Bijuterias. Da multimarcas Top Mania ao restaurante japonês Via Japa, que vende sushi, sashimi e... sorvete. Da loja de surfwear masculina Usuthu à Barraca das Baianas, que oferece o melhor... estrogonofe da região. Do Bradesco à Ortobom. E ainda tem a grife de moda praia Ridy (não é a famosa Rigy, não), onde se vende o biquíni perfeito para fazer marquinha — o de lacinho é péssimo para isso, avisa o vendedor.
— A Via Ápia é o coração da Rocinha — diz Ágatha dos Santos, conhecida como "A Gatinha", a modelo de 18 anos que mora na Rocinha e protagoniza o ensaio.
— A rua é um dos points de lá, um verdadeiro polo gastronômico e econômico — afirma o subprefeito da Zona Sul, Bruno Ramos.
Vestido periguete e marca de biquíni
Com um traçado regular de travessas perpendiculares que cruzam a Via Ápia, a região do Barcelos é a área menos íngreme e mais comercial da Rocinha. A rua, sem calçada, parece um corredor de shopping ocupado por consumidores, carros e frenéticos mototaxistas. Por ser próxima à Autoestrada Lagoa-Barra, é acesso importante à parte alta da favela.
— Esta área lembra o bairro de Barceloneta, com ruas estreitas e perpendiculares. É a parte mais valorizada da Rocinha — diz o mestre em Urbanismo Marat Troina, que fez um estudo sobre a favela.
Desde que a região foi pacificada e, assim, foi encerrada a boca de fumo que ficava na altura da Travessa da Liberdade, empresários da região da Via Ápia e entorno estão preocupados com o preço dos aluguéis. Ricardo Soares, dono da multimarcas Byron, é um deles.
Na vitrine, Ricardo exibe vestidos estilo periguete, ou seja, justos, curtos e drapeados na altura dos quadris. Todos copiados de marcas como Botswana, Ágatha, My Place e Colcci.
— Na moda, todo mundo copia um do outro, não é? Aqui tem lançamento de dois em dois dias — diz.
O vestido estampado rosa que aparece na capa do ELA é de lá: uma cópia do tubinho da Panicat Juju. Ricardo fatura, em média, R$ 30 mil por mês. Sua loja é uma das 344 empresas que atuam no ramo de confecção, costura e calçados na favela, segundo dados do Censo Empresarial da Rocinha, uma ação da Secretaria de Estado da Casa Civil. De aluguel, o empresário e copiador assumido paga mensalmente R$ 3 mil, mais luvas trienais de R$ 30 mil. Reclama tanto quanto os empresários do Leblon.
— Essas luvas são um absurdo. Vamos ver como vai ficar daqui para frente — queixa-se Ricardo.
À noite, a Via Ápia ganha contornos de Dias Ferreira da Rocinha. É onde se localizam os restaurantes mais badalados. Tem o Social Trapiá, cujo carro-chefe é uma picanha para seis pessoas (R$ 72,90). O Via Japa é frequentado pelos "vipizinhos" e, segundo Àgatha, tem o melhor yakisoba da região. Na Barraca da Baiana, da baiana Ana Márcia, que "já foi ao programa da Ana Maria Braga", todos os pratos custam R$ 4,50. E ainda tem o quilo Amarelinho, com nome igual ao bar da Cinelândia.
Para andar na moda nos pagodes e bailes da Rocinha é preciso seguir um dress code. O vestido tem que ser "mara" (de maravilhoso), quase sempre de viscolycra. O do momento é o estilo periguete drapeado ("aumenta o bumbum e disfarça as gordurinhas", explica uma vendedora). Os saltos são vertiginosos — o escarpim rosa é hit. A maquiagem destaca os olhos com muito lápis e rímel preto, inspiração em Amy Winehouse e Claudia Leitte. Na boca, gloss. No cabelo, chapinha. E o esmalte pode ser azul Bic ou rosa chiclete. Este era o uniforme das meninas na festa da academia R1, no dia 18.
— A escolha por peças com viscolycra aponta duas direções. Uma é da ordem da sexualidade, com maior liberdade e menos culpa e patrulha em relação ao corpo. A outra passa pela noção de que este corpo ultrassexualizado, que se oferece como objeto de desejo explícito do olhar masculino, é um valor máximo — observa Joana de Vilhena Novaes, autora do livro "Com que corpo eu vou?", para o qual entrevistou moradoras da Rocinha.
Seguindo o padrão de beleza da região, que não sofre qualquer influência de ícones magérrimos como Gisele Bündchen, para fazer sucesso na Via Ápia é preciso ter o binômio cabelão e pernão x cinturinha e marquinha de biquíni.
— Ivete Sangalo, seguida de Viviane Araújo, é a campeã na preferência estética, segundo os moradores da Rocinha — afirma Joana.
Em janeiro, os jurados terão que levar em conta medidas fartas para eleger a Miss Rocinha. O concurso que vai escolher a musa da comunidade deverá ser realizado em janeiro. O idealizador do projeto, Jean Ribeiro, dono da agência de modelos Studio Libra, pretende construir uma passarela em plena Via Ápia, onde as concorrentes irão desfilar com roupa de festa e look moda praia. E as modelos, promete Jean, serão de parar até o frenético trânsito de mototáxis da Visconde de Pirajá da Rocinha.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

NINGUÉM É SUBSTITUÍVEL !!! NINGUÉM É SUBSTITUÍVEL !!!

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.


Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível"!



A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.



Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.



De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:



- Alguma pergunta?



- Tenho sim. E Beethoven?



- Como? - o encara o diretor confuso.



- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?



Silêncio…



O funcionário fala então:



- Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos,mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar. Então, pergunto: quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha?
Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? Etc.?…



O rapaz fez uma pausa e continuou:



- Todos esses talentos que marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, mostraram que são sim, insubstituíveis. Que cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Não estaria na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe, em focar no brilho de seus pontos fortes e não utilizar energia em reparar seus 'erros ou deficiências'?



Nova pausa e prosseguiu:



- Acredito que ninguém se lembra e nem quer saber se BEETHOVEN ERA SURDO , se PICASSO ERA INSTÁVEL , CAYMMI PREGUIÇOSO , KENNEDY EGOCÊNTRICO, ELVIS PARANÓICO… O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Mas cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços, em descobrir os PONTOS FORTES DE CADA MEMBRO. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.



Divagando o assunto, o rapaz continuava.



- Se um gerente ou coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de ‘técnico de futebol’, que barraria o Garrincha porter as pernas tortas; ou Albert Einstein por ter notas baixas na escola; ou Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria PERDIDO todos esses talentos.



Olhou a sua a volta e reparou que o Diretor, olhava para baixo pensativo. E voltou a dizer
nesses termos:



- Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha,nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados… Apenas peças… E nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões que 'foi pra outras moradas'. Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:…NINGUÉM…Pois nosso Zaca é
insubstituível.” – concluiu, o rapaz e o silêncio foi total.



Conclusão:



PORTANTO NUNCA ESQUEÇA: VOCÊ É UM TALENTO ÚNICO! COM TODA
CERTEZA NINGUÉM TE SUBSTITUIRÁ!



"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."



"NO MUNDO SEMPRE EXISTIRÃO PESSOAS QUE VÃO TE AMAR PELO QUE VOCÊ É… E OUTRAS… QUE VÃO TE ODIAR PELO MESMO MOTIVO… ACOSTUME-SE A ISSO… COM MUITA PAZ DE ESPÍRITO…"



É bom para refletir e se valorizar!

www.você.com.br

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Levi's Surpreende e Sugere que Consumidores Não Lavem o Jeans


Escassez de água e algodão leva empresa a buscar sustentabilidade; compradores são aconselhados a desinfetar Escassez de água e algodão leva empresa a buscar sustentabilidade; compradores são aconselhados a desinfetar calças na geladeira
Das plantações de algodão na Índia rural até a lata coletora de tecidos para reciclagem, uma típica calça jeans consome 3,5 metros cúbicos de água durante o seu ciclo de vida, ou seja, o bastante para encher 15 banheiras de spa, segundo a Levi Strauss & Co. Isso inclui a água usada para irrigar a plantação de algodão e para costurar a calça, bem como para as diversas lavagens que realizamos em casa.
A empresa quer reduzir essa quantidade de qualquer maneira possível, e não apenas para projetar uma imagem de responsabilidade ambiental. Ela teme que a escassez de água causada pelas mudanças climáticas possa pôr em risco a própria existência da empresa nas próximas décadas, tornando o algodão caro ou escasso demais.
Além de avisar consumidores, Levi's criou uma linha que usa menos água para fabricação
Portanto, para proteger sua matéria-prima, a Levi Strauss ajudou a sustentar e defender um programa sem fins lucrativos que ensina a agricultores na Índia, no Paquistão, no Brasil e na África Ocidental e Central as mais novas técnicas de irrigação e de captura de águas pluviais. A empresa também lançou uma marca de jeans estonado amaciado com pedras, mas sem água. Além disso, ela está afixando em todos os seus jeans etiquetas pedindo para as pessoas lavarem menos os produtos e usarem apenas água fria.
Para os consumidores que desejarem maiores conselhos, a Levis Strauss sugere que os jeans sejam lavados raramente, ou nunca – a teoria é que colocá-los no freezer matará todos os germes que causam mal cheiro.
Mas as preocupações com a conservação não se limitam aos gigantes das roupas: conglomerados de comidas e bebidas, companhias de tabaco e companhias de metal e mineração estão todas começando a avaliar sua grande dependência da água. A Pepsico, por exemplo, adotou um método de higienizar garrafas plásticas com ar purificado ao invés de água em um fábrica do estado americano da Geórgia.
Para suas marcas Frito-Lay, a empresa identificou um tipo de batata resistente a estiagens que distribuiu aos agricultores, junto com um método de monitoramento de solo, para que as plantações sejam regadas apenas quando necessário.
O Carbon Disclosure Project, grupo que monitora a emissão de gases do efeito estufa por empresas, recentemente incluiu a segurança do abastecimento hídrico entre suas prioridades. Entre as 150 empresas que responderam a um questionário que o projeto enviou às maiores empresas do mundo no ano passado, quase 40 por cento afirmaram que problemas com água já haviam resultado em ''impactos prejudiciais’' aos seus negócios.

Foto: NYT
Para os jeans normais, empresa recomenda que não se lave muito
O risco de escassez de água atingiu a Levi Strauss no ano passado, quando enchentes no Paquistão e secas nos campos da China destruíram plantações de algodão e elevaram rapidamente os preços. Cada calça jeans produzida pela empresa utiliza cerca de um quilo de algodão.
Embora os cientistas sejam cautelosos ao ligar eventos climáticos extremos específicos à mudança climática global, o recente aumento das enchentes e secas segue os padrões que, conforme projeções antigas dos especialistas, resultariam do aquecimento global. De modo geral, os lugares úmidos se tornarão ainda mais úmidos e os secos ainda mais secos.
Upmanu Lall, diretor do Columbia Water Center, do Earth Institute da Universidade de Columbia, disse que as implicações locais de tais mudanças ainda estão sendo estudadas, mas que a ''agricultura, que funciona melhor com uma quantidade relativamente consistente de água, sofrerá os maiores impactos’'.
O algodão, o maior produto agrícola não comestível do mundo, é um caso especialmente problemático. Muitos países produtores de algodão, como a Índia, que conta com milhões de pequenos produtores de algodão, não possuem reservatórios para armazenar água, aumentando o risco de escassez.
As empresas que fazem negócios no exterior também têm de lidar com o aumento do preço da água, ou com níveis insuficientes de pureza da água. Há também o risco de publicidade negativa se o público considerar que uma empresa está desperdiçando uma preciosa reserva de água local.
''O volume total de água usada em uma única empresa de bebidas, por exemplo, pode não ser muito grande’', diz Lall. ''Mas essas empresas costumam ser os usuários mais visados em um determinado local, esgotando reservas de água subterrânea muito mais depressa que um pequeno agricultor, por exemplo.''
Os produtores dos Estados Unidos e da Europa estão cientes que o algodão já compete com grãos pelo que resta de terras aráveis em algumas regiões, uma tensão que apenas crescerá nas próximas décadas, à medida que o mundo lutar para alimentar uma população cada vez maior.
Produzindo ''algodão melhor’'

Foto: NYT
Produtor de algodão usa menos água em sua plantação, na Índia
Como a maior parte do algodão é cultivada por uma rede difusa de microagricultores em mais de 70 países, estimular práticas que sejam eficientes do ponto de vista hídrico é um enorme desafio. O cultivo de algodão consome mais de 3 por cento da água utilizada para fins agrícolas no planeta, e é responsável por 6 por cento das compras de pesticidas.
Práticas antiquadas como a inundação de campos contribuem para o consumo excessivo.
Em 2005, organizações não governamentais e da indústria do algodão, além de alguns dos grandes revendedores, entre eles a Ikea, a Gap e a Adidas, fundaram a organização internacional sem fins lucrativos Better Cotton Initiative, para promover a conservação hídrica e reduzir o uso de pesticidas e de trabalho infantil na indústria.
A Levi Strauss juntou-se à organização em 2009. Uma de suas parceiras é a Cotton Inc., uma associação de indústrias dos Estados Unidos que fornece know-how técnico. Uma pesquisa independente de três anos sobre agricultores na Índia concluiu que aqueles que utilizam as novas técnicas reduzem o uso de água e pesticidas em cerca de 32 por cento. Além disso, o lucro dessas fazendas foi 20 por cento superior às do grupo de controle que utilizava métodos tradicionais.
Kailash Himmitrao é produtor de algodão em Shelu, Índia, a cerca de 145 quilômetros a leste de Mumbai. Em um dos lados de sua fazenda de seis hectares, que foi usada para a comparação de métodos, os pés de algodão têm cerca de 30 centímetros a mais de altura e produzem mais flores do que os que se encontram do outro lado. O campo mais rico conta com um sistema de irrigação por gotejamento – um emaranhado de veias de plástico que direciona a água para a raiz de cada planta – que foi instalado com o auxílio da Better Cotton Initiative.
Mahalle diz que o sistema de gotejamento espalha a água e os fertilizantes de maneira mais uniforme que o método tradicional de bombeamento e, já que leva a água apenas para onde ela é necessária, o método também resulta em menos ervas daninhas.
As quedas de energia, muito comuns na Índia, tornaram-se uma preocupação menor, porque o sistema de gotejamento não requer o uso de energia por períodos prolongados, como os métodos de irrigação tradicionais. ''O novo método leva três horas, enquanto os outros levavam três dias’', disse Mahalle. Seu uso de água foi reduzido em 70 por cento.
O produto resultante dos novos métodos de plantio está sendo denominado pela Levi Strauss e pela iniciativa como ''algodão melhor’'. A alta administração da Levi Strauss afirma que cerca de 5 por cento do algodão utilizado nos 2 milhões de calças que a empresa enviou às lojas neste 4º trimestre foram produzidas através do método sustentável. A empresa espera que o número cresça para 20 por cento até 2015.
A rede de móveis Ikea espera passar a usar apenas ''algodão melhor’' até 2015. E a fabricante de calçados Adidas afirmou que fará o mesmo até 2018.
Para alcançar sua meta de 20 por cento, a Levi Strauss afirmou que terá de mudar radicalmente a maneira como administra seus negócios, dialogando mais diretamente com contratados e agricultores. Houve um tempo em que as empresas dos Estados Unidos preferiam não saber o que acontecia em suas fábricas no exterior – para que pudessem negar conhecimento caso fossem descobertas más práticas trabalhistas e ambientais.
A Levi Strauss, que declarou uma receita líquida de US$4,4 bilhões no ano passado, preferiu não revelar quanto está gastando com esforços voltados para a sustentabilidade hídrica, mas afirmou que a companhia e sua fundação já doaram um total de US$ 600.000 para a Better Cotton Initiative desde 2009.
Vendendo uma ideia Em uma manhã recente, na sede da Levi Strauss em São Francisco, os executivos da empresa estavam tentando descobrir a melhor maneira de capitalizar seus esforços pela conservação hídrica. Após ser informada sobre a iniciativa do algodão pela equipe de sustentabilidade, a nova diretora de marketing, Rebecca Van Dyck, balançou a cabeça demonstrando sua aprovação, e depois perguntou, ''Mas nossos consumidores sabem disso?''
De acordo com Van Dyk, uma pesquisa interna da empresa mostrou que os consumidores da Levi Strauss gostam de imaginar que estão mudando o mundo.
A empresa não revela resultados de vendas de produtos específicos, mas afirmou que calças da Levis Strauss comercializadas este ano com o selo da menor utilização de água venderam melhor que outras com preços semelhantes.
A empresa começará a divulgar seu comprometimento com a melhoria do algodão em vídeos publicados em seu website e apresentados em conferências de sustentabilidade.
Consumidores que faziam compras em uma loja Levi’s da Times Square recentemente disseram nunca ter ouvido falar na linha Water-Less da empresa, ou em suas outras iniciativas ambientais.
Nos fóruns online sobre calças jeans, as pessoas pareciam estar mais cientes dessas iniciativas. Edmund X White, um fotógrafo do Brooklyn, até escreveu uma diário de seus esforços para evitar lavar suas calças. Ele escreveu que, após dois meses de experimento, em sua lua de mel na Jamaica, ele mergulhou no mar de calças. Depois disso, disse White com orgulho, passou 11 meses sem lavar as calças.
''Desde que você não as suje de terra, não faça muitos exercícios pesados com elas e – desculpe se isso parece vulgar – use sempre uma cueca, você pode realmente passar muito tempo sem lavá-las’', ele escreveu.
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Das plantações de algodão na Índia rural até a lata coletora de tecidos para reciclagem, uma típica calça jeans consome 3,5 metros cúbicos de água durante o seu ciclo de vida, ou seja, o bastante para encher 15 banheiras de spa, segundo a Levi Strauss & Co. Isso inclui a água usada para irrigar a plantação de algodão e para costurar a calça, bem como para as diversas lavagens que realizamos em casa.
A empresa quer reduzir essa quantidade de qualquer maneira possível, e não apenas para projetar uma imagem de responsabilidade ambiental. Ela teme que a escassez de água causada pelas mudanças climáticas possa pôr em risco a própria existência da empresa nas próximas décadas, tornando o algodão caro ou escasso demais.
Além de avisar consumidores, Levi's criou uma linha que usa menos água para fabricação
Portanto, para proteger sua matéria-prima, a Levi Strauss ajudou a sustentar e defender um programa sem fins lucrativos que ensina a agricultores na Índia, no Paquistão, no Brasil e na África Ocidental e Central as mais novas técnicas de irrigação e de captura de águas pluviais. A empresa também lançou uma marca de jeans estonado amaciado com pedras, mas sem água. Além disso, ela está afixando em todos os seus jeans etiquetas pedindo para as pessoas lavarem menos os produtos e usarem apenas água fria.
Para os consumidores que desejarem maiores conselhos, a Levis Strauss sugere que os jeans sejam lavados raramente, ou nunca – a teoria é que colocá-los no freezer matará todos os germes que causam mal cheiro.
Mas as preocupações com a conservação não se limitam aos gigantes das roupas: conglomerados de comidas e bebidas, companhias de tabaco e companhias de metal e mineração estão todas começando a avaliar sua grande dependência da água. A Pepsico, por exemplo, adotou um método de higienizar garrafas plásticas com ar purificado ao invés de água em um fábrica do estado americano da Geórgia.
Para suas marcas Frito-Lay, a empresa identificou um tipo de batata resistente a estiagens que distribuiu aos agricultores, junto com um método de monitoramento de solo, para que as plantações sejam regadas apenas quando necessário.
O Carbon Disclosure Project, grupo que monitora a emissão de gases do efeito estufa por empresas, recentemente incluiu a segurança do abastecimento hídrico entre suas prioridades. Entre as 150 empresas que responderam a um questionário que o projeto enviou às maiores empresas do mundo no ano passado, quase 40 por cento afirmaram que problemas com água já haviam resultado em ''impactos prejudiciais’' aos seus negócios.

Foto: NYT
Para os jeans normais, empresa recomenda que não se lave muito
O risco de escassez de água atingiu a Levi Strauss no ano passado, quando enchentes no Paquistão e secas nos campos da China destruíram plantações de algodão e elevaram rapidamente os preços. Cada calça jeans produzida pela empresa utiliza cerca de um quilo de algodão.
Embora os cientistas sejam cautelosos ao ligar eventos climáticos extremos específicos à mudança climática global, o recente aumento das enchentes e secas segue os padrões que, conforme projeções antigas dos especialistas, resultariam do aquecimento global. De modo geral, os lugares úmidos se tornarão ainda mais úmidos e os secos ainda mais secos.
Upmanu Lall, diretor do Columbia Water Center, do Earth Institute da Universidade de Columbia, disse que as implicações locais de tais mudanças ainda estão sendo estudadas, mas que a ''agricultura, que funciona melhor com uma quantidade relativamente consistente de água, sofrerá os maiores impactos’'.
O algodão, o maior produto agrícola não comestível do mundo, é um caso especialmente problemático. Muitos países produtores de algodão, como a Índia, que conta com milhões de pequenos produtores de algodão, não possuem reservatórios para armazenar água, aumentando o risco de escassez.
As empresas que fazem negócios no exterior também têm de lidar com o aumento do preço da água, ou com níveis insuficientes de pureza da água. Há também o risco de publicidade negativa se o público considerar que uma empresa está desperdiçando uma preciosa reserva de água local.
''O volume total de água usada em uma única empresa de bebidas, por exemplo, pode não ser muito grande’', diz Lall. ''Mas essas empresas costumam ser os usuários mais visados em um determinado local, esgotando reservas de água subterrânea muito mais depressa que um pequeno agricultor, por exemplo.''
Os produtores dos Estados Unidos e da Europa estão cientes que o algodão já compete com grãos pelo que resta de terras aráveis em algumas regiões, uma tensão que apenas crescerá nas próximas décadas, à medida que o mundo lutar para alimentar uma população cada vez maior.
Produzindo ''algodão melhor’'

Foto: NYT
Produtor de algodão usa menos água em sua plantação, na Índia
Como a maior parte do algodão é cultivada por uma rede difusa de microagricultores em mais de 70 países, estimular práticas que sejam eficientes do ponto de vista hídrico é um enorme desafio. O cultivo de algodão consome mais de 3 por cento da água utilizada para fins agrícolas no planeta, e é responsável por 6 por cento das compras de pesticidas.
Práticas antiquadas como a inundação de campos contribuem para o consumo excessivo.
Em 2005, organizações não governamentais e da indústria do algodão, além de alguns dos grandes revendedores, entre eles a Ikea, a Gap e a Adidas, fundaram a organização internacional sem fins lucrativos Better Cotton Initiative, para promover a conservação hídrica e reduzir o uso de pesticidas e de trabalho infantil na indústria.
A Levi Strauss juntou-se à organização em 2009. Uma de suas parceiras é a Cotton Inc., uma associação de indústrias dos Estados Unidos que fornece know-how técnico. Uma pesquisa independente de três anos sobre agricultores na Índia concluiu que aqueles que utilizam as novas técnicas reduzem o uso de água e pesticidas em cerca de 32 por cento. Além disso, o lucro dessas fazendas foi 20 por cento superior às do grupo de controle que utilizava métodos tradicionais.
Kailash Himmitrao é produtor de algodão em Shelu, Índia, a cerca de 145 quilômetros a leste de Mumbai. Em um dos lados de sua fazenda de seis hectares, que foi usada para a comparação de métodos, os pés de algodão têm cerca de 30 centímetros a mais de altura e produzem mais flores do que os que se encontram do outro lado. O campo mais rico conta com um sistema de irrigação por gotejamento – um emaranhado de veias de plástico que direciona a água para a raiz de cada planta – que foi instalado com o auxílio da Better Cotton Initiative.
Mahalle diz que o sistema de gotejamento espalha a água e os fertilizantes de maneira mais uniforme que o método tradicional de bombeamento e, já que leva a água apenas para onde ela é necessária, o método também resulta em menos ervas daninhas.
As quedas de energia, muito comuns na Índia, tornaram-se uma preocupação menor, porque o sistema de gotejamento não requer o uso de energia por períodos prolongados, como os métodos de irrigação tradicionais. ''O novo método leva três horas, enquanto os outros levavam três dias’', disse Mahalle. Seu uso de água foi reduzido em 70 por cento.
O produto resultante dos novos métodos de plantio está sendo denominado pela Levi Strauss e pela iniciativa como ''algodão melhor’'. A alta administração da Levi Strauss afirma que cerca de 5 por cento do algodão utilizado nos 2 milhões de calças que a empresa enviou às lojas neste 4º trimestre foram produzidas através do método sustentável. A empresa espera que o número cresça para 20 por cento até 2015.
A rede de móveis Ikea espera passar a usar apenas ''algodão melhor’' até 2015. E a fabricante de calçados Adidas afirmou que fará o mesmo até 2018.
Para alcançar sua meta de 20 por cento, a Levi Strauss afirmou que terá de mudar radicalmente a maneira como administra seus negócios, dialogando mais diretamente com contratados e agricultores. Houve um tempo em que as empresas dos Estados Unidos preferiam não saber o que acontecia em suas fábricas no exterior – para que pudessem negar conhecimento caso fossem descobertas más práticas trabalhistas e ambientais.
A Levi Strauss, que declarou uma receita líquida de US$4,4 bilhões no ano passado, preferiu não revelar quanto está gastando com esforços voltados para a sustentabilidade hídrica, mas afirmou que a companhia e sua fundação já doaram um total de US$ 600.000 para a Better Cotton Initiative desde 2009.
Vendendo uma ideia Em uma manhã recente, na sede da Levi Strauss em São Francisco, os executivos da empresa estavam tentando descobrir a melhor maneira de capitalizar seus esforços pela conservação hídrica. Após ser informada sobre a iniciativa do algodão pela equipe de sustentabilidade, a nova diretora de marketing, Rebecca Van Dyck, balançou a cabeça demonstrando sua aprovação, e depois perguntou, ''Mas nossos consumidores sabem disso?''
De acordo com Van Dyk, uma pesquisa interna da empresa mostrou que os consumidores da Levi Strauss gostam de imaginar que estão mudando o mundo.
A empresa não revela resultados de vendas de produtos específicos, mas afirmou que calças da Levis Strauss comercializadas este ano com o selo da menor utilização de água venderam melhor que outras com preços semelhantes.
A empresa começará a divulgar seu comprometimento com a melhoria do algodão em vídeos publicados em seu website e apresentados em conferências de sustentabilidade.
Consumidores que faziam compras em uma loja Levi’s da Times Square recentemente disseram nunca ter ouvido falar na linha Water-Less da empresa, ou em suas outras iniciativas ambientais.
Nos fóruns online sobre calças jeans, as pessoas pareciam estar mais cientes dessas iniciativas. Edmund X White, um fotógrafo do Brooklyn, até escreveu uma diário de seus esforços para evitar lavar suas calças. Ele escreveu que, após dois meses de experimento, em sua lua de mel na Jamaica, ele mergulhou no mar de calças. Depois disso, disse White com orgulho, passou 11 meses sem lavar as calças.
''Desde que você não as suje de terra, não faça muitos exercícios pesados com elas e – desculpe se isso parece vulgar – use sempre uma cueca, você pode realmente passar muito tempo sem lavá-las’', ele escreveu.