quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CORTADOR DE CONFECÇÃO INDUSTRIAL – OU SE ATUALIZA OU SE TORNA UM EMPURRADOR DE MÁQUINAS


Cortador industrial de confecção é uma profissão tão antiga quanto o próprio segmento. Em cada nova coleção, a técnica desse profissional é mais exigida e, quanto menos se prepara, mais rápido se torna um empurrador de máquinas.
A exigência é habitual em qualquer atividade da indústria e no vestuário há um exemplo que ilustra bem a “obrigatoriedade” de estar preparado na profissão escolhida. Na década de 1980, quando uma empresa precisava contratar uma costureira, o que se lia no anúncio era: “precisa-se de retista e/ou overloquista”. Naquela ocasião, a candidata tinha que ser “especialista” em um tipo de máquina, poucas eram as costureiras que dominavam dois ou mais tipos. A profissional com esse perfil normalmente era mais bem remunerada.
Atualmente, o que se lê é “operadora de máquinas ou costureira polivalente”, denominação pela qual é conhecida a “antiga costureira”. Sobretudo para manter-se no mercado, essa profissional teve que buscar capacitação em pelo menos três diferentes tipos de máquina, por exemplo reta, overloque e galoneira.
Os conhecimentos adquiridos pelas costureiras são úteis e predominam até quando o mercado desejar, depois só valerão caso sejam acrescidas as novas exigências.
Não diferentemente das demais profissões, o cortador deve estar atualizado, seja pela necessidade de manter-se no mercado, seja para almejar cargos e salários ou, ainda, pela inserção sem volta da tecnologia no segmento, a qual ele precisa conhecer.
O que diferencia um cortador profissional de um empurrador? Não apenas a prática e a velocidade no manuseio da máquina, mas principalmente a técnica apurada que o cortador possui para interromper qualquer tipo de condição adversa à produtividade.
Podemos enumerar diversas qualidades em um cortador, porém o comprometimento e o profissionalismo se destacam, mas não o tornam uma excelência. É o prazer pelo que faz, aliado ao conhecimento técnico, que faz desse profissional um verdadeiro cortador industrial.
Na prática, um cortador industrial domina todas as etapas do setor de corte, tem amplo conhecimento sobre tecidos, apresenta facilidade para criar e/ou interpretar fichas (técnica, de corte e de controle de produção), além de elaborar com facilidade um planejamento de risco e corte (PRC). Sabendo da importância de estar atualizado, o cortador completa seu currículo com conhecimentos de modelagem e costura.

Etapas do setor de corte: encaixe, risco, enfesto, corte e preparação/separação
O conhecimento de modelagem permite ao cortador distinguir se a mesma é simétrica ou assimétrica. Dependendo do tipo de molde e do tecido a ser utilizado, o cortador escolhe qual encaixe (par, ímpar, par e ímpar ou ambos) é o mais indicado para aproveitar o máximo da matéria-prima.

Encaixe par de calça de moletom
Conhecedor também da costura, o cortador sabe que, ao trabalhar com tecidos de malha ou que possuem elastano em sua composição, o tipo de agulha a ser utilizada nas máquinas de costura será a agulha ponta bola fina. Portanto, ele não usará alfinetes para fixar o papel do risco (matriz, mapa) no enfesto, pois pode puxar ou romper os fios do tecido.
O empurrador de máquina intitula-se conhecedor pleno da quarta etapa do corte. Sua óptica sobre o próprio desempenho não o motiva a buscar novos conhecimentos. Para o empurrador, reciclagem é apenas tema de meio ambiente, seus anos de “experiência” suprem a necessidade de aprendizado.
A visão míope do empurrador o priva do aprendizado, o mantém afastado das tecnologias, caso do CAD e do CAM, que em meados da década de 1980 entravam nas salas de modelagem e corte. Além de aumentar a estatística de carência de mão de obra especializada.
Manter-se atualizado não é um modismo, mas uma imposição do mercado, um caminho sem volta para profissionais e empresas. Sendo assim, entendo que elas têm papel fundamental não apenas como propulsoras para incentivá-los a quebrar paradigmas, mas principalmente como incentivadoras para que os profissionais busquem atualização em suas carreiras, além de serem mais exigentes no momento da contratação.
Como benefício, as empresas poderão contratar cortadores profissionais, o que as tornará mais competitivas, além de diminuírem consideravelmente o número de empurradores de máquinas no mercado.

FABRÍCIO JOSÉ DA CUNHA É TECNÓLOGO EM PRODUÇÃO DO VESTUÁRIO PELO SENAI-SP, POSSUI LATO SENSU E ESPECIALIZAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO INDUSTRIAL PELA FUNDAÇÃO VANZOLINI/USP, É CONSULTOR DO SENAI VESTUÁRIO-SP E ATUA NO SETOR HÁ 25 ANOS.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Modelagem - Elemento de Criação no Desenvolvimento do Produto de Moda


A moda é dinâmica, está sempre apresentando visuais diferentes, propondo outros novos. Nela, a arte jamais prescinde a técnica.
Neste caso, estilo e modelagem devem caminhar lado a lado, para que mantenham uma parceria harmônica, redundando num bom produto.
Numa analogia breve, entre a moda e a música, poderíamos afirmar, que o estilo refere-se à sensação, produzida pelas ondas sonoras e a modelagem às notas atacadas pelo músico. Ou seja, em qualquer situação, ambas sempre manterão a dependência direta, uma da outra.
Não por acaso, as escolas de moda têm dado maior destaque à essa questão, no relativo ao aumento da carga horária da disciplina de modelagem, bidimensional e tridimensional, a fim de que o futuro profissional de moda, independente de qual vertente do segmento queira atuar, possa ter uma visão mais ampla – e crítica - do desenvolvimento do produto, no que diz respeito à forma da peça pretendida. Ainda é pouco, mas já é um bom começo!
Uma indústria de confecção inexiste sem a presença da modelagem, porque é ela que torna concreto o pensamento do criador. Pires (2004) aponta que fazer design é designar aspectos de formas, silhuetas, texturas, cores, materiais, emoções, associando-se a ergonomia na ampliação de benefícios, voltada para a estética, funcionalidade e o conforto. Desse modo, cabe-nos crer, que se a modelagem não cumpre o aspecto, principalmente, do conforto torna-se nula, por mais criativa e fulgural, que possa parecer a peça de vestuário.
Não à toa, James Lanver afirma, que o homem passou a cobrir o corpo, primeiramente, por necessidades físicas, a fim de afastar o frio, para depois pensar na questão estética do indumento (LANVER, 1993).
Ela, também, surgiu bem antes de a moda tornar-se um sistema de ordem própria, com suas metamorfoses incessantes (LIPOVETSKY, 1991).
Sendo assim, a arte de modelação (ou modelagem) é uma arte de proporcionalidade, deve criar condições, para se executar quaisquer peças do vestuário masculino ou feminino, adulto e infantil.
Além do conhecimento das medidas do corpo, é preciso que o profissional tenha noções de ergonomia, o que lhe permitirá a modelagem de roupas adaptadas à função do público consumidor (BORBAS, M. C.; BRUSCAGIM, R. R., 2007).
É uma profissão extremamente prática, que necessita de grande conhecimento técnico das formas, das medidas e movimentos do corpo humano. Isso não exclui a necessidade do profissional de buscar conhecimentos, de cunho teórico, que embasem o espectro dos saberes da moda. Pois só, ao fazer a conexão entre teoria e prática, de forma harmoniosa, é que se consegue, efetivamente, chegar a uma situação si ni qua non de um verdadeiro profissional de modelagem.
Modelar, pois, consiste na interpretação do modelo sobre a base, ou seja, na concretização das idéias do designer de moda e das informações registradas na ficha técnica do produto (SILVEIRA, 2006 apud BORBAS, M. C.; BRUSCAGIM, R. R., 2007).
O modelista é intérprete de uma linguagem muito especial, [...] O seu objetivo consiste em produzir moldes, que após cortados reproduzam o desenho e estejam de acordo com as medidas (ARAÚJO, 1996).
A Norma Técnica, que regulamenta as medidas padrão, para o traçado do diagrama na indústria brasileira é a NBR 13377 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT e apontam as principais medidas de circunferência do corpo humano, como busto, cintura e quadril.
No entanto, como não é obrigatória a sua aplicabilidade, as empresas de confecção desenvolvem as suas próprias tabelas de medidas, baseadas no público alvo, que consome a sua marca.
Há dois tipos de modelagem: a bidimensional ou plana e a tridimensional ou moulage (francês) ou drapping (inglês). A primeira é desenvolvida, manualmente, sobre um papel específico ou pelo sistema CAD, que é a forma de construção do diagrama e do molde, através do computador, com os ajustes feitos num corpo de prova, após a execução da peça-piloto.
E a segunda, a tridimensional, que consiste na construção do molde sobre um busto (manequim), masculino ou feminino, com os ajustes e correções prévias, para depois ser transferido, para o papel ou, ainda, digitalizados, para o sistema CAD. Esta técnica, ainda, é pouco utilizada nas confecções de grande produção. É empregada, em sua maioria, nos ateliers de costura sob encomenda, e começou a ser mais difundida nos meios industriais, no final da década de 80 e início dos 90, com o advento das faculdades de moda no país, e a entrada de novos produtos de moda, com a abertura das importações, pelo governo brasileiro.
É possível encontrar peças modeladas, sob essa técnica (moulage/drapping) em algumas confecções do Bom Retiro e Brás.
Dessa forma, é interessante o estudo desses métodos de modelagem, por uma simples questão: estando o setor, ainda engatinhando, nesse quesito, as interrelações deles, nos diversos segmentos de confecionados clarearão algumas indagações acerca do assunto, fortalecendo a idéia da criação de uma tabela efetiva de medidas, que sane alguns problemas das indústrias de confecção. Ao mesmo tempo, em que mostrará que é possível ter um método que margeie, pelo menos, as particularidades ligadas à limitação continental e biotípica de nosso país.

sábado, 28 de julho de 2012

Todas as tendências em moda praia da semana de moda de Miami - por Sorella Design


Os desfiles da semana de moda praia de Miami, mostram sempre as principais tendências para o segmento, por isso é tão esperado. O que será usado em 2013? Abaixo um resumo do que mais chamou atenção em termos de modelagem e estampas.
- Maiôs com recortes, ou tipo engana mamãe foram muito explorados, nada que lembre o maiô tradicional:
- Peças vazadas por recortes, fendas, tressês ou trabalhos que criem geometrismo com a própria lycra:
- Os hot pants continuam firmes e, na maioria das vezes, usados com tomara-que-caia:
- Na estamparia podemos destacar: as tribais/étnicos foram as grandes vedetes do evento, presentes na maioria dos desfiles. Tivemos também animal prints, ópticas e muitos recortes de cores formando color blocks:
A estilista Mara Hoffman traz sempre um espetáculo à parte e temos vontade de mostrar o desfile todo! Abaixo algumas peças só para ter o gostinho…
Swimwear 2013
Swimwear 2013
Swimwear 2013
Swimwear 2013
Swimwear 2013
Swimwear 2013
Swimwear 2013

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sônia Hess, Criada Para Dar Lucro - Dudalina



"Embaixatriz da paz" junto aos quinze irmãos, Sônia Hess assumiu a Dudalina há nove anos: "Morreria de fome se tivesse que sobreviver como contadora"
À frente da Dudalina desde 2003, Sônia Hess, 57 anos, se considera uma gestora focada em resultado, não em dinheiro. "Não quero retorno a qualquer preço", diz. Ao mesmo tempo, ela costuma afirmar que foi "criada para dar lucro". Junto com 15 irmãos, Sônia ajudou desde pequena a tocar a confecção de camisas no interior de Santa Catarina fundada pela mãe, Adelina Hess, 55 anos atrás. E décadas de conhecimento acumulado sobre o negócio devem ajudar a empresária a conduzir a Dudalina rumo à marca de R$ 1 bilhão de faturamento, em 2016.
A Dudalina começou a trilhar seu maior salto há dois anos, quando Sônia colocou em prática o plano de expansão da companhia via abertura de lojas monomarcas. De uma empresa industrial tradicional do setor têxtil, a Dudalina se estabeleceu no varejo. Em pouco tempo, as lojas da marca se espalharam pelos shopping centers, vendendo basicamente um tipo de produto: camisas, que custam em média R$ 300.
Em paralelo, a Dudalina se lançou no mercado feminino, até então inexplorado. A marca passou a estampar revistas de moda e comportamento, ganhou status de grife e, por fim, caiu no gosto de "mulheres de que decidem" (o slogan da linha feminina) como Maria Luiza Trajano e Ana Paula Padrão. "Somos democráticos. Vestimos do tamanho 34 ao 50", afirma Sônia.
O público feminino responde hoje por quase 30% das vendas totais (em R$) da empresa, que este ano devem alcançar R$ 380 milhões, 38,7% acima do registrado em 2011. Esse resultado ocorrerá após um crescimento de 57,5% no ano passado.
Até dezembro, a Dudalina atingirá 75 lojas, algumas delas franquias, mas a maior parte próprias. O formato é "double" - ou seja, com araras de camisas para homens e mulheres.
Informal e bem humorada, Sônia Hess diz que sua mãe planejou os 16 filhos "para ter mão de obra barata"
Apelidada de "embaixatriz da paz" junto aos irmãos pelo pai, Rodolfo de Souza (mais conhecido como "Duda"), Sônia assumiu o comando da Dudalina nove anos atrás à convite do conselho de administração da companhia. Isso ocorreu depois da empresária passar um período trabalhando em outras empresas do setor têxtil, em Minas Gerais. "Foi meu voo solo", comenta.
Na época, dois de seus irmãos também trabalhavam na companhia da família, mas o órgão de governança, formado por três familiares e três membros independentes, optou por Sônia. Ela passou a ocupar definitivamente a presidência depois de ganhar experiência nas áreas marketing, produto e comercial da empresa.
Quem conhece a empresária diz que o seu grande trunfo no mundo dos negócios é a habilidade em fazer as pessoas se sentirem à vontade. Nos escritórios da Dudalina, em São Paulo ou em Blumenau (SC), ela trabalha com a porta sua sala aberta, e recebe clientes, funcionários sempre com a mesma informalidade e senso humor que lhe é peculiar.
"Minha mãe quis muitos filhos para ter mão de obra barata", brinca, ao lembrar da época em trabalhava na lojinha da família em Camburiú (SC), que funcionava só no verão. "Férias em cidade pequena. Não tinha nada pra fazer. Trabalhar era uma forma que meus pais encontraram de ocupar o tempo das crianças", conta.
O pai, revela a empresária, era um trabalhador, que cultivava o hábito de escrever poesia. A mãe, uma empreendedora racional, de origem alemã. Da junção dos nomes "Duda" e "Adelina" surgiu a Dudalina.
Sônia acredita ter herdado dos pais as principais características que moldaram seu perfil profissional. Na Dudalina, ela exerce um modelo de comando que chama de "gestão compartilhada". Gosta de estar perto dos funcionários, principalmente das costureiras, que compõem a maior parte dos 2 mil colaboradoras diretos da companhia.
A empresária diz que se sente responsável por estimular cada uma delas na busca das metas da companhia. Na semana passada, Sônia se preparava, com certa ansiedade, para uma festa de comemoração de distribuição de bônus de participação nos resultados. "É o que mais gosto de fazer, dar esse retorno", conta.
Sônia afirma que não centraliza as decisões na empresa, mas que faz questão de participar de todas elas. Inclusive, nas áreas em que não domina completamente e estão sob controle de profissionais de sua confiança. "Morreria de fome se tivesse que sobreviver como contadora", assume. "Ou se precisasse realmente entender de tecnologia. Eu sou analógica".
Analógica ou não, ela é do tipo de pessoa que faz um monte de coisas ao mesmo tempo. Enquanto conversa, mexe no iPad. Não demora, ela reclama da lentidão do tablet, desiste do aparelho e pega um pente para arrumar o cabelo. "Está horrível hoje", fala, vaidosa, vestindo uma camisa Dudalina com mangas de renda preta e botões de cristal Swarovski.
De segunda à sexta, Sônia pega no batente antes das 7h e trabalha até às 20h. Depois desse horário, se desliga completamente da empresa. Vai ao supermercado, cozinha para a família - um de seus hobbies preferidos depois de cuidar dos gêmeos bebês, seus netos, filhos de uma de suas três enteadas.
O projeto de sustentabilidade social da companhia também é uma prioridade para Sônia. A Dudalina doa os retalhos de tecidos que sobram no processo de confecção das camisas para grupos de costureiras, que usam o material para fazer sacolas retornáveis. Depois, a companhia compra de volta essas sacolas e distribui para os seus clientes nas lojas.
Desde já, Sônia tem planos de deixar o comando executivo da Dudalina e ir para o conselho de administração. Se tudo se encaminhar como a empresária planeja, ela fará isso em no máximo três anos, quando completará 60 anos. O seu sucessor não será ninguém da família, mas um executivo de dentro da Dudalina que está sendo preparado.
Até lá, Sônia quer acelerar o andamento de alguns projetos. Um deles é a internacionalização da marca. "É algo que estamos começando com muito cuidado, muita humildade, pois ainda não sabemos muito bem onde estamos pisando", explica Sônia. A primeira loja Dudalina fora da América Latina, já está definida, será em Milão.

"Como fazer networking"


Como cultivar relacionamentos essenciais para uma pequena ou média empresa competir num mundo em que tudo e todos estão cada vez mais interligados.

São Paulo - A programação de sexta-feira de edison Moraes, dono da empresa atenua som, de São Paulo,é sagrada - tomar café da manhã com 49 donos de pequenas e médias empresas. A reunião começa às 7 em ponto e dura 1 hora e meia. Todos estão ali para apresentar seus negócios e pedir indicações uns aos outros de clientes, investidores, fornecedores e funcionários.
Para um desses encontros, Moraes, de 58 anos, tinha de preparar uma fala de impacto que coubesse nos 50 segundos, marcados num cronômetro, a que cada um tem direito. "Se você tivesse um cavalo de 1 milhão de reais, você daria qualquer tipo de comida a ele? Você, quanto vale? Está cuidando de si mesmo? Minha empresa fabrica portas e janelas que proporcionam o silêncio e a tranquilidade que você precisa para ter qualidade de vida. Atenua Som, a diferença entre morar e viver", disse solenemente.

Moraes é um dos 140.000 sócios que participam de um dos 6.200 grupos de networking organizados pela Business Network International (BNI), empresa americana que promove cafés da manhã desse tipo em 52 países e que chegou ao Brasil há três anos. O BNI funciona mais ou menos como uma escola onde se aprende a formar uma rede de contatos.
Há um método, lição de casa e castigo - quem se atrasa perde o direito de apresentar sua empresa naquele dia. O desempenho dos alunos é medido em número de indicações. Por tudo isso, paga-se uma anuidade de 1.560 reais. Moraes é o primeiro da classe. Desde que ingressou, em setembro de 2010, indicou 88 potenciais clientes aos colegas.

No mesmo período, sua empresa foi indicada 23 vezes. No ano passado, cinco dessas indicações resultaram em vendas dos produtos da Atenua Som para arquitetos e pessoas que estão construindo ou reformando sua casa e ajudaram a empresa a obter receita de 7 milhões de reais em 2011.

Que bons relacionamentos podem ajudar a vender mais e a levantar capital não é nenhuma novidade. "Uma boa agenda é útil para todo mundo, mas para um empreendedor é absolutamente indispensável", diz Ellen Rudnick, professora da escola de empreendedorismo da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.
---------------------------
Como cultivar relacionamentos essenciais para uma pequena ou média empresa competir num mundo em que tudo e todos estão cada vez mais interligados.

"Como não há tantos recursos como numa grande empresa, é preciso contar com a ajuda de outras pessoas." A novidade, no Brasil, é a recente proliferação de grupos que, como o BNI, se dedicam exclusivamente à prática de networking. Não existe um levantamento de quantos desses grupos existem no país - mas é certo que o empreendedor que se interessar não terá dificuldade para encontrar um.

"O surgimento de tantos eventos desse tipo é um reflexo da importância que as pequenas e médias empresas estão conquistando na economia", diz Ellen.
O americano Ivan Misner, fundador do BNI, notou que a maioria dos empreendedores tem dificuldade para formar uma rede de contatos. Muitos não sabem por onde começar ou ficam constrangidos ao abordar um desconhecido num coquetel ou no intervalo de um seminário. Os que vencem a timidez geralmente não sabem muito bem o que dizer.

E, entre os poucos que causam uma boa impressão, uma minoria consegue transformá-la num relacionamento que resulte em negócios. "Isso acontece por falta de conhecimento e de disciplina", diz Misner. "Quem acha que fazer networking é distribuir cartões de visita, provavelmente está só perdendo tempo."
Misner desenvolveu um método em que se pratica o mandamento número 1 do networking - dar para receber. Ao final de cada reunião, os empreendedores devem dar satisfação do que fizeram em prol do grupo durante a semana. "Espera-se que cada participante tenha, no mínimo, uma contribuição", diz Marcos Martins, diretor do BNI no Brasil.
Pode ser, por exemplo, uma indicação que um colega pediu no encontro passado. De acordo com Misner, em 2011 esses deveres de casa ajudaram os membros do BNI a fechar negócios de 3 bilhões de dólares em todo o mundo com base em 6,8 milhões de indicações.

A publicitária Elisa Ilges, de 28 anos, transpôs um obstáculo que costuma impedir a expansão de muitas pequenas e médias empresas - achar quem ponha dinheiro no negócio. Elisa e seu marido, Marcelo

Bittencourt, de 33 anos, são sócios do República Gourmet, um site de reservas de restaurantes. Eles conheceram serviços desse tipo na Espanha, onde Elisa cursou pós-graduação em marketing. O casal fez o plano de negócios lá mesmo e, em abril de 2011, o site foi ao ar. Conforme mais restaurantes se tornavam clientes do República Gourmet, maior era a necessidade de contratar funcionários. "Não tínhamos recursos para isso", diz Elisa. "Mas não sabíamos onde procurar um investidor."
---------------------------
Como cultivar relacionamentos essenciais para uma pequena ou média empresa competir num mundo em que tudo e todos estão cada vez mais interligados

Como é preciso começar de algum lugar, Elisa fez uma busca na internet para ver se achava um evento onde encontrasse outros empreendedores do mercado digital. Depois de comparecer a vários, de um ano para cá tornou-se assídua do Gelada Digital, em Florianópolis, onde morava, e do Ideias na Laje, em São Paulo.
Os dois são uma mistura de happy hour com apresentações de empresas nascentes - e atraem empreendedores que conversam sobre suas ideias e desafios com o intuito de conhecer pessoas que os ajudem com conselhos, parcerias ou capital. "Frequento eventos como o Gelada Digital e o Ideias na Laje pelo menos duas vezes por mês", diz Elisa.

Conhecendo um empreendedor aqui, outro ali, Elisa foi melhorando o jeito de apresentar sua empresa até que conseguiu explicar, de forma sucinta, o que um investidor teria a ganhar se investisse no negócio. Um dia, logo depois de fazer uma apresentação do República Gourmet numa das edições do Ideias na Laje, Elisa e Bittencourt foram procurados por um casal que também estava no evento.
"Eles disseram que gostaram de nossa apresentação e que tinham interesse em investir na empresa", diz Elisa. Dali, as coisas evoluíram para conversas mais concretas. No meio do caminho, Elisa recebeu uma proposta do grupo gaúcho RBS, de empresas de comunicação. O convite aconteceu também depois de um evento em que Elisa e o marido puderam conhecer Felipe Matsunaga, diretor de fusões e aquisições do grupo.

Em maio, o RBS comprou uma participação no site e, agora, o serviço do República Gourmet foi incluído em dois dos portais do grupo. Além disso, com a injeção de capital feita pelo RBS, o serviço de reservas deve ser oferecido em 16 cidades até o final deste ano - hoje, são cinco.

Pode parecer surpreendente que encontros como os frequentados por Moraes, da Atenua Som, e Elisa, do República Gourmet, atraiam interesse nestes dias em que há tantas redes sociais na internet - várias delas relacionadas, de alguma forma, ao mundo dos negócios. É verdade que a internet reduziu distâncias.
---------------------------
Como cultivar relacionamentos essenciais para uma pequena ou média empresa competir num mundo em que tudo e todos estão cada vez mais interligados

Nos anos 60, o psicólogo americano Stanley Milgram demonstrou que todas as pessoas estão separadas por, no máximo, seis outras. Ou seja, teoricamente é possível, por meio de alguém que conhece alguém que conhece alguém, falar até com o papa.

Um estudo recente realizado por uma universidade italiana em parceria com o Facebook fez simulações com 69 bilhões de relações de amizade de 721 milhões de usuários da rede social. A conclusão foi que hoje seria matematicamente possível falar com o papa - caso o papa esteja no Facebook - com apenas quatro indicações.

Quem acumulou mais de 200 contatos no Facebook ou em outra rede sabe bem que quantidade não é qualidade. "Quem tenta se relacionar com um monte de gente ao mesmo tempo tende a aproveitar mal as conexões, pois a atenção se dispersa", escreveu o professor Robert Cross, especialista em comportamento organizacional da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, num artigo sobre redes sociais e negócios publicado na revista Harvard Business Review.

A limitação parece ser fisiológica. Segundo o antropólogo inglês Robin Dunbar, o cérebro do ser humano não consegue armazenar informações suficientes para manter mais que 148 relacionamentos minimamente aproveitáveis. Por aproveitável, considera-se conhecer o interlocutor o suficiente para um diálogo que vá além do "que calor".

O publicitário Fabio Genovezi, de 31 anos, é dono da Maxximo Fidelidade, que gerencia planos de fidelidade para empresas. Ele tem quase 500 contatos na agenda do celular. "Uso mesmo, no máximo, 100", diz Genovezi. "Não dá para se dedicar a todo mundo." Entre os que recebem sua atenção estão 15 empresários da Associação Comercial e Industrial de Joinville. Eles se conheceram em eventos da entidade, descobriram interesses em comum e passaram a sair para jantar com frequência.

Um deles é o empreendedor Alonso José Torres, que organiza um ciclo anual de palestras para empresários da região. Neste ano, Torres está trazendo Romero Rodrigues para fazer uma apresentação sobre a empresa que fundou, o site de pesquisa de preços BuscaPé. "Nas conversas para organizar a palestra, fiquei sabendo mais sobre o modelo de negócios do BuscaPé e achei que havia alguma afinidade com a Maxximo Fidelidade", diz Torres.

"Pensei que as duas partes pudessem ter interesse numa aproximação." Genovezi foi apresentado a Guilherme Stocco, executivo responsável por novos negócios do BuscaPé. Alguns almoços e reuniões mais tarde, as duas empresas firmaram, em maio, uma parceria. Pelo acordo, o programa da Maxximo deve ser oferecido a 2 milhões de usuários do programa de fidelidade do Bondfaro, um dos sites do BuscaPé.
---------------------------
Como cultivar relacionamentos essenciais para uma pequena ou média empresa competir num mundo em que tudo e todos estão cada vez mais interligados

Mas por que uma indicação tem tanta importância? Qual é a diferença, por exemplo, entre ser apresentado a um investidor ou enviar a ele o seu plano de negócios? (Vamos combinar, primeiro, que no mundo do empreendedorismo não deve existir troca de favores apenas porque essa ou aquela pessoa é amiga do seu amigo.)
"A diferença está na qualidade da informação", diz Marcos Almeida, diretor do Novo Horizonte, fundo que investe em empresas de internet. "Presume-se que o interlocutor conheça as partes o bastante para só indicar algo interessante." Almeida diz que, nesses casos, as coisas tendem a andar mais rapidamente. "Quem me faz sugestões já costuma apontar os pontos fortes e os fracos da empresa indicada", diz Almeida. "Isso ajuda na análise."
Em princípio, qualquer conhecido pode ser o ponto de partida do caminho que chega a um bom negócio. Pode ser o cabeleireiro, um ex-funcionário, um parente, uma ex-colega de escola. O mineiro Marco Flavio Neves, de 43 anos, por exemplo, precisava de um braço direito para cuidar do dia a dia da operação de sua empresa, a TWT, que desenvolve softwares de gestão. Nos últimos cinco anos, o faturamento vem crescendo cerca de 60% anualmente e chegou a 2,5 milhões de reais em 2011.
"Não é fácil achar um bom executivo que queira trabalhar numa empresa do tamanho da minha", diz Neves. A solução apareceu com uma indicação de um amigo de infância, que recomendou seu cunhado, o holandês Jacob van Dem Berg, de 40 anos. Van Dem Berg está na empresa desde fevereiro e, segundo Neves, já melhorou a gestão de vários departamentos da TWT.

São poucos os empreendedores que aproveitam essas relações naturais, simplesmente porque não dizem no que, afinal, consiste a empresa deles. "Achamos que nossos familiares e amigos sabem o que a gente faz, mas não é nada disso", diz Marcelo Breda, de 40 anos, sócio da Informov, empresa de projetos de engenharia e arquitetura de São Paulo.
"Às vezes, nem nossos fornecedores sabem direito." Por isso, Breda tem o hábito de convidar semanalmente fornecedores e prestadores de serviços para reuniões e almoços na Informov, nos quais ele explica detalhadamente o trabalho da empresa - desde fornecer móveis e equipamentos para escritórios até projetar e construir salas ou fábricas inteiras.
Uma vez, Ivan Nunes, gerente da agência bancária que atende a Informov, levou sua chefe. Durante a conversa, ela contou que seu marido era um dos diretores da empresa de tecnologia Oracle e que ele estava selecionando arquitetos para reformar uma unidade da companhia em São Paulo. "No final, não fechamos com a Oracle, mas pelo menos participamos da concorrência", diz Breda.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Empreendedor Poliglota


Negócios foram feitos para ser rentáveis, mas por que alguns não são tão rentáveis? Muitas vezes porque o Administrador não percebe que a sua empresa é um sistema complexo e que todas as áreas devem estar interrelacionadas.
Vejamos o exemplo dos empreendedores com perfis técnicos, são pessoas que desenvolveram conhecimentos e habilidades técnicas, conhecem muito bem o que fazem, o seu processo produtivo ou de aplicação, conseguem, com grande desenvoltura, dissertarem horas sobre a melhor forma de aplicar o seu produto ou serviço e, detectam, com muita facilidade, como resolver quase todos os problemas de produção ou execução, mas falham na hora de colocar o seu produto ou serviço no mercado, têm dificuldades em determinar o valor de seu produto. Digamos que estes empreendedores conhecem o idioma “PRODUCÊS” e, não raro, seus negócios não são rentáveis.
Há o exemplo dos empreendedores com perfis comerciais, são pessoas que têm o dom de encantar o cliente, conseguem transformar uma situação de mal estar com o cliente em uma oportunidade de negócio, têm fácil trânsito entre as empresas potenciais consumidoras dos produtos ou serviços de sua empresa, conseguem costurar muitas alianças e parcerias, sempre estão envolvidos com Associações de Classes, adoram aparecer, seja na mídia ou em pequenos eventos e, quando vão às feiras e convenções, acabam com seus cartões de visitas, mas falham na hora de fechar um negócio rentável, sempre acreditando que estão investindo para um futuro que demora a chegar, às vezes nem chega. Digamos então que estes empreendedores conhecem o idioma “COMERCIALÊS” e, não raro, seus negócios não são rentáveis.
Temos o exemplo dos empreendedores com perfis financeiros, não tomam um passo sem fazer um devido cálculo, costumam deixar as oportunidades passarem enquanto analisam os números, têm muitas dificuldades em lidar com riscos, até investem em tecnologias, mas consideram que investir no ser humano para tocar a tecnologia investida é algo incompatível economicamente com a sua empresa, mesmo sabendo que tal tecnologia que investiram fique parada. Acham que o mercado está cheio de gente pronta para trabalhar em sua empresa, mas nunca encontram estas pessoas, só tomam decisões baseadas nos números, sabem exatamente quanto a empresa deve faturar e gastar, mas têm dificuldades em determinar como. Estes empreendedores conhecem o idioma “FINANCÊS” e, não raro, seus negócios não são rentáveis.
O melhor exemplo de todos são dos empreendedores que conseguem misturar o “PRODUCÊS”, “COMERCIALÊS” e o “FINANCÊS”. Estes conseguem obter o melhor de cada perfil e atingem o equilíbrio necessário para a convivência pacífica destas três características. Normalmente têm suas biografias invejadas e, aos olhos dos outros, são apenas pessoas com sorte. Sêneca define que a sorte é o encontro da oportunidade com a capacidade. Estes raramente têm dificuldades financeiras em suas empressas, afinal, negócios foram feitos para ser rentáveis.
 
 
Edson Carlos de Oliveira
Consultor de Custos e Estratégias
www.consultoriaplanecon.com.br