sábado, 27 de outubro de 2012

Como Funcionam Alguns dos Maiores e-Commerces de Vestuário do Brasil.


Mariana Medeiros, Isabel Humberg e Rosana Sperandeo, sócias do Oqvestir.
Mariana Medeiros, Isabel Humberg e Rosana Sperandeo, sócias do Oqvestir.
Em 2008, quando Mariana Medeiros pensou pela primeira vez em vender roupas pela internet, a ideia parecia fora da realidade. “Durante a gravidez, precisei fazer um repouso absoluto por três meses e comecei a comprar tudo online. Foi aí que senti falta de uma loja na internet que entregasse roupas femininas”, conta Mariana, advogada por formação, que logo dividiu a ideia com a amiga Rosana Sperandeo, que atuava como jornalista.
Na época, os e-commerces de moda estavam despontando nos Estados Unidos, e o Net-a-Porter, o modelo seguido pelo site brasileiro, fundado em 2000, atingia o sucesso no segmento. “No Brasil, ninguém oferecia esse serviço, então a gente não sabia o tamanho do mercado. Tivemos que romper muitas barreiras”, conta Mariana.
A dupla abandonou os empregos formais e começou a trabalhar no projeto. Depois de muitas conversas, investimentos e planos, o Oqvestir entrou no ar no dia 14 de maio de 2009. Mas a equipe ainda não estava completa. Um pouco depois da inauguração, Mariana conheceu Isabel Humberg, também advogada. “Meu marido começou a ajudar as meninas com a parte de tecnologia, porque ele trabalha com internet desde 1999, mas quem acabou entrando para o time fui eu”, lembra Isabel.
Com a tríade formada, o desafio foi conquistar o mercado aos poucos. Com 2 anos de vida, o e-commerce ganhou um investidor para provar que o trabalho feminino estava dando certo: o Tiger Global, acionista de empresas da web, como Facebook, Linkedin e Mercado Livre. “Depois disso, as coisas ficaram mais calmas”, diz Mariana. “Era necessário um investimento pesado para manter o crescimento.”
A sede, que antes ficava em um espaço de 250 m2, ganhou um estoque de 2 mil m2. Comparando agosto de 2011 com o mesmo mês de 2012, o número de marcas cresceu 184% – hoje são 128 –, o faturamento subiu 292%, o número de pedidos, 268%, e a quantidade de peças vendidas, 262% – atualmente são cerca de 16 mil itens vendidos por mês. “O grande desafio é se manter estruturado, sem deixar nenhuma área para trás. Não adianta crescer sem atender o cliente”, conclui Rosana. E detalhes como produção de looks, editoriais, possibilidade de devolução e a revista online, uma novidade do site, são alguns dos mimos que conquistam os 8 milhões de pageviews por mês. E essa ascensão tem tudo para continuar. “A gente sabe que é só o começo. Ainda tem muita gente com medo de comprar pela internet e é aí que mora a certeza de crescimento”, conclui Isabel.

O sucesso deles

Thibaud Lecuyer, Malte Horeyseck, Malte Huf-fmann e Philip Povel são o quarteto multinacional por trás da Dafiti e suas 550 marcas. O francês, os alemães e o brasileiro, respectivamente, são os reis dos sapatos na internet, embora hoje roupas, acessórios e até objetos de decoração também estejam disponíveis no endereço virtual, que nasceu em janeiro de 2011. “Começar com uma categoria foi uma escolha para criar uma relevância específica. E, para a mulher, a compra do sapato é muito emocional”, avalia Malte Horeyseck.
No lançamento, a plataforma já contava com 70 marcas – esse número foi multiplicado quase oito vezes, com mais de 62 mil produtos disponíveis. “Compramos pelo menos 50% da coleção de todas as marcas. Até 80% em alguns casos”, revela Malte. Capodarte, Dumond e Lilly’s Closet são alguns dos sucessos da Dafiti, que contabiliza 35 milhões de acessos por mês. Após a primeira fase, a implantação do site no primeiro ano de vida, a nova empreitada é inspirar a compra por meio de conteúdo e da revista impressa trimestral da Dafiti, que já está em seu quarto número, com 250 mil exemplares de circulação distribuídos nas caixas dos produtos comprados na loja. “O conteúdo não só informa mas também atrai a venda”, diz ele. Além disso, eles acabam de lançar a linha premium, com marcas mais estreladas – e caras.
A ideia de conquistar pela informação também é uma das sacadas do site Olook, e-commerce que, antes de completar 1 ano de existência, já comemora conquistas. Criado pela dupla de empresários Peter Ostroske e André Beisert e com Helena Linhares na direção criativa, o site funciona de maneira diferente: ao entrar na página, você faz um cadastro e preenche um quizz, que gera um perfil. Com base nele, é criada uma vitrine personalizada, que muda mensalmente, com bolsas, sapatos e acessórios que combinem com seu estilo. “Queríamos uma compra divertida, exclusiva e adaptada para cada mulher”, conta André.
Outro diferencial do Olook é o fato de vender apenas a marca própria, produzida em uma fábrica em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, sob a batuta de Helena, o que possibilita um valor abaixo da média do mercado, variando de 69 a 199 reais. No total, são 250 novos produtos por mês e cerca de 10 mil peças vendidas no mesmo período. “Além da própria vitrine, a pessoa pode ver as roupas de acordo com a ocasião, por tendências ou até conferir coleções passadas, que ficam quatro meses disponíveis para compra”, diz. E, para facilitar, dicas de estilo da diretora criativa. “A ideia é descomplicar a moda, fazer uma coisa mais leve. Todas as áreas do site dão suporte a isso. Seja qual for a maneira de compra, nós ajudamos”, conclui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Não tenha medo de profissionalizar o negócio familiar

Não tenha medo de profissionalizar o negócio familiar
Fonte: Jornal do Brasil
É natural que, durante seus ciclos de vida, todas as empresas enfrentem problemas e corram o risco de permanecerem estagnadas. Além dessas dificuldades, as companhias familiares apresentam outras questões específicas de seu caráter que podem comprometer o desenvolvimento.
Dois processos são fundamentais para a perpetuação de uma empresa familiar. O primeiro deles é a sucessão que, quando mal planejada ou mal conduzida, pode resultar no fracasso do empreendimento. Este processo precisa ser pensado com antecedência para que ocorra da melhor forma.
A presença do fundador é muito importante, pois ele conhece o caráter da empresa, o contorno cultural, imprimiu os valores e os consolidou nas políticas de gestão. Ele é a pessoa adequada para identificar o herdeiro mais preparado para assumir o comando levando em conta, não só suas habilidades, mas também sua capacidade de continuar o modelo cultural estabelecido.
Sucessões determinadas apenas por laços familiares prejudicam o desenvolvimento da companhia. São casos de protecionismo e paternalismo, às vezes existentes nessas organizações, que debilitam seu crescimento.
É comum encontrarmos situações em que o empreendedor tem como sucessor de todo seu império, um filho que não está interessado na administração. Com um planejamento sucessório, todos esses aspectos serão analisados na escolha de um profissional capacitado para gerir a empresa, com todas as competências inerentes ao cargo que irá assumir.
O segundo processo que diminui as dificuldades e melhora a produtividade e o desenvolvimento da empresa é a profissionalização. É um instrumento utilizado para diferenciar os interesses da família e os da empresa, diminuindo possíveis conflitos.
Profissionalizar significa estabelecer critérios gerais que irão nortear as decisões dos diretores, além de criar regras para a definição de papéis corporativos e divisões de tarefas dentro da companhia.
A conscientização da família é o primeiro passo para realizar a profissionalização, pois o processo também se aplicará aos membros por meio de seu enquadramento às regras vigentes, avaliação do seu desempenho e adequação da sua conduta, da mesma forma que qualquer membro da organização.
Para elaborar uma profissionalização nas empresas familiares é necessário conhecer a cultura implantada pelo fundador. Seus posicionamentos e atitudes traduzem os valores e princípios sob os quais a companhia foi baseada. A empresa que agregou sua atuação, o conhecimento do fundador e dos demais colaboradores ao negócio, não perderá a imagem que construiu com a implantação de um programa de profissionalização. Ao contrário, a tarefa do consultor é aperfeiçoar e agregar recursos a fim de melhorar o desenvolvimento da companhia.

Camisas ao gosto do freguês na Blank Label

A Blank Label, alfaiataria virtual fundada por Fan Bi e Danny Wong, faturou mais de 1 milhão de dólares em 2011 ao permitir que os clientes desenhem as próprias camisa      

Fan Bi e Danny Wong, fundadores da alfaitaria virtual Blank Label
Bi e Wong: receitas 40% maiores em um ano

Mesmo para quem não está muito interessado em moda é difícil entrar no site da empresa americana Blank Label sem gastar alguns minutos brincando de estilista. Lá é possível determinar, entre dezenas de tecidos, o que vai servir de base para criar uma camisa masculina sob medida.
No processo de criação, o cliente pode escolher também o estilo da gola, a cor dos botões e se é ou não para incluir um bolsinho. Dessa personalização toda é que vem o nome da empresa — em português, blank label quer dizer "etiqueta em branco" (é mesmo possível desenhar uma etiqueta exclusiva ou bordar as iniciais).
Essa espécie de alfaiataria virtual começou a nascer em 2009 nas mãos do chinês Fan Bi, de 24 anos, e do americano Danny Wong, de 21. Na época, Bi havia contratado Wong para ser um dos vendedores da empresa que ele acabara de criar, uma fabricante de roupas sob encomenda para jovens universitários que frequentavam as faculdades próximas a Boston, onde eles estudavam.
Wong, um aficionado de tecnologia e internet, propôs ao futuro patrão transportar o negócio para o mundo virtual. "Gostei tanto da ideia que o chamei para sócio da nova empresa", diz Bi.
Wong cuida da operação do site, cujas  diversas possibilidades permitem que um cliente forneça nove medidas para adaptar a camisa a seu corpo, como comprimento do braço, do tronco e do ombro e tamanho do punho, do colarinho e da cintura. "Cada cliente pode criar uma peça exclusiva, cuja combinação dificilmente será copiada por alguém", diz Wong. Ele também cuida da divulgação da marca, fortemente apoiada em redes sociais e em blogs.
Por trás dos croquis virtuais, Bi deve garantir que tudo funcione direito. Ele é o responsável por manter uma rede de fornecedores pelo mundo — há componentes de origem italiana e japonesa, por exemplo. As fábricas em que as camisas são montadas ficam na China, onde a mão de obra mais barata viabiliza um negócio com baixa escala.
"Cinco funcionários nossos em Xangai controlam a qualidade das peças", diz Bi. Para fazer as camisas chegar aos clientes, a Blank Label firmou contrato com uma operadora logística de alcance internacional. Em média, uma camisa demora quatro semanas para chegar à casa de um cliente em qualquer lugar do mundo.
Em 2012, a Blank Label deve faturar 1,5 milhão de dólares — 40% mais do que em 2011. No início, Bi e Wong achavam que seu consumidor típico eram jovens em busca de roupas diferentes. Uma pesquisa feita há dois anos mostrou a eles que o mercado é muito maior.
"Quase 90% de nossos clientes são executivos que querem camisas mais bem ajustadas", diz Bi. Os dois sócios pretendem ampliar a atuação em breve. "Já estamos trabalhando no lançamento de uma linha para mulheres ", diz Bi.
Fonte: Exame

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Histórias secretas de Playboy (4): o dia em que Pelé foi, pessoalmente, recolher todas as fotos de Xuxa nua

De repente, ali estava ele: o sorriso planetariamente conhecido, o topete típico, inimitável, metido dentro de um estranho traje entre o terno e um conjunto esportivo, com calças e uma espécie de paletó ou casaco sem gola e do mesmo material: couro macio azul. No mais, uma camiseta cinza-clara também sem gola, sapatos pretos reluzentes, um relógio vistoso no pulso esquerdo.
O Rei, o Atleta do Século, o mago, o mito. O homem mais famoso do mundo, Pelé, acabara de chegar a uma sala no 6º andar da na época sede da Editora Abril, na Avenida Marginal do Tietê, em São Paulo, naquela tarde de um dia de um determinado mês, provavelmente maio, de 1985.
Celebridades eram rotina naquele edifício, mas Pelé causou grande alvoroço
Naquele edifício era comuníssimo, fazia parte do dia-a-dia o entra-e-sai de celebridades de todos os calibres — governantes, inclusive presidentes, líderes políticos, ídolos do esporte, estrelas da TV e da música popular, modelos de sucesso –, para realizar visitas de cortesia, conceder entrevistas, tirar fotos ou almoçar com jornalistas ou diretores da empresa no restaurante do chamado Roof, um espaço ajardinado situado na cobertura que incluía um heliporto.
Mesmo assim, tratava-se de Pelé, s sua chegada provocou grande alvoroço. Corre-corre na chegada, gritinhos, pedidos de autógrafo, uma atmosfera que incluiu até as secretárias, algumas venerandas, do Sexto Andar — o andar abaixo do da redação de VEJA e onde se instalava a diretoria, e cuja numeração ordinal designava, na gíria interna da Abril, o poder na empresa. “O Sexto Andar vai gostar desta capa”, dizia-se. “O Sexto Andar ainda não decidiu pelo lançamento da revista tal”. E por aí vai.
A missão do Rei: recolher todas as fotos de Xuxa nua
Pelé abrira espaço na sua movimentadíssima agenda para uma missão de caráter pessoal: recolher, ele mesmo, todos os cromos (slides) e negativos de todas as fotos em que Maria da Graça Meneghel, a Xuxa, namorada do Rei desde 1981, aparecia nua nas páginas de Playboy. Xuxa, àquela altura, ultrapassara de longe a categoria de estrelinha em busca de popularidade, que exibia o corpo no Carnaval e surgia seminua ou despida em revistas, e se consolidava havia dois anos na TV como a apresentadora de programas infantis que se tornaria a “Rainha dos Baixinhos”.
Preocupada com sua nova imagem, Xuxa, que posara nua em cinco oportunidades para uma concorrente de Playboy de circulação menor, a extinta Ele & Ela, da Bloch Editores, não queria deixar rastros dessa fase de sua vida. Pelo que entendi da conversa, as fotos da revista dos Bloch já haviam retornado a suas mãos, já que ela era a grande atração da também já extinta Rede Manchete de Televisão, do mesmo grupo. (Xuxa iria se transferir no ano seguinte, 1986, para a Globo, onde trabalha até hoje. No mesmo ano terminaria seu longo caso com Pelé).
A apresentadora ainda tomaria medidas polêmicas nessa refeitura de imagem, que incluíram a apreensão, graças a uma medida judicial, de todas as cópias em vídeo e DVD do filme Amor Estranho Amor (1982), do respeitado cineasta Walter Hugo Khouri, no qual sua personagem não apenas aparecia nua como introduzia um menino de 12 anos no mundo sexo.
Os advogados de Xuxa argumentaram, com sucesso, que o contrato para o filme não previa versão para vídeo ou DVD. Xuxa viu-se muito criticada uma vez que, não mais sendo reprisado no cinema, e raríssimas vezes na TV — hoje em dia, certamente não na Globo –, o filme praticamente desapareceu da cultura brasileira.
Apagar o passado de símbolo sexual
A reunião na Editora Abril ia na mesma linha de apagar o passado da estrela como símbolo sexual. E Xuxa jogara pesado: enviara ninguém menos do que Pelé como seu emissário. A reunião fora acertada entre Pelé e o diretor de Redação na época, o quase legendário Mário Escobar de Andrade, que comandou direta ou indiretamente a revista desde pouco tempo após o lançamento, em 1975, até falecer de forma prematura em 1991, quando, sem deixar de supervisionar Playboy, vinha acumulando outras funções.
Eu era redator-chefe da revista por ocasião da reunião com o Rei – só muito tempo mais tarde, em 1994, depois de trabalhar em diferentes veículos, inclusive fora da Abril, seria convidado a tornar-me diretor de Redaçãod de Playboy. Naquele 1985, como redator-chefe, supervisava o trabalho de editores e repórteres, cuidava das reportagens, entrevistas, matérias de serviço e de todo o texto, da primeira à última palavra, mas nada tinha a ver com a contratação das garotas de capa nem com os ensaios de mulheres nuas, atribuição de outros colegas e do diretor de Redação.
Mesmo assim Mário, por alguma razão, me quis presente à reunião, talvez como testemunha. As redações das revistas mensais da Abril não mais cabiam no edifício da Marginal do Tietê, e a maioria delas, inclusive a de Playboy, localizava-se num prédio no bairro paulistano do Brooklyn. De lá viemos para o encontro. À nossa espera estava o dr. Edgard de Silvio Faria, um dos diretores da Abril, cujas funções incluíam a área jurídica.
Depois de atravessar com paciência o torvelinho de assédio a que estava inteiramente acostumado há décadas, o Rei chegou à sala sem assessores ou advogados, acompanhado apenas de seu irmão, Jair Arantes de Nascimento, o Zoca, dois anos mais novo, que funcionava como uma espécie de assessor pessoal. Feitas as apresentações, todos se sentaram e, após alguns minutos de small talk, Mário foi à luta.
Na reunião, o irmão de Pelé pingava adoçante no cafezinho do Rei
Sempre cativante e diplomático, como de seu feitio, Mário de Andrade começou elogiando Pelé pelo que representava para o Brasil e por sua simplicidade a despeito da fama, agradecendo o fato de ter vindo pessoalmente à Abril. Disse que a devolução das fotos era uma deferência especial a ele, Pelé, e também uma consideração para com Xuxa.
Nesse meio tempo, me impressionou o relacionamento de Pelé com o irmão que tentou, sem êxito, ser jogador de futebol profissional pelo mesmo time do Santos. Zoca agia como uma espécie de mordomo de Pelé, que por sua vez se comportava em relação ao irmão como patrão. Se o garçom da Abril servia um café a Pelé, Zoca apressava-se, a um sinal do Atleta do Século, a pingar adoçante na xícara. Confesso que fiquei um tanto chocado com o servilismo de Zoca, e com a naturalidade com que Pelé o encarava.


Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/

Formação de técnicos no país ainda é insuficiente.

defasagem: Apesar de iniciativas recentes do governo, número de alunos em curso médio especializado é bem inferior ao visto em nações desenvolvidas

A diferença entre o número de brasileiros no ensino superior (6,7 milhões) em relação ao de matriculados em cursos técnicos de nível médio (1,2 milhão) é um "paradoxo com o qual não podemos conviver". Palavras da presidente Dilma Rousseff em abril do ano passado, quando lançou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). "No mundo inteiro essa relação é absolutamente diferente."
Apesar do crescimento de 60% nos últimos cinco anos, a quantidade de jovens na educação profissional, proporcionalmente, é inferior não só à de países desenvolvidos, mas também à de Argentina e Chile, segundo especialistas. Uma realidade que impõe ao Brasil uma série de desafios para atender à demanda por mão de obra qualificada de uma economia emergente.
A necessidade de contratar técnicos se intensificou com a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) e em face das projeções de investimentos do setor privado. Só o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) prevê que, até 2015, o país terá de formar 7,2 milhões de trabalhadores em nível técnico e áreas de média qualificação para atuar em profissões industriais.
Enquanto isso, quase oito milhões de estudantes fazem o ensino médio tradicional, com as disciplinas teóricas preparatórias para o vestibular - e distantes da realidade dos jovens e do mercado de trabalho.
Com o Pronatec, o governo quer ampliar a oferta de vagas gratuitas na rede federal de educação, ciência e tecnologia e no Sistema S, entre outras ações. Este ano deve ser investido R$ 1,6 bilhão, com o objetivo de chegar a 1,6 milhão de matrículas no ensino técnico, sobretudo nas modalidades concomitante e subsequente.
- Não temos um apagão de mão de obra, mas é imperativo formar profissionais para setores que visam a ter ganho de produtividade, como a indústria, e de uso intensivo de trabalhadores, caso da construção civil - diz o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Marco Antonio de Oliveira, responsável pelo Pronatec.
cultura do "bacharelismo"
Para o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi, a lógica educacional do país deve tirar o foco do "bacharelismo":
- Pela lógica do sistema, parece que todos os alunos vão para a universidade, mas pouco mais de 14% dos brasileiros de 18 a 24 anos frequentam o ensino superior. Muitos saem da escola sem uma bússola para o mercado de trabalho.
Inspirado no pai, Jofre Bezerra Felix, de 23 anos, deu uma guinada na vida profissional após fazer um curso no Senai. Começou cedo, no primeiro ano do ensino médio, como aprendiz de mecânico. Especializou-se em ferramentaria de moldes para plásticos e, depois, fez curso técnico em mecatrônica, no Senai do Brás, Zona Leste de São Paulo.
- Minha ideia era fazer faculdade, mas as empresas me diziam que quem era da área operacional e só tinha curso superior demorava mais para chegar aos cargos mais altos - afirma Jofre. - Fiz o técnico para acelerar minha ascensão na carreira e chegar mais perto dos níveis gerenciais.
Já trabalhando, entrou em engenharia mecânica na Universidade São Judas. Preparou-se para a Olimpíada do Conhecimento do Senai - e venceu. Jofre está no segundo ano da graduação e é instrutor no curso técnico em mecânica no Senai em Santo Amaro, Zona Sul. Quer fazer pós-graduação e montar uma empresa:
- A formação técnica me deu uma profissão e um norte na vida.
Para a professora da Faculdade de Educação da USP Carmen Vidigal Moraes, pesquisadora de políticas públicas para o ensino profissional, a expansão das matrículas no ensino técnico deveria dar prioridade à modalidade integrada:
- Precisamos de mais escolas em período integral e professores bem remunerados.
Mas Carmen critica o discurso "pragmático" e "reducionista" que vincula a educação às necessidades do mercado:
- A educação é um direito inalienável de inclusão cidadã que tem objetivos mais amplos - afirma Carmen.
A Lei das Cotas, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em agosto, também vale para as 38 instituições federais de ensino técnico de nível médio. As escolas deverão reservar, no próximo processo seletivo, pelo menos 12,5% das vagas para alunos que tenham cursado integralmente o ensino fundamental na rede pública, chegando a 50% dentro de quatro anos.
Metade deverá ser para estudantes com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita (R$ 933). A outra parte será destinada à soma de negros, pardos e indígenas na população de cada unidade da Federação.
Fonte:Autor(es): Carlos Lordelo. O Globo

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

“Ah não é comigo não, é com outra pessoa ou com outro setor”.



Já não é de hoje que venho notando com muita freqüência,que quando colaboradores são abordados no dia á dia no trabalho. E quando questionado tem respondido esta frase. Pelo menos tenho percebido com muita tristeza e insatisfação profissionalmente falando.
Gostaria de ser um psicólogo para ir mais afundo, mas confesso que me falta expertise no assunto em questão. Porém fico a me perguntar se o que vêm acontecendo é despreparo destes colaboradores, medo de prejudicar alguém,tirar o corpo fora,não querer ter o trabalho de resolver o assunto e etc...
Mas o que percebo é que  muitas das vezes e não são poucas, os assuntos que precisam ser resolvidos está ligado ao tratado no momento, apenas é uma continuação de algo anterior ou da pessoa que interliga o departamento Afirmo.quando estes profissionais se abstém a resolver, dando estas desculpas como citado no parágrafo anterior.
Porque disso tudo, se é quem ganha com estes problemas resolvidos são na sua íntegra a: corporação e o próprio profissional envolvido. Mas quero aqui confessar e com profunda preocupação, é que tenho apurado, é que estes colaboradores têm é medo de perder seus empregos, por isso que agem desta maneira. Pelo menos é isso a impressão que sinto. E vocês meus amigos deste artigo, o que acham?

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Investidores utilizam música e cultura urbana como inspiração. Roupas e acessórios ganham destaque em desfiles dentro de eventos.

 
Transformar gírias e regionalidades em roupas e acessórios é um desafio que muitos jovens do Sul de Minas têm assumido. Eles montam grifes próprias e de maneira independente, por meio das roupas e acessórios recriam expressões e fontes de renda.
“Interiô é mato”. A forma escrita em conjunto com a oralidade da palavra Interiô, que significa interior, resumem o sucesso da grife criada há cinco anos pelo empresário Roberto José de Lima, 26 anos, conhecido como Bebeto, que também é músico.
Com desenhos e frases criativas, ele encontra mercado junto a grupos e artistas da região. “As pessoas se identificam com o orgulho de morar em Minas Gerais e a grife propõe justamente isso”, explica.
Bonés são o novo investimento da grife Interiô (Foto: Arquivo Pessoal/ Interiô)
Bonés são o novo investimento da grife Interiô (Foto: Arquivo Pessoal/ Interiô)

A marca, que começou a ser divulgada no boca a boca, hoje tem adeptos em várias cidades e até mesmo em municípios do interior de São Paulo, para onde Bebeto viaja e expõe as roupas em feiras e eventos de hip-hop.
O crescimento da marca também permite que ele comercialize as roupas em lojas de Poços de Caldas (MG) e as produza também em larga escala para grupos de dança, que adotam moletons e camisetas da marca como figurino em apresentações por todo país.  Recentemente ele lançou, por meio das redes sociais, a campanha “Vista-se por dentro”, que estimula os usuários da marca a tirarem fotos com as roupas e postarem em redes sociais como o Facebook.
 
As pessoas se identificam com o orgulho de morar em Minas Gerais e a grife propõe justamente isso"
Bebeto criador da Interiô
“A maior dificuldade foi no começo. Até conseguir a confiança das pessoas, quebrar a barreira entre uma brincadeira que deu certo e uma marca que as pessoas querem vestir. Hoje eu tenho a minha própria estamparia, funcionários, costureiras e loja virtual. Resolvi sair da informalidade e me profissionalizar”, conta.
A fórmula deu certo. Tanto que hoje, além de confeccionar as roupas da própria grife e vestir alguns artistas locais, Bebeto terceiriza confecções para outras pessoas. “Já fiz roupas para o grupo de rap Inquérito, que é do interior de São Paulo, mas percorre todo país com shows, para a marca Suburbano Convicto, da capital paulista e até mesmo para o Portal Rap Nacional, que fica em Itajaí (SC)”, lembra.
Bebeto, criador da grife Interiô é um dos investidores deste novo mercado (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Bebeto, criador da grife Interiô é um dos investidores deste novo mercado (Foto: Jéssica Balbino/ G1)
O economista Rafael Sangiotto acredita que a expansão do mercado para este tipo de grife tem a ver com a identificação que as pessoas encontram nas roupas.
“As pessoas criam uma marca, normalmente, por dos motivos: fortalecer uma ideia e ganhar dinheiro. O que normalmente dá certo quando há planejamento e um público apto a consumir”, considera.
A jornalista Lúcia Ribeiro, 25 anos comprova isso. Ela é uma das adeptas da grife. “Eu visto a marca Interiô porque achei sensacional ideia de sair às ruas com um produto de qualidade, sem falar que a marca tem a mão de alguns amigos meus que batalharam muito para ver as roupas no meio da galera. Eu me sinto muito confortável com as camisetas, tanto que comprei duas de uma vez só. Se o objetivo da marca é deixar a pessoa linda, conseguiu comigo”, dispara.
Para estilista Lorena dos Santos 32 anos, os empresários têm notado que público que acompanha movimentos e é ligado à culturas urbanas é cada dia mais expressivo. “Sabemos que o mercado ainda não atende a necessidade deste público com excelência, por isso vemos tantas marcas investindo, de forma significativa e em larga escala. Vale destacar que o hip-hop preza muito isso e dissemina, através das roupas, mensagens coerentes, atuais e criativas”, pontua.
Zaika, com figurino sustentável feito pela grife Lolita Az Avessas (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Zaika, com figurino sustentável feito pela grife Lolita Az Avessas (Foto: Jéssica Balbino/ G1)
Dona de uma grife independente, a Lolita Az Avessas, que também mescla a música com a moda, Lorena acredita que a criatividade é o que impulsiona jovens empresários no ramo da moda. “Eles tem atitude e querem mostrar isso. A roupa é uma das maneiras encontradas para eles se expressarem. Eu mesma mesmo a minha grife com a cultura hip-hop, visto que a rua é a maior fonte de informação que um estilista precisa para construir qualquer tipo de trabalho. É ali que existe a diversidade. Um exemplo é que a grife desenvolve figurinos para a cantora Zaika dos Santos e estabelece esse diálogo ao abordar a sustentabilidade”, considera.
 
Eles tem atitude e querem mostrar isso. A roupa é uma das maneiras encontradas para eles se expressarem"
Lorena empresária da moda
Parcerias, investimentos e moda
O empreendedorismo sempre fez parte da vida de Erison Ribeiro. Aos 22 anos ele é empresário há dois anos e mantém uma loja em uma galeria de Poços de Caldas, voltada ao estilo hip-hop.
Antes disse, ele já se aventurava em confecções próprias e criou a K.O., marca inspirada na expressão “Não vem com caô”, e representada por um diamante quebrado. “Diamante não quebra, logo é mentira. Resolvi fazer esse trocadilho e investir na marca. Graças a Deus tem dado certo, tanto nos figurinos femininos como nos masculinos”, relata.
Ele conta também que tudo começou com uma paixão por moda e por hip-hop e da brincadeira surgiu a profissão. “Hoje tenho também a marca que leva o nome da minha loja, a Dog Style, com confecções masculinas, femininas, estampas e bordados. “Resolvi criar esta nova marca para divulgar a loja e para o pessoal entender um pouco mais sobre o estilo que eu vendo e quero propagar na região”, afirma.
Na loja, ele recebe amigos, conhecidos, promove pequenos encontros e eventos e propaga o ideal contido nas marcas. Além, é claro, de faturar o suficiente para manter-se longe do vermelho. “O mais importante é que trabalho com o que eu gosto, vendo as minhas roupas e invisto no estilo que acredito”, pontua.
Marília e Erison durante o desfile para apresentação da grife K.O. (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Marília e Erison durante o desfile para apresentação da grife K.O. (Foto: Jéssica Balbino/ G1)
O bacana é que Ribeiro é parceiro de Bebeto, e muitas das estampas, inclusive da K.O., são feitas na estamparia da Interiô, como um trabalho personalizado. Juntos, inclusive, já estiveram à frente do desfile de modas “Alternativa B.”, realizado em 2011 para adeptos da cultura hip-hop em Poços de Caldas e que reuniu quarto marcas diferentes e 16 modelos.
 
Com o desfile encontramos uma forma de sermos nós mesmos. É algo que está no coração, no nosso modo de viver e de ser"
Erison Ribeiro dono de grife e loja
Quem também faz questão de fortalecer as novas marcas é Marília Wugirl, da cidade de Tatuí (SP). Ela trabalha com moda e sempre que pode, visita Poços de Caldas para participar de eventos, como o desfile Alternativa B. “Eu e meu marido gostamos de fortalecer a cultura hip-hop e nosso trabalha com moda favorece isso. Foi uma honra ser convidada para o desfile”, diz.
E a frase dela é compleada pela de Ribeiro. “Com o desfile encontramos uma forma de sermos nós mesmos. É algo que está no coração, no nosso modo de viver e de ser”, finaliza.


FONTE: PORTAL G1

As lições de Bill Gates para o mundo dos negócios.

Na época em que muito se fala sobre o estilo de inovação de Steve Jobs e da Apple, as pessoas esquecem que um dos precursores da revolução tecnológica foi Bill Gates. Conheça a história desse visionário e as cinco lições que ele deixa para os negócios

Você pode ter 15, 30, 40 ou 60 anos. A verdade é que, independente da sua idade ou geração, em algum momento você já utilizou algum produto ou software da Microsoft. O texto escrito no Word, a planilha salva no Excel, o bate papo no MSN.
Para você ter ideia, a gigante da tecnologia e informática é a detentora da maior fatia de computadores espalhados no mundo. A cada 10 pessoas, pelo menos sete usam o sistema operacional criado pela empresa, o que reforça o slogan da Companhia: "um computador em cada mesa e em cada lar". Sem falar em serviços on-line, venda de licenças, produção de eletrônicos, entre outros.
Se o alcance da Microsoft tem uma proporção difícil de mensurar, tudo isso foi possível pelo visionário Bill Gates. Aos 16 anos, ele já tinha um negócio e mostrava ter uma característica que o acompanharia até hoje: ser um empreendedor-nato. A Microsoft surgiu quando ele ainda estudava na Harvard e decidiu seguir sua vocação para os negócios ao abrir a empresa com Paul Allen, um amigo de infância.
O crescimento da Microsoft foi tão rápido quanto implacável. Na segunda metade de 1980, a Microsoft tornou-se a queridinha da Wall Street. Em vez de apenas desenvolver linguagens de programação, a Microsoft passou a ser uma companhia diversificada e produzia tudo, desde sistemas operacionais, como Windows, até aplicativos, como Word e o Excel, bem como ferramenta de programação. Todo esse sucesso fez com que Gates ficasse classificado regularmente como a pessoa mais rica do mundo, posição ocupada por ele de 1995 a 2007, e em 2009.
Imagem: Wikimídia

Para Erick Vils, fundador da WebSoftware, empresa de tecnologia da informação do Rio de Janeiro, o legado de Bill Gates para o mundo tecnológico é importantíssimo. "Você consegue imaginar as alternativas ao longo destas décadas que as empresas e pessoas teriam de usar caso não houvesse um Windows e milhões de softwares compatíveis? A Microsoft sempre se preocupou com o legado e a compatibilidade entre versões de seus sistemas. Para nós, fabricantes de software, teria sido um pesadelo ter de adaptar todos os sistemas a cada troca de sistema operacional ou lançamento de um hardware fabricado por um asiático", afirma Erik.
Aproveitando oportunidades
Uma das marcas de sucesso de Bill Gates está em aproveitar as oportunidades que aparecem. Para Vidal Olavo Plessmann, coordenador do curso de MBA em Desenvolvimento de aplicativos da Fiap, essa é uma das principais virtudes do CEO da Microsoft. "Gates foi visionário ao buscar a parceria com a IBM para criar o PC nos anos 1980", relembra.
Na época, a IBM, líder no mercado de grandes computadores, resolveu entrar no mercado de computadores e não possuía o sistema operacional. Para isso, fechou contrato com a Microsoft que, na realidade, não possui o software. Então, o ainda jovem Bill Gates comprou por cerca por US$ 50 mil um sistema desenvolvido por uma pequena empresa, personalizou e melhorou o programa transformando no MS-DOS, licenciou o produto e o vendeu por US$ 8 milhões.
Mas o talento de Gates não estava apenas no domínio e o conhecimento do mercado de softwares ou sua capacidade de enxergar oportunidades. A preocupação com as demais áreas ajudaram Bill Gates alcançar tudo que conquistou. "Grandes áreas como logística, distribuição, marketing e comercial precisam ter peso muitas vezes até maiores do que a área de desenvolvimento. A Microsoft soube fazer isso muito bem durante anos", explica Erick Vils.
E até quem não gosta de utilizar a Microsoft reconhece o seu legado. Esse é caso de André Tenenbaum, diretor da agência de soluções digitais ZONAInternet. "Posso dizer que nunca fui um simpatizante do Bill Gates por conta dos seus usuários não enxergarem as vantagens de uma plataforma mais amigável como o Amiga e o Mac. Mas com certeza o admiro como um executivo de visão que soube explorar comercialmente sua ideia e transformar seu negócio e os computadores pessoais em algo para todos", destaca André.
As cincos lições de Gates
Gates, assim como a Microsoft, se transformou em um ícone muito odiado por alguns e amado por outros. No entanto, à frente da Microsoft, deixou um legado que ultrapassa a barreira tecnológica e atinge um modelo singular de administrar uma empresa. Confira cinco lições dele para gerir um negócio:
1 - Fale a linguagem. Gates falava a linguagem dos programadores. Isso é um de seus triunfos como líder. Conversar com colegas técnicos fornece-lhe um canal aberto de comunicação que permite inspirar os empregadores da Microsoft a voar cada vez mais alto.
2 - Esteja no lugar certo na hora certa. Uma crítica frequente feita à Microsoft é que a companhia não é uma grande inovadora e que, ao contrário, apenas rouba ideias dos outros. Contudo, o que a companhia faz bem é reconhecer o potencial das ideias e comercializá-las. Gates sempre estava antenado em tudo que acontecia ao seu redor para poder aproveitar uma oportunidade, potencializá-lo e alavancar o negócio.
3 - Contrate gente muito inteligente. "Gente com alto QI" é uma expressão da Microsoft utilizada para designar as pessoas muito brilhantes. Desde o início Gates sempre procurou as melhores mentes. Ele sabia que ter uma equipe vencedora seria fundamental para obter sucesso, ou seja, ele buscava sempre o melhor time ao seu lado.
4 - Mantenha a sensação de uma companhia pequena. No início da evolução da Microsoft, Gates chegou à conclusão de que o melhor software era criado por pequenos grupos de desenvolvedores. A ideia dele sempre foi valorizar cada equipe para que rendessem mais. "Mesmo que sejamos uma grande companhia", dizia, "não podemos pensar desse modo ou estaremos mortos".
5 - Seja apaixonado pelo que faz. A paixão pela Microsoft e por cada serviço e produto criado estiveram presente durante a trajetória de Bill Gates à frente da Microsoft. Esse foi um dos grandes combustíveis para que a companhia conseguisse manter tanto tempo como uma das empresas líderes da tecnologia.

sábado, 13 de outubro de 2012

Oportunidade de Trabalho



Olá Amigos, Oportunidade de Trabalho.

Com a deficiência cada vez mais latente no ramo têxtil, mais especificamente em confecção de roupas. Como mão-de-obra direta. Como costureiras, cortadores, auxiliares. Agora também para mão-de-obra de indireta, vagas estas de PPCP, Logística, Chefes de Produção, Gerentes. Por isso hoje quem têm uma boa network e pode disponibilizar nas redes sociais pode contribuir de forma incisiva na busca de vagas, o famoso “QI” quem indica. Então para quem é do Rio de Janeiro e está na busca de recolocação no mercado ou conhece alguém, divulguem estas três oportunidades ambas para Chefe de Produção. A primeira vaga é para Campo Grande, a segunda vaga é para São Gonçalo e a terceira e última é para Jacarepaguá.

1-Campo Grande (contato Waldelice) (0xx5521)7457-3739
2-São Gonçalo (contato Amauri Maia) (0xx5521)8625-4946
3-Jacarépagua (contato Marcelo) (0xx5521)8812-6764

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Osklen Deve ser Vendida para Dona da Havaianas


Desfile da Osklen: venda para a Alpargatas seria passo para crescer no exterior, diz blog
São Paulo – Nos próximos dias, a Alpargatas deve assinar o contrato para comprar a grife de roupas Osklen, fundada pelo empresário e estilista Oskar Metsavaht. A informação é do blog Radar Online, de Veja.
O acordo marcaria o final de, pelo menos, um ano de negociações entre a Osklen e potenciais compradores. Quando o negócio surgiu na imprensa, em outubro do ano passado, falava-se de uma possível venda de controle ou, pelo menos, da entrada de um sócio relevante para impulsionar a grife.
Segundo o Radar Online, Oskar continuará como um sócio de peso na nova configuração, além de seguir como o principal executivo. Para a Alpargatas, a ideia é transformar a Osklen em um sucesso no exterior, segundo o blog, a exemplo do que fez com sua marca mais famosa: as sandálias Havaianas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Negócios foram feitos para ser rentáveis, mas por que alguns não são tão rentáveis?

Negócios foram feitos para ser rentáveis, mas por que alguns não são tão rentáveis? Muitas vezes porque o empreendedor tem dificuldade em avaliar e determinar metas de custos, preços e volume de vendas, bem como identificar o potencial do mercado. Vejamos o quadro abaixo:
A empresa ALFA já está no mercado, vende o seu produto por R$14, o qual tem o custo de R$10 e vende, em média, 1.000 unidades mensais. Como já está habituada ao mercado, já ajustou os seus custos fixos ao valor mensal de R$2.000, o que lhe gera um lucro de R$2.000.
A empresa BETA está entrando no mercado agora, porém os seus sócios são mais ambiciosos e ousados e, por conta de diversos fatores, determinaram o custo fixo mensal em R$10.000, ou seja, além de uma estrutura mais cara do que a empresa ALFA, também almejam pró-labores maiores. Têm todo o direito, mas será que atingirão esta meta?
Suponhamos que a demanda do mercado se limite a 3.000 unidades mês. Pois é, nem todos que entram no mercado se preocupam em saber qual é o potencial do mesmo.
Se a empresa BETA necessita conquistar o mercado, retirando fatias da concorrência, por ser desconhecida, terá que ter um atrativo, sendo assim, vejamos o cenário 1. Pelo mesmo custo da concorrência, venderá um pouco mais barato, R$13,50. Esta estratégia faz sentido se analisada isoladamente, mas ao conquistar um terço do mercado potencial, ou seja, 1.000 unidades, com o preço de venda menor e o custo fixo maior, terá um prejuízo de R$6.500.
Cenário 2, se a empresa BETA, após um enorme esforço de marketing conseguir a fatia de 1.000 unidades de venda mensal, para a sua estrutura de custo fixo terá que vender o produto por R$22, ou seja, 57% mais caro do que a concorrência. Será possível?
Se a empresa BETA quiser conquistar o mercado ao mesmo preço de venda do cenário 1, porém aumentando a quantidade vendida, terá que vender 3.429 unidades. Já analisamos que o mercado se limita a 3.000 unidades. Esta empresa sobreviverá por quanto tempo?
Empreendedores, planejamento, organização, direção e controle são quatro ferramentas das quais não se pode desprezar, mesmo que a empresa ainda não esteja funcionando, estas ferramentas podem ser determinantes até para se abortar o empreendimento, afinal, negócios foram feitos para ser rentáveis.
 
NEGÓCIOS FORAM FEITOS PARA SER RENTÁVEIS, CONSULTE UM ESPECIALISTA EM CUSTOS
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Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas "Meu pai está aplaudindo, no céu, a redução dos juros" O mineiro Josué Gomes da Silva, 48 anos, é um empresário de fala mansa e com um timbre de voz incrivelmente parecido com o de seu pai, o ex-vice-presidente da República José Alencar, falecido no ano passado. Por Luís Artur NOGUEIRA No comando da Coteminas, um dos gigantes mundiais do setor têxtil, Gomes da Silva tem trânsito fácil em Brasília e, seguindo o legado paterno, é hoje umas das vozes mais atuantes do empresariado brasileiro. “É legítimo e imprescindível que o governo brasileiro adote medidas para conter a valorização do câmbio, gerada por esse tsunami monetário”, diz o empresário, que é um dos conselheiros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Tenista nas horas vagas e torcedor fanático do Atlético Mineiro, o empresário conversou com a DINHEIRO, no escritório central da Coteminas, em São Paulo. “O Brasil está rompendo com uma cultura que se formou segundo a qual o País tinha de ter um regime de juros estratosféricos”, afirmou. DINHEIRO – O Iedi tem lutado, há anos, pela criação de fontes alternativas de financiamento de longo prazo. O BNDES está sobrecarregado? JOSUÉ GOMES DA SILVA – Sim. É lógico que o papel do BNDES é imprescindível para a economia brasileira. Porém, por mais competente que ele seja, é preciso que nós desenvolvamos outros instrumentos de crédito. O BNDES não pode nem deseja ser o único responsável pelo financiamento de longo prazo no País. DINHEIRO – Como fazer isso? GOMES DA SILVA – Sem poupança de longo prazo não há crédito de longo prazo. Por isso, enquanto a Selic continuava pagando rendimento elevado no overnight, seria impossível convencer alguém a poupar no longo prazo. Com a queda dos juros, esse quadro muda. Além disso, é importante haver um mercado secundário com ampla liquidez para esses títulos, e oferecer benefícios tributários para quem aplicar o dinheiro por mais tempo. DINHEIRO – Os juros baixos no Brasil vieram para ficar? GOMES DA SILVA – Sim. A presidenta Dilma soube aproveitar a oportunidade gerada pela crise para reduzir os juros. E o Banco Central, que foi criticado pelo mercado em meados do ano passado, hoje é elogiado por ter se antecipado a um quadro de piora do cenário internacional. É importante salientar, no entanto, que a Selic ainda é elevada, se compararmos com as taxas reais negativas de vários países. Não estou dizendo que tem de baixar mais, mas apenas que os títulos públicos brasileiros oferecem ampla segurança aos investidores, o que permite pagar taxas menores. DINHEIRO – O seu pai, José Alencar, tinha exatamente a bandeira dos juros... GOMES DA SILVA – Papai tinha a real noção de que o Estado pertence a cada um dos brasileiros. Nesse contexto, ele não se conformava com gastos absolutamente desnecessários que o Estado tinha com o pagamento do serviço da dívida pública. Ele ficava triste e indignado. Então, não tenho dúvida de que meu pai está aplaudindo, no céu, a redução dos juros. O Brasil está rompendo com uma cultura que se formou, segundo a qual o País tinha de ter um regime de juros estratosféricos. DINHEIRO – Como o sr. avalia o discurso da presidenta na Assembleia-Geral da ONU, contra o afrouxamento monetário dos países ricos? GOMES DA SILVA – O que a presidenta Dilma falou na ONU é a mais pura verdade. É óbvio que a emissão de moeda traz consequências para os países emergentes. Portanto, é absolutamente legítimo e imprescindível que o governo brasileiro adote medidas para conter a valorização do câmbio, gerada por esse tsunami monetário. É preciso proteger a indústria. Falar em comércio livre sem que as condições isonômicas de competição existam, na verdade, não é falar em comércio livre. No boxe, por exemplo, você não coloca um lutador peso-pena contra um peso-pesado. O mesmo raciocínio vale em relação à concorrência da China. DINHEIRO – A indústria brasileira é realmente competitiva? GOMES DA SILVA – Posso assegurar que, no caso da indústria têxtil e de outros setores, a nossa produtividade e a nossa qualidade são elevadíssimas, dentro dos muros das fábricas, e podem ser comparadas com as de qualquer país. Nós perdemos competitividade por fatores externos às empresas, como por exemplo a falta de infraestrutura e a taxa de juros ainda elevada. DINHEIRO – Mas o governo tem adotado várias medidas favoráveis à indústria... GOMES DA SILVA – Com certeza são medidas necessárias para sermos competitivos no cenário internacional. Cito a redução dos juros, o novo patamar cambial, a desoneração da folha de pagamento, a depreciação acelerada de bens de capital, a redução do custo da energia e as concessões rodoviárias e ferroviárias, que diminuirão os custos de infraestrutura. 46.jpg Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento no governo Lula DINHEIRO – Ainda assim, o sr. acha correto o governo adotar medidas protecionistas? GOMES DA SILVA – É imprescindível que, durante esse período de transição, enquanto as medidas econômicas não surtem efeito, o governo tome medidas para proteger a indústria nacional. Ainda mais neste momento em que os países desenvolvidos estão liquidando os seus produtos a qualquer preço. O setor têxtil, inclusive, já encaminhou um pedido de salvaguardas para as confecções, o que faz parte das regras da OMC. Posso dizer que, nesse caso, a sinalização do ministro Guido Mantega foi positiva. DINHEIRO – Com tantas medidas de estímulo, a retomada dos investimentos está agora nas mãos dos empresários, certo? GOMES DA SILVA – Não é bem assim. Não se reconstrói a competitividade de um país em tão pouco tempo. O governo está atento e sabe que precisa fazer ainda mais. Agora, o empresário obviamente investe quando há perspectiva de que o mercado vá absorver aquele aumento de produção. Por isso, o governo não deixa o mercado interno encolher. A produção é puxada pela demanda. Se houver demanda, o empresariado continuará investindo. O empresário brasileiro acredita e sempre acreditou no Brasil. Não há desânimo no setor empresarial. O que há é uma análise da realidade como ela é. DINHEIRO – Por que o governo sempre prioriza a indústria automobilística na hora de estimular a demanda? GOMES DA SILVA – Sou a favor de medidas horizontais, ou seja, que valem para todos, porque são sempre as mais eficazes, como juros, câmbio e energia. Mas, em determinados momentos, é preciso estimular alguns setores que têm efeito multiplicador na economia. O objetivo é evitar um ciclo negativo de redução de produção, emprego e massa salarial, que seria ruim para todos os setores. É óbvio que o governo tem de ter cuidado para não criar distorções. Quando você incentiva mais o setor A, há um deslocamento da renda para lá, o que acaba diminuindo, num primeiro momento, o potencial de compra de produtos dos outros setores. Sou a favor de incentivos verticais, ou seja, medidas específicas, para setores nascentes, como aconteceu com a Embraer no passado. DINHEIRO – A propósito, o governo anterior foi criticado por utilizar o BNDES na escolha de empresas campeãs nacionais, como no caso da JBS. Isso é correto? GOMES DA SILVA – Isso é algo mais polêmico. É muito importante que o País tenha grandes grupos nacionais, fortes e competitivos globalmente. Porém, esses grupos têm de ser formados graças à capacidade de gestão de cada um deles e não fruto da escolha do Estado. O Estado precisa tomar mais cuidado porque ele pode escolher errado. Ele precisa apoiar aqueles que estão ganhando. Cito como exemplos de sucesso empresas como Gerdau, Embraer, Natura, Vale, Coteminas, Petrobras, Ambev, WEG e BR Foods, e nenhuma delas foi necessariamente escolhida pelo Estado para ser campeã. Ele tem que apoiar, não tem de eleger. A escolha não é própria de um Estado democrático, não acho correto fazer isso. Quero deixar claro que eu acho que o atual governo da presidenta Dilma não está fazendo esse tipo de escolha. 47.jpg José Alencar, ex-vice-presidente da República DINHEIRO – Uma reportagem recente da revista DINHEIRO mostrou que a educação ainda vai muito mal no Brasil. O que pode ser feito? GOMES DA SILVA – É preciso valorizar muito o professor por meio da meritocracia. Sem isso, é impossível ter educação de qualidade. A valorização deve ser feita a partir de avaliações que mostrem a capacidade do professor de ensinar os alunos. Já existem experiências bem sucedidas no Brasil e devemos disseminá-las. Devemos também usar a revolução tecnológica na melhoria da educação. Para recuperar o tempo perdido, os alunos precisam estudar uma maior quantidade de horas, na sala de aula ou via internet. E tudo isso tem de começar pelo ensino básico, focando na língua portuguesa e na matemática. Uma casa não pode ser iniciada pelo telhado, mas sim pelo alicerce. Sem o básico da língua portuguesa, o aluno não consegue ler nem compreender as demais matérias. E a gente não forma um engenheiro sem um conhecimento mínimo de matemática. DINHEIRO – Que avaliação o sr. faz do julgamento do mensalão? GOMES DA SILVA – Qualquer que seja o resultado, o episódio do mensalão está ajudando o Brasil a se firmar cada vez mais aos olhos do mundo como um país que é um Estado democrático de direito e cujas instituições funcionam. DINHEIRO – O sr. poderia nos falar de uma lição do José Alencar político e outra do José Alencar empresário? GOMES DA SILVA – A lição é a mesma para os dois casos. Papai a recebeu do meu avô, quando saiu de casa, aos 14 anos, para trabalhar. O importante na vida é ter um comportamento digno, seja na pública ou privada, de tal maneira que você possa sempre ser recebido com orgulho, carinho e respeito nos lugares por onde passou. DINHEIRO – O sr. admite a possibilidade de ingressar na política ou ficou algum trauma da experiência do seu pai? GOMES DA SILVA – Não há atividade mais nobre que a política. Em todas os segmentos, inclusive no empresarial, há coisas boas e ruins. Se algum dia eu tiver condições de prestar algum serviço na política, o farei com orgulho e honra. DINHEIRO – O sr. aceitaria um convite para ser ministro, assim como aconteceu com o empresário Luiz Fernando Furlan, no governo Lula? GOMES DA SILVA – Não sei se eu tenho as qualificações do Furlan, que desempenhou um papel espetacular para o Brasil. Mas não descarto um convite para ser ministro. Fonte:|http://www.istoedinheiro.com.br/entrevistas/99073_MEU+PAI+ESTA+APLA...

Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas

"Meu pai está aplaudindo, no céu, a redução dos juros"

O mineiro Josué Gomes da Silva, 48 anos, é um empresário de fala mansa e com um timbre de voz incrivelmente parecido com o de seu pai, o ex-vice-presidente da República José Alencar, falecido no ano passado.

Por Luís Artur NOGUEIRA
No comando da Coteminas, um dos gigantes mundiais do setor têxtil, Gomes da Silva tem trânsito fácil em Brasília e, seguindo o legado paterno, é hoje umas das vozes mais atuantes do empresariado brasileiro. “É legítimo e imprescindível que o governo brasileiro adote medidas para conter a valorização do câmbio, gerada por esse tsunami monetário”, diz o empresário, que é um dos conselheiros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Tenista nas horas vagas e torcedor fanático do Atlético Mineiro, o empresário conversou com a DINHEIRO, no escritório central da Coteminas, em São Paulo. “O Brasil está rompendo com uma cultura que se formou segundo a qual o País tinha de ter um regime de juros estratosféricos”, afirmou.

DINHEIRO – O Iedi tem lutado, há anos, pela criação de fontes alternativas de financiamento de longo prazo. O BNDES está sobrecarregado? JOSUÉ GOMES DA SILVA – Sim. É lógico que o papel do BNDES é imprescindível para a economia brasileira. Porém, por mais competente que ele seja, é preciso que nós desenvolvamos outros instrumentos de crédito. O BNDES não pode nem deseja ser o único responsável pelo financiamento de longo prazo no País.
DINHEIRO – Como fazer isso?
GOMES DA SILVA – Sem poupança de longo prazo não há crédito de longo prazo. Por isso, enquanto a Selic continuava pagando rendimento elevado no overnight, seria impossível convencer alguém a poupar no longo prazo. Com a queda dos juros, esse quadro muda. Além disso, é importante haver um mercado secundário com ampla liquidez para esses títulos, e oferecer benefícios tributários para quem aplicar o dinheiro por mais tempo. 
DINHEIRO – Os juros baixos no Brasil vieram para ficar?
GOMES DA SILVA – Sim. A presidenta Dilma soube aproveitar a oportunidade gerada pela crise para reduzir os juros. E o Banco Central, que foi criticado pelo mercado em meados do ano passado, hoje é elogiado por ter se antecipado a um quadro de piora do cenário internacional. É importante salientar, no entanto, que a Selic ainda é elevada, se compararmos com as taxas reais negativas de vários países. Não estou dizendo que tem de baixar mais, mas apenas que os títulos públicos brasileiros oferecem ampla segurança aos investidores, o que permite pagar taxas menores.
DINHEIRO – O seu pai, José Alencar, tinha exatamente a bandeira dos juros...
GOMES DA SILVA – Papai tinha a real noção de que o Estado pertence a cada um dos brasileiros. Nesse contexto, ele não se conformava com gastos absolutamente desnecessários que o Estado tinha com o pagamento do serviço da dívida pública. Ele ficava triste e indignado. Então, não tenho dúvida de que meu pai está aplaudindo, no céu, a redução dos juros. O Brasil está rompendo com uma cultura que se formou, segundo a qual o País tinha de ter um regime de juros estratosféricos. 
DINHEIRO – Como o sr. avalia o discurso da presidenta na Assembleia-Geral da ONU, contra o afrouxamento monetário dos países ricos?
GOMES DA SILVA – O que a presidenta Dilma falou na ONU é a mais pura verdade. É óbvio que a emissão de moeda traz consequências para os países emergentes. Portanto, é absolutamente legítimo e imprescindível que o governo brasileiro adote medidas para conter a valorização do câmbio, gerada por esse tsunami monetário. É preciso proteger a indústria. Falar em comércio livre sem que as condições isonômicas de competição existam, na verdade, não é falar em comércio livre. No boxe, por exemplo, você não coloca um lutador peso-pena contra um peso-pesado. O mesmo raciocínio vale em relação à concorrência da China.
DINHEIRO – A indústria brasileira é realmente competitiva?
GOMES DA SILVA – Posso assegurar que, no caso da indústria têxtil e de outros setores, a nossa produtividade e a nossa qualidade são elevadíssimas, dentro dos muros das fábricas, e podem ser comparadas com as de qualquer país. Nós perdemos competitividade por fatores externos às empresas, como por exemplo a falta de infraestrutura e a taxa de juros ainda elevada. 
DINHEIRO – Mas o governo tem adotado várias medidas favoráveis à indústria... 
GOMES DA SILVA – Com certeza são medidas necessárias para sermos competitivos no cenário internacional. Cito a redução dos juros, o novo patamar cambial, a desoneração da folha de pagamento, a depreciação acelerada de bens de capital, a redução do custo da energia e as concessões rodoviárias e ferroviárias, que diminuirão os custos de infraestrutura.
46.jpg
Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento no governo Lula
DINHEIRO – Ainda assim, o sr. acha correto o governo adotar medidas protecionistas?
GOMES DA SILVA – É imprescindível que, durante esse período de transição, enquanto as medidas econômicas não surtem efeito, o governo tome medidas para proteger a indústria nacional. Ainda mais neste momento em que os países desenvolvidos estão liquidando os seus produtos a qualquer preço. O setor têxtil, inclusive, já encaminhou um pedido de salvaguardas para as confecções, o que faz parte das regras da OMC. Posso dizer que, nesse caso, a sinalização do ministro Guido Mantega foi positiva.
DINHEIRO – Com tantas medidas de estímulo, a retomada dos investimentos está agora nas mãos dos empresários, certo?
GOMES DA SILVA – Não é bem assim. Não se reconstrói a competitividade de um país em tão pouco tempo. O governo está atento e sabe que precisa fazer ainda mais. Agora, o empresário obviamente investe quando há perspectiva de que o mercado vá absorver aquele aumento de produção. Por isso, o governo não deixa o mercado interno encolher. A produção é puxada pela demanda. Se houver demanda, o empresariado continuará investindo. O empresário brasileiro acredita e sempre acreditou no Brasil. Não há desânimo no setor empresarial. O que há é uma análise da realidade como ela é. 
DINHEIRO – Por que o governo sempre prioriza a indústria automobilística na hora de estimular a demanda?
GOMES DA SILVA – Sou a favor de medidas horizontais, ou seja, que valem para todos, porque são sempre as mais eficazes, como juros, câmbio e energia. Mas, em determinados momentos, é preciso estimular alguns setores que têm efeito multiplicador na economia. O objetivo é evitar um ciclo negativo de redução de produção, emprego e massa salarial, que seria ruim para todos os setores. É óbvio que o governo tem de ter cuidado para não criar distorções. Quando você incentiva mais o setor A, há um deslocamento da renda para lá, o que acaba diminuindo, num primeiro momento, o potencial de compra de produtos dos outros setores. Sou a favor de incentivos verticais, ou seja, medidas específicas, para setores nascentes, como aconteceu com a Embraer no passado.
DINHEIRO – A propósito, o governo anterior foi criticado por utilizar o BNDES na escolha de empresas campeãs nacionais, como no caso da JBS. Isso é correto?
GOMES DA SILVA – Isso é algo mais polêmico. É muito importante que o País tenha grandes grupos nacionais, fortes e competitivos globalmente. Porém, esses grupos têm de ser formados graças à capacidade de gestão de cada um deles e não fruto da escolha do Estado. O Estado precisa tomar mais cuidado porque ele pode escolher errado. Ele precisa apoiar aqueles que estão ganhando. Cito como exemplos de sucesso empresas como Gerdau, Embraer, Natura, Vale, Coteminas, Petrobras, Ambev, WEG e BR Foods, e nenhuma delas foi necessariamente escolhida pelo Estado para ser campeã. Ele tem que apoiar, não tem de eleger. A escolha não é própria de um Estado democrático, não acho correto fazer isso. Quero deixar claro que eu acho que o atual governo da presidenta Dilma não está fazendo esse tipo de escolha.
47.jpg
José Alencar, ex-vice-presidente da República
DINHEIRO – Uma reportagem recente da revista DINHEIRO mostrou que a educação ainda vai muito mal no Brasil. O que pode ser feito?
GOMES DA SILVA – É preciso valorizar muito o professor por meio da meritocracia. Sem isso, é impossível ter educação de qualidade. A valorização deve ser feita a partir de avaliações que mostrem a capacidade do professor de ensinar os alunos. Já existem experiências bem sucedidas no Brasil e devemos disseminá-las. Devemos também usar a revolução tecnológica na melhoria da educação. Para recuperar o tempo perdido, os alunos precisam estudar uma maior quantidade de horas, na sala de aula ou via internet. E tudo isso tem de começar pelo ensino básico, focando na língua portuguesa e na matemática. Uma casa não pode ser iniciada pelo telhado, mas sim pelo alicerce. Sem o básico da língua portuguesa, o aluno não consegue ler nem compreender as demais matérias. E a gente não forma um engenheiro sem um conhecimento mínimo de matemática. 
DINHEIRO – Que avaliação o sr. faz do julgamento do mensalão?
GOMES DA SILVA – Qualquer que seja o resultado, o episódio do mensalão está ajudando o Brasil a se firmar cada vez mais aos olhos do mundo como um país que é um Estado democrático de direito e cujas instituições funcionam.
DINHEIRO – O sr. poderia nos falar de uma lição do José Alencar político e outra do José Alencar empresário?
GOMES DA SILVA – A lição é a mesma para os dois casos. Papai a recebeu do meu avô, quando saiu de casa, aos 14 anos, para trabalhar. O importante na vida é ter um comportamento digno, seja na pública ou privada, de tal maneira que você possa sempre ser recebido com orgulho, carinho e respeito nos lugares por onde passou. 
DINHEIRO – O sr. admite a possibilidade de ingressar na política ou ficou algum trauma da experiência do seu pai?
GOMES DA SILVA – Não há atividade mais nobre que a política. Em todas os segmentos, inclusive no empresarial, há coisas boas e ruins. Se algum dia eu tiver condições de prestar algum serviço na política, o farei com orgulho e honra.
DINHEIRO – O sr. aceitaria um convite para ser ministro, assim como aconteceu com o empresário Luiz Fernando Furlan, no governo Lula?
GOMES DA SILVA – Não sei se eu tenho as qualificações do Furlan, que desempenhou um papel espetacular para o Brasil. Mas não descarto um convite para ser ministro.